2001 é 1981?
Por razões óbvias, o título não é para ser levado à letra (ou ao número), mas a verdade é que ocasionalmente penso se não existe um padrão de repetição histórico, que embora possa não coincidir em todas as áreas (em termos de tecnologia seguramente que não), pode passar por ciclos, não exactamente iguais, mas equivalentes, seja em termos de política, de cultura ou de modas.
Culturalmente, se analisarmos os anos 90, é fácil constatar que se trataram de uma mixórdioa de revivalismos, retirando elementos de todas as décadas anteriores, muito principalmente a partir dos anos tardios da de 50. Mas se tivermos que escolher uma única década com maiores semelhanças com a de 90, será a de 70. Claro que é necessario olhar para os anos 70 globais, não os de Portugal (na altura ainda muitíssimo isolado). Agora em 2001, Os freaks fazem de punks (há uns poucos verdadeiros mas os outros são burgueses que gastam uma nota preta na sua roupa). A música, depois de algumas boas colheitas e da invenção de novos estilos, degrada-se rapidamente. Vejam: as linhas paralelas distam 20 anos.
Politicamente: nesta década de 2000 (ou como lhe hei-de chamar), temos um governo 'mais Reaganista que Reagan' nos Estados Unidos, e espera-se a qualquer momento a viragem da Europa à direita religiosa e radical (mais Thatcharista que Thatcher?). Não fosse a economia, poderíamos mesmo falar nuns novos anos 50, assim espera-se que a direita saia do poder com a velocidade que entrou (vai entrar), isto é, se a CIA e o MI6 permitirem. E perguntam vocês sobre a Guerra Fria: bem, parece que G.W. Bush já tratou do assunto, e Xiang Zhemin vai fazer de Brejnev durante uns anitos. E como em 1980, tudo isto se segue a governos pseudo-socialistas desastrosos, com ênfase no sorriso Pepsodent, como Jimmy Carter.
Claro que tudo isto são suposições, um exercício engraçado de quem não tem mais que pensar. Mas será que a História não se repete?