Morais Sarmento, estou contigo!
Um dos jornalistas que eu costumava respeitar, o José Alberto de Carvalho apareceu numa manifestação defendendo o actual estado de coisas da RTP com o argumento de que sem a RTP não haveria escolha para além do Masterplan e da novela da TVI. Ficámos assim todos a saber que o chamado 'serviço público' consiste no direito inalienável de também poder escolher a Fábrica das Anedotas.
Quem me conhece sabe que já há muito defendo a extinção da RTP-1. De algum modo mete-me dó que os partidos de esquerda, com os quais simpatizo, tenham uma posição tão fundamentalista e extremamente 'interesseira' nesta questão da RTP. A RTP é a co-icineração do PSD, Morais Sarmento é o novo José Sócrates, o político injustiçado por uma opinião pública manipulada. Estou contigo, Morais Sarmento.
Existe de facto em Portugal um canal que cumpre o serviço público, se entendermos que o Estado deverá ter um papel regulador e de compensar as fragilidades dos canais privados. O serviço público para mim deve conistir em disponibilizar aquilo que falta e que os provados não oferecem, como os programas educativos, culturais e o Direito de Antena. Existe apenas um canal que realmente o faz e esse canal é a RTP-2. Mas o Canal 1, esse insulto à inteligência que compete com os privados pelo mínimo denominador comum, e que gasta o dinheiro dos poucos portugueses que ainda pagam impostos a pagar a apresentadores de 'alto gabarito', deveria simplesmente acabar. Veja-se o escândalo dum 'serviço público' que tenta garantir o direito alienável dos portugueses às previsões da astróloga Maya, que honradamente aceita aparecer no programa matinal da RTP por 10 mil euros por mês.
Acabar, ou ser vendido. O Estado detém os direitos de transmissão dos canais portugueses e podia vender o canal a outro grupo que não fosse a Impresa ou a Mediacapital, prevenindo a formação de monopólios. Mas como os privados também querem aumentar as receitas de publicidade, talvez o melhor seja mesmo acabar com a RTP-1, deixando o serviço público a sério para a RTP-2 e, eventualmente, para contratos com os privados caso seja necessário. Haverá despedimentos óbviamente, mas sendo os milhares de trabalhadores da RTP 'os melhores profissionais de televisão de Portugal' concerteza não terão problema em arranjar trabalho. E os 'apresentadores de gabarito', com as indeminizações que irão receber, até poderão comprar uma pequena ilha. É óbvio que é triste por todos os outros trabalhadores que ocupam cargos desnecessários e tantos anos trabalharam para manter o 'tacho' serem despedidos, mas nenhum Estado se pode dar ao luxo de manter funcionários desnecessários por pura caridade. Que tente reintegrar os trabalhadores noutros postos e mesmo em empresas privadas é uma coisa, mas a RTP não pode continuar como está apenas para não se despedirem pessoas!
Acho portanto muito bem que o Estado faça tudo o que pode para acabar com o escândalo. Em mais nenhum país civilizado e 'democrático' um 'conselho de opinião', não eleito, pode vetar e contradizer a vontade do dono e principal financiador de uma empresa. Já estou é farto da propaganda básica da RTP a tentar salvar a pele, da tristeza que é assistir a membros do anterior governo extremamente nervosos a tentarem justificar a contratação milionária e imbecil do Emídio Rangel. Fim à RTP-1, já!