Arquivo Cafeína

David Holmes - Bow Down the Exit Signal (2000)

Eduardo Morais 'NiceGuyEddie' — 07.10.2001

Em que estava a pensar David Holmes? Depois do fabuloso 'Let's get Killed', que misturava as suas sonoridades fílmicas (incluindo mesmo uma versão do tema original do James Bond, 'Dr. No') com toda uma variedade de sons e entrevistas recolhidos nas ruas de Nova Iorque, o compositor e DJ natural de Belfast regressa com um novo album, após três anos de ausência.

Desengane-se quem julgar que Holmes progrediu numa direcção ainda mais fílmica e revivalista (em 1998 Holmes lançou 'Essential Mix 98/01', contendo temas clássicos de Brigite Bardot, Howard Blake, Percy faith e Skylab). Se bem que certos temas como 'Incite a Riot' pareçam retirados dum filme de acção, criando suspense e depois narrando uma perseguição, Holmes não saiu evidentemente incólume à crescente pressão dos media britânicos sobre a sua personalidade nestes ultimos anos.

Holmes torna-se uma espécie de James Lavelle. Com um ego exagerado pela imprensa, decide fazer o que é correcto (em termos de estratégia mediática/comercial) e convida uma série de nomes 'in' para participarem no álbum. Tal como aconteceu com os UNKLE em 1998, decepcionou.

'Bow Down the Exit Signal' não é um mau album, talvez bastante longe disso até. Mas também não passa do estatuto de 'competente', ao contrario dos seus predecessores, é um album que se ouve mas não se relembra. Bobby Gillespie (dos Primal Scream), Jon Spencer, Iggy Pop e Martina (a bela voz de 'Maxinquaye') são convidados interessantes mas inconsequentes. Tais como Thom Yorke ou Richard Ashcroft no álbum dos UNKLE, não adicionam muito mais ao álbum para lá do factor 'relações públicas'.

'My Mate Paul', o single de estreia de 'Let's get Killed', era urbano e actual. '69 Police', o single de estreia deste, assemelha-se a uma fanfarra fácil de esquecer. E o resto, progredindo na direcção do blues, não consegue mesmo assim fugir completamente da zona cinzenta. Falta-lhe talvez alguma imaginação. 'Outrun', com Martina ao microfone, não escapa ao fantasma de Tricky, e torna-se uma sombra das suas composições. Este acaba por tornar-se um bom disco para ter no walkman e ouvir com todo o ruído de fundo de uma cidade em movimento. Mas falta-lhe alguma magia para lá disto.

David Holmes é capaz de melhor.

[ 3 / 5]

(Altas Doses de) Cafeína   © E. Morais, M. J. Ruiz, R. Duque, P. Leitão, J. Morgado & autores dos demais contributos 2000-2012