O comportamento dos betos
Lamento que o Cafeína tenha estado pouco activo esta semana, tal deve-se ao facto de eu ter estado nas savanas da Foz a estudar o comportamento dos betos, de modo a publicar uma sequela ao meu total insucesso 'O Comportamento dos Ácaros e outros parasitas'.
O Diário de Notícias anda a revoltar-me. Apesar de não o ler, sempre o julguei um jornal algo ponderado, uma ilusão que se desfez em duas partes: o artigo ultra-fascista que abre a revista de Domingo ("Matem os graffiteiros! Viva Portugal!"), que não tem contra-argumentação possível (seria como por o Dalai Lama a tentar aconselhar Hitler), e o artigo que Rita Ferro publicou Segunda-feira, em defesa dos betos, para o qual me alertaram.
O 'beto' é, antes de mais, um termo que felizmente surgiu para substituir 'menino-bem', por si só indutor de vómito. O beto, que Miguel Esteves Cardoso uma vez disse que era aquele que comprava roupas com brasões para substituir aquele que a família não tem (os verdadeiros condes e viscondes, à excepção de uns degraçados que vivem à custa de aparições na Caras, são uns paz-de-alma que não irritam ninguém). O beto é aquele que é capaz de estar 2 horas num café (preço mínimo: 200$) acompanhado de uma boazona sem dizer o que quer que seja, a não ser algumas frases sem sentido sobre carros e casas de praia (normalmente usando o telemóvel escolhido para essa semana). E precisa de dizer? Não, pois as betas batem claramente as matronas do Império Romano no que diz respeito à lascívia. Se repararmos bem, não têm mais nada para fazer. Têm uma vida completamente animal.
Rita Ferro começou com: "Era tímido, o Vasco.". Continuo: O seu nome denunciava alguém cujo pai se tinha feito militante do PCP em 1975 para salvar a sua fortuna, e muitos outros betos, cujos pais tiveram que ir de propósito a um banco, várias vezes, para recuperar milhões de contos depositados no Brasil, não gostavam. Vasco sempre gastou 40 contos em pares de sapatos idênticos aos do pai, e ia todas as semanas ao cabeleireiro fazer um penteado à tijela digno do 'Star Trek'. Os outros rapazes não gostavam que ele andasse sempre com as chaves do Freelander ou do BMW na mão, e insultavam-no, chamando-lhe de 'beto'. Pois os outros, que não têm tanto dinheiro mas têm vidas mais felizes e com sentido, são escumalha. O Vasquinho querido é original e vítima da tradição. Viva Portugal!
Gostaria de alertar ainda que o governo que se diz 'socialista' e 'de esquerda' acabou com o Imposto Sucessório. Que isto seja justo nas famílias humildes, não me oponho, mas que deveria ser de 99,9% em fortunas mesmo grandes, devia. Assim iremos ter cada vez mais uma raça de parasitas que nada mais fazem a não ser esperar pela morte dos pais e votar Paulo Portas (para nada continuar a fazer depois).
Nota: Realmente a digníssima Rita Ferro apelidou de 'escumalha' todos os 'não-betos' deste país e só por isso merece os pneus do seu Volvo/BMW/Mercedes/Jipe-de-mulher furados, entre outras punições.