Heterossexual, mas gay em território americano
Pois é. Sou um pouco sensível, tenho sensibilidade estética, considero-me um artista. Logo, ao entrar em território americano, sou gay. E se for com uma amiga que use botas de biqueira de aço, ela é lésbica.
Naquele que é talvez o mais estúpido exercício de generalização à face da Terra, foram postas a circular nas escolas dos Estados Unidos directivas para identificar potenciais homossexuais e os encaminhar para 'medidas correctivas' (campos de concentração?). Apenas os jovens que joguem futebol (do americano, já que o 'soccer' é gay) e gostem de Limp Bizkit são moralmente correctos (música minimamente boa também é gay), enquanto no que diz respeito às raparigas, apenas as all-american bimbos de argolas gigantes nas orelhas cumprem os preceitos de Deus Pai.
Parece quase cómico, mas é aterrorizante. Foi assim de mansinho, começando pelo sistema educativo, que os ódios foram cultivados na Alemanha Nazi e na USSR Estalinista. Desde que os Fascistas (quais Republicanos!) estão no poder nos EUA já tivemos actos como a abolição da teoria de Darwin dos programas escolares de alguns estados (a favor do Génesis, claro), e o encorajamento à denúncia dos pais que cometam alguma ilegalidade por parte das crianças (este um toque verdadeiramente Estalinista). Junte-se as medidas noutros campos (NMD, tratado de Kyoto, retirada de fundos para combate à SIDA - o castigo de Deus para os gays -, e aquela hilariante medida em relação à energia eólica - obrigado, ziggy), considere-se como o actual presidente está no poder há poucos meses (apesar da maioria Republicana no Congresso ser anterior), e podemos usar a expressão de Ronald Reagan para designar aquilo em que os Estados Unidos se estão lentamente a tornar: 'Um império do mal'.