Uvas até nas portas
Estamos na semana da Queima das Fitas aqui no Porto, aquela maravilhosa tradição de colocar milhares de pessoas num recinto, todas com uma taxa de alcoól no sangue que justificaria uma proibição de fumar e foguear no recinto (um dia destes ainda há um massacre de combustão instantânea). Não há muito mais a dizer sobre a Queima. É uma tristeza mas só vai quem quer. As pessoas sabem para o que vão, é o problema delas se morrerem asfixiadas do mesmo modo daquele vocalista antigo dos AC/DC.
É mais uma tradição académica como as praxes. Igualmente ridícula mas quase todos entram no jogo. Há quem diga que os anti-praxe, já que são contra as tradições, deviam ser proibidos de participar na Queima. Não estarão a confundir alhos com bugalhos? As praxes não são a jóia de entrada num clube, apesar de muitos as encararem assim. Pessoalmente sou contra, mas pode dizer mal das praxes? Não. A culpa é toda dos caloiros! São eles a matéria prima, aqueles que se quisessem, faziam com que tudo acabasse. A questão é que a maioria está disposta a humilhar-se, prostituir-se quase, pelo privilégio de poderem exercerem um falso poder sádico nos anos seguintes, pelo privilégio de dizer umas coisas em latim (se os praxistas pensassem em como os Romanos se notabilizaram pela homossexualidade, talvez deixassem esse teatro). Não há pachorra. Quem é praxado tem o que merece, porque no fundo o quer.
Uvas Atenas Portas. Levas uvas a Atenas. E lá te embebedas, fazes figuras tristes, bates o consumo de cerveja da Festa de Munique. E no fim julgas-te o maior, porque este ano conseguiste passar a uma cadeira. Como é lindo o meio universitário português!