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Cuidado com os yntelectuais

Eduardo Morais 'NiceGuyEddie' — 11.06.2002

É possível vê-los um pouco por todo o lado, embora se encontrem mais aglomerados à volta de cafés de 'gente culta', bares da moda e galerias de arte e cinemas (com a condição de serem fora de centros comerciais). Trata-se da verdadeira 'Geração Y', bem pior que pseudo-intelectual - é 'yntelectual'.

Os yntelectuais, ao contrário dos pseudos, conseguem formar um discurso coerente, já não são 'verdadeiros artistas' com gosto pela estupidez, têm opiniões que parecem na maioria das vezes sensatas e informadas. Contudo, não se deixem enganar! Antes um pseudo que um yntelectual! Porque o grande problema dos yntelectuais é que... são o suplemento do Público da sexta-feira anterior. É isso mesmo. O yntelectual é um ser que se limita a ler cuidadosamente o suplemento 'Y' do jornal Público e passa o resto da semana a vomitar o seu conteúdo. Não tem opinião própria, fala bem do disco de que o crítico de serviço do Público disse bem, diz mal do filme de que o crítico disse mal. Segundo um relatório secreto do SIS, tal poderá ser parte de um plano a longo prazo dos críticos do jornal Público para criarem um exército de clones. Mais grave ainda, o MI6 suspeita de que alguns desses críticos sejam pseudo-intelectuais.

Há algumas semanas a revista Visão publicou uma reportagem escandalosa sobre uma suposta Geração Y (também denominada 'Geração.com'), que sucederia à geração X. Para os jornalistas da Visão, as diferenças eram claras. Um espécimen da Geração X seria alguém que andaria de kispo, com um walkman (dos de cassetes), cabelo com gel, jeans Levis, sapatilhas All-Star, e traria um ZX Spectrum na mochila. Já o espécimen Y seria alguém que andaria de sweat-shirt, discman, cabelo rapado ou rastas, teria um ou dois piercings, andaria de calças Resina (daquelas em que o cu se arrasta no chão) e teria trocado o Spectrum por uma Playstation. Obviamente, os senhores da Visão passaram completamente ao lado do essencial. A Geração X (cujos membros terão agora pelo menos 25 anos) representa o último bastião do verdadeiro pseudo-intelectualismo, prestes a ser substituído pelo yntelectualismo da Y.

Cuidado com a Geração Z que aí vem. Será a hora do pseudo-yntelectualismo.

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