Emissores sem receptores
Número. V-ludo. Ópio. Resina. Bíblia. São apenas algumas das 'fanzines' que tenho a infelicidade de possuir, visto eu ser um ávido coleccionador deste tipo de publicações, desde a mais rasca 'newsletter' de 3 folhas fotocopiadas à mais elaborada 'zine' impressa em papel brilhante e a cores. Mas aquilo que me chateia é o grau de degradação que algumas destas publicações atingem após poucas edições.
Alguns dos seus escritores parecem julgar-se vedetas, verdadeiros Jardeis da forma escrita, e tornam a publicação altamente enfadonha e ilegível. Se a isto acrescentarmos as secções que contém imagens 'vanguardeiras' (termo usado in 'Expresso' a respeito da Bíblia) e (pior ainda) páginas de moda, uma zine 'alternativa' transforma-se em desperdício de papel comum.
Mas o que me aborrece mesmo é a escrita. Sendo que a minha língua materna é o Português, é incrível como muitas publicações em inglês, algumas especializadas, com textos altamente filosóficos e complexos, me pareçam bem mais acessíveis e fáceis de compreender. Os Portugueses parece que têm um enorme complexo de inferioridade que tentam compensar usando palavras caras, sobre-adjectivando, emaranhando o texto em palha, de modo a parecerem mais inteligentes mesmo quando o assunto é a recolha do lixo nas zonas periféricas de Gondomar.
Basta! De uma vez por todas, entendam que as mensagens publicadas têm emissor mas também têm receptor. Se querem brincar com palavras, brinquem nos vossos diários. Um bom escritor deverá ser um bom comunicador, principalmente quando escreve algo que sabe de antemão que é para ser publicado e lido por outros. Não é a escolha das palavras que critico, mas a clareza com que são utilizadas. Se não são capazes de se exprimirem, fiquem pelos treinos. Ainda vos falta muito para jogar na 1ª Divisão.