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Portugal não precisa de uma torre biónica

'Savant' — 12.10.2001

Portugal não precisa de uma torre biónica. Temos ainda muito espaço onde construir sem precisarmos de nos estender para as nossas reservas urbanas. O que precisamos sim, é de políticas revolucionárias de uso de solo. Mais intervenção técnica e menos intervenções políticas e económicas para planear a forma como as nossas cidades crescem.

Construir em altura, sim, mas nos sítios certos, com a altura certa baseada em factores urbanos e nao simplesmente em factores de rentabilidade. O Estado precisa rever a sua atitude perante situações escabrosas como por exemplo os prédios devolutos nos centros ou o desenvolvimento anárquico das periferias. Controlem-se senhores empreitores, o bem das cidades é maior que a importância dos vossos bolsos, caramba!

Outra tarefa importante para os senhores políticos é que tivessem tomates, de uma vez por todas, e começassem a controlar os custos da habitação em Portugal. Os precos em Portugal não correspondem à qualidade do produto, não estão adequados às capacidades dos consumidores, não é admissivel que uma pessoa tenha que se endividar para o resto da sua vida, por uma casa sem qualquer tipo de qualidade, só para que o promotor tenha 100 ou 200% de lucro e meta 1 ou 2 milhoes de contos ao bolso...

Torres biónicas, elas que venham que são precisas, mas em cidades como Xangai, Tóquio, Londres... Essas cidades têm escala e necessidade de torres biónicas. Em Portugal, projectos como esse valem pelo seu valor teórico e não prático. Valem por provocar, questionar, por nos fazerem pensar... Valem por serem utópicos, como os projectos de Ledoux, Boulle ou mesmo o One Mile High de Frank Lloyd Wright. Valem por colocarem as prováveis questões que teremos de responder daqui a 20 ou 30 anos. Valem porque procuramos soluções antes do problema e enfrentamos o futuro mais preparados.

(Altas Doses de) Cafeína   © E. Morais, M. J. Ruiz, R. Duque, P. Leitão, J. Morgado & autores dos demais contributos 2000-2012