Arquivo Cafeína

Ainda o melosodrama americano

'Mavorotheras' — 29.05.2002

Eu nem sequer sou grande adepto das miticas triologias....
mas algum respeito pela obra ainda tinha antes de ver o ultimo...
Da actualizada maravilhante e estupefaciente onda de efeitos especiais, que inconscientemente todos estamos a espera de ver antes de entrar, os primeiros dez minutos tomam conta, e depois qualquer peripecia ao bravo estilo James Bond em versao "o Quinto Elemento", numa mais que revisitadissima perseguicao automovel ...
Se o espectador desprevenido espera continuar a lancar uns boquiabertos ahhs despoletados pelos detalhadissimos pormenores computadorizados depois das sequencias iniciais, desengane-se...

Nota do editor: Mais um artigo enviado por um 'correspondente no estrangeiro', enviado de um daqueles países onde os teclados não têm acentos.

...porque esta prestes a tomar consciencia que, a falta de argumentos inovadores no tecer de uma megatrama conspiratoria que ha diversos anos pulula pelo imaginario da hiperficcao de ponta, onde nos continuam a apresentar esta merda (e desculpem a palavra) de combates interestelares que mais nao sao que uma camuflagem dos bravos (e animalescos) combates ao velho estilo mediavel, que por sua vez chegaram ate nos nos mesmos moldes hollywoodescos....; este filme e , defenitivamente, um tedio! TEDIO, para ser mais explicito..
...ter que aturar um melodrama sentimental entre o juvenilissimo Jedi que se tornara no senhor do Mal e uma juvenil senadora" que de politica parece perceber tanto como a minha cara avozinha(nao que se peca muito das personagens..!!), nao e coisa facil...
problema quando nos apercebemos que o enredo nao vai mais alem de uns "oh quanto es bela, "oh quanto te amo"oh ah ohhh, .., e pelo meio ainda ter que aturar um sonho erotico-masturbatorio do nosso precoce e imberbe heroi....
...apetece dizer: nao, nao e mais uma estupida comedia liceal americana, mas com jeitinho...

A juntar ao desenrolar apocaliptico da minha noite, ainda ter que ver o filme dobrado em italiano, numa sala que me deu umas saudades desse grande peregrinatorio das minhas noites de estudante, esse icone do ser civilizado que se repete nas periferias desta velha Europa que cada vez mais se corrompe...
Ja dizia Baudrillard: consumimos os objectos por aquilo que significam e nao pelo seu real valor..., mais apetece dizer: tem um desejo incontrolavel de ver um belo filme, corra ao Blockbuster mais proximo e leve para casa um sempre satisfactorio Ghost In The Shell, nem que pela enesima vez...

(Altas Doses de) Cafeína   © E. Morais, M. J. Ruiz, R. Duque, P. Leitão, J. Morgado & autores dos demais contributos 2000-2012