Arquivo Cafeína

Arquitectura fálica

Pedro Leitão 'Calexico' — 15.02.2001

Hoje, falemos de Arquitectura. A minha actividade criativa preferida (já foi mais, mas enfim...).

Arquitectura fálica, ou, a versão à escala humana da célebre frase: "medir as pilinhas". Portugal já tem muita desta "nova" Arquitectura, muito celebrizada no início do século (passado, claro), quando começaram a despontar em Nova Iorque vários arranha-céus. Mas a verdade é que o homem já tinha posto em prática a mais bem sucedida tentativa de chegar ao céu desde Ícaro, milhares de anos antes. Todos estamos familiarizados com as Pirâmides do Nilo, O Farol de Alexandria, etc.

Mas deixemos o passado e debruçemo-nos sobre o presente.
Não vale a pena voltar a falar no "Guindaste do Borratém", para isso comprem o Expresso de hoje, que vem lá um interessante artigo sobre a polémica. Só quero referir que afinal vai ter (se o construírem) 85 metros e não 50, como já havia, erradamente, referido. É quase apenas o dobro, pois.
Falemos da futura torre de habitação projectada para Hong-Kong, com os seus 1228 metros de altitude (sim, porque "altura" é para as coisas pequenas) e 200 metros abaixo da cota zero. Um bicho deveras impressionante. Custará a módica quantia de 3,3 mil milhões de contos, cerca de 165 milhões de vezes o que o Vale e Azevedo fanou ao Benfica. Não é muito para um edifício que servirá 100 mil habitantes, o equivalente a uma cidade de tamanho médio (tipo Braga, por exemplo). Um dos Arquitectos deste "foguetão" é o catalão Javier Pioz. Boa rapaz!
Falemos da torre de controlo de tráfego marítimo, que está a ser construída na barra de Algés, Lisboa, com os seus ínfimos 36 metros de altura, obra da responsabilidade do mestre Gonçalo Byrne. É toda revestida a cobre e custará 400 mil contos. É barata, realmente. Estará (se os deuses quiserem) terminada em 2006.
Falemos da "Manhattan" de Cacilhas, como ficou conhecida. Um projecto da dupla Graça Dias/Egas Vieira, que visa a implantação de várias torres (algumas com mais de 150 metros de altura) na actualmente abandonada zona da Margueira (estaleiros da Lisnave). Este projecto, apesar de inviabilizado pelo ministro José Sócrates, foi revisto recentemente, estando pensada a construção de uma espécie de jardins suspensos, zonas verdes em plataformas dispostas em vários níveis. Quais Jardins da Babilónia, qual quê.
Falemos por fim, de mais um falo arquitectónico. Um edifício de escritórios recentemente terminado na zona de Miraflores, também em Algés. Com mais de 60 metros de altura (pequeno, portanto) este edifício cinzento escuro, pode ser vislumbrado da Auto-Estrada de Cascais, na zona de interligação com a CRIL, no sentido descendente. Tecnológicamente avançada, esta obra foi construída apenas com fundos privados, o que é obra.

E por hoje é tudo. Não "falo" de mais nada.

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