Planeta da macacada
Pois é, fui ver o 'Planeta dos Macacos', versão do Tim Burton. O mínimo que posso dizer é que é um filme inconsequente, não é mau nem bom, simplesmente não se sente nada ao ver esta bastardização da série original. Se querem saber porquê, leiam o resto. Aviso: o argumento é discutido, mas de modo a não estragar a história.
Já quase todos devem saber a história: um naufrago do futuro encontra-se num planeta onde os humanos escravizados tentam sobreviver à opressão de macacos evoluídos, num ambiente proto-medieval. O problema é que este filme está completamente cheio de clichés, pelo que todas as aventuras envolvem episódios como um jovem que quer lutar e a quem dizem para não ir, pelo que aproveita à primeira hipótese para se meter em sarilho; um pai moribundo e acamado que faz um discurso inflamado antes de dar o último suspiro; ou as cenas típicas please stay! please don't go!...; ou ainda a cena mal feita de macacos que ressuscitam após levarem com uma explosão nuclear.
Posto isto, a partir da primeira metade o filme diverge claramente do original, tudo para proporcionar um final cheio de efeitos especiais. Vê-se claramente que Burton evitou a todo o custo que o final fosse um 'Happy Ending', pelo que recorreu a um surrealismo quase extremo e que só se justifica pelo desejo de Burton em não deixar espaço para as sequelas que o 'Planeta dos Macacos' original teve. No fundo, sai-se no cinema com a sensação não de tempo perdido, mas sim de animação suspensa. O filme é isso: totalmente inconsequente. E é totalmente incompreendida a forma como Burton deixou de fora as ruínas da Estátua da Liberdade, o ex-libris dos filmes originais.