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O graffiti como arte

Pedro Leitão 'Calexico' — 20.02.2001

Encontrei este artigo, um testemunho de um jornalista português, sobre a arte - sim, arte - que é o "grafitti". Leiam que é bem interessante. E quem souber o e-mail do Portas, é favor enviar-lhe uma cópia do artigo, para ver se ele se acalma.

«Há anos, julgava eu que tinha alguma queda para o teatro, fui a Estrasburgo a um curso de expressão dramática do Conselho da Europa, um daqueles programas de formação cultural para pessoas ligadas ao associativismo juvenil nos vários países. Entre os participantes, encontrava-se um grupo que estava a fazer um estágio de 'grafitti'.
Ali, num muro da instituição europeia, todos os meses um novo grupo de jovens sepultava um conjunto lindíssimo de pinturas com novas passagens de 'spray', deixando no muro a marca do que haviam aprendido com os artistas responsáveis por aquela formação. Quem me dera saber desenhar assim.
As formas de expressão artística como o 'grafitti', que Paulo Portas quis reduzir recentemente a vandalismo - que sim, existe - e criminalizar, merecem todo o meu respeito. Porque se trata de uma arte, de facto, e de uma arte que não fica confinada aos artistas ou às quatro paredes dos locais "de cultura".
Está, além disso, ligada a uma cultura juvenil poderosa, o 'hip-hop', com tradição anti-racista e interventiva no combate às injustiças sociais. É pública, é de todos, é imprevisível. E não se confunda a árvore com a floresta nem se meta tudo no mesmo saco: se pode ser vandalismo de alguns - e este, mesmo sem razão, tem motivos - é arte de muitos. Um factor de enriquecimento de um quotidiano urbano cujo cinzento "betonal" nos tira um pouco de vida a cada dia e que pode colorir o espaço público sem atentar contra o património. Se for percebido, e não reprimido.»

Sérgio Vitorino

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