Lisboa 2001... sair à noite
Ahh Rot, obrigado pelo convite, mas sem kevlar vest não vou. Temo pela minha saúde... No entanto, e para vos provar, nortenhos, que a noite de Lisboa também tem os seus interessantes atractivos, vou metaforizar um pouco.
Bronx ou Bairro Alto no fim-de-semana
O Bairro Alto já viu melhores dias, e não sou só eu que o afirmo. Há cerca de dois/três anos, era um óptimo local para se iniciar (e/ou acabar) a noite, dada a variedade de antros especializados. Hoje quase não passa de quatro ou cinco boas casas (Capela, Clube da Esquina, Frágil, Catacumbas, etc.) e tem-se estado a afirmar como um supermercado de ganza, entre outros psicotrópicos. é também um bom local para o engate (vertente homosexual) e uma excelente zona para se ficar sem a carteira. Atenção aos esfaqueadores e aos punks.
Soho, Downtown LA (pick one) ou Zona da Bica/S. Bento
Zona com bares ligeiramente dispersos, caracteriza-se por uma forte tendência pseudo. Temos o WIP (Work In Progress), onde se pode mamar uma bejeca enquanto se corta o cabelo (cortes pseudos, claro), se ouve um dub jamaicano e se compra uma roupita. Temos o Lounge, cada vez mais concorrido, nomeadamente pela secção pseudo-designers-arquitectos, onde até o Vítor Junqueira (musicnet) já passa música. O lema das noites é: passar música muito estranha e muito alta que nunca ninguém ouviu porque é de bem. A favor: bebe-se barato e pode-se sair cá para fora. Para finalizar, temos o Incógnito, que dizem, também já viu melhores dias, mas continua a ser um local alternativo aos bares dos pseudos.
Hollywood Boulevard ou Docas à meia-noite
As docas são o local por excelência dos yuppies e dos proxenetas à portuguesa. É ver os BMW's, Audis e Mercedes (mal) estacionados um pouco por todo o lado. Pode-se jantar a preços proibitivos, e beber imperiais (mal tiradas) a 1000 paus. Falando de música, o cenário não poderia ser melhor para a nata da socialite lisboeta: Sons latinos um pouco por todo o lado, e um ou outro bar techno-xunga. As figuras públicas pavoneiam-se ao lado de outras figuras nem-por-isso-muito-públicas-mas-que-gostavam-de-o-ser. Mais á frente temos a Kapital. Na Kapital há vários níveis de selecção da clientela, desde o rés-do-chão até ao segundo piso. Quem conseguir chegar ao último nível é automaticamente considerado gente-de-bem. Há também o Gringo's nas imediações, autêntico antro de motards e de pseudo-metaleiros. As bebidas são baratas, portanto.
5th Avenue, Champs Elisées (pick one) ou O Lux é que é
Não podia deixar de falar no Lux, autêntico cocktail socialite da noite alfacinha. Começou bem, há mais ou menos dois anos, com uma boa escolha musical e alguns eventos live que estiveram sempre esgotados. O ambiente não é discriminatório (piada), começando a selecção logo á entrada. É conhecido ou tem pinta de pseudo? Faça favor de entrar. Não é conhecido e tem pinta de pessoa normal? Faça favor de pagar dois contitos e entrar. Simples, directo, eficaz. Já nem os estranjeiros escapam. É vê-los a fazer fila para pagar os dois contitos. Ora bem. Por falar em fila, o ambiente lá dentro não é discriminatório sexualmente. Há homosexuais q.b. para equilibrarem a testosterona. Mais uma vez, vêm-se imensas figuras públicas (ponto a desfavor), e imensos jornalistas (ponto a desfavor). As bebidas estão pela hora da morte, e são de péssima qualidade (leia-se: são ludibriadas). Nunca consegui beber mais que duas imperiais seguidas, e as bebidas brancas não batem nada. Em contrapartida os seguranças batem muito. Ultimamente a música anda do piorio. Os dj's da casa resolveram que: "se passa no Lux é de bom tom". E é ouvir Michael Jackson, Prince e outras aberrações sonoras, que ainda assim, estão e acordo com a clientela. Vamos lá ver onde é que aquilo vai acabar.