E agora, um filme mesmo bom
Começo pela nota: [ A ]. O filme: Traffic, 'Ninguém sai Ileso' (onde desencantam estes subtítulos?), do Steven não-sei-das-quantas que é o primeiro realizador desde 1930 e tais a receber no mesmo ano duas duplas nomeações para melhor filme e melhor realizador (o outro filme é 'Erin Brokovich').
Começo a descrever o filme pelo fim: Quando saí, a maioria das pessoas parecia não ter gostado, ou pior, parecia não ter entendido, o que denuncia a grave falta de consciência política (e de inteligência?) neste país. Ou provavelmente esperavam um filme de acção onde os polícias bons prendem os traficantes de droga (e já agora, porque não os 'drógados' também?) no fim. Mas não. 'Traffic' é ficção, mas podia ser um fabuloso documentário. É das raras vezes em que os media (concretamente Hollywood) abordam o assunto do tráfico e consumo de drogas sem hipocrisias, com um realismo quase desesperante que não propõe soluções, simplesmente mostra a cruel realidade onde tudo está viciado, onde no final os vilões ganham quase sempre.
'Traffic' é talvez para este o que 'O Informador' foi para o ano anterior, mas de longe muito mais directo e frontal. Penso que, mantendo a opinião que 'O Informador' é uma excelente película, 'Traffic' bate aos pontos a obra que tinha Al Pacino e Russell Crowe. O realizador mostra aos snobs dogmáticos dinamarqueses como se devem fazer filmes de 'câmara ao ombro', os actores estão impecáveis, principalmente Benicio del Toro, que demonstra a Micheal Douglas e Catherine Zeta-Jones como se fazem as coisas.
Podem haver filmes que eu goste mais. Mas tendo em conta o estilo e o modo como a narrativa evolui, se eu um dia for realizador,este será o filme que eu gostaria de ter feito. Mais uma vez, a nota é [ A ]. Mas se não tiverem consciência política, esqueçam.