Ricos médicos, pobres professores
Já lá vão alguns meses mas a indignação que a medida causou em mim ainda é tanta quando descobri este site (foi hoje mesmo) resolvi que seria a única coisa sobre a qual eu poderia arriscar umas linhas.
Uma das (muitas) carências que o país tem é a falta de médicos no interior do país, triste situação que o governo anterior tentou resolver criando incentivos (leia-se privilégios) a esta classe.
Nada tenho contra incentivos, é sempre bom ser incentivado, mas quando se multiplica duas, três ou até dez vezes mais o ordenado, facilita a compra de casa, e garantia de admissão em qualquer escola ou universidade dos filhos, não são incentivos são privilégios a uma classe já muito bem remunerada, conhecida pela evasão fiscal (salvaguardo as devidas excepções).
Porque não adoptar o método usado com os professores? Um professor antes de ter "assento" definitivo numa escola do Estado, tem que andar em peregrinação durante uns bons anos, por onde houver vagas. Não sou a favor de cinco ou seis anos, mas defendo que qualquer médico que pretendesse exercer num hospital ou outro serviço público deveria sujeitar-se a uns dois anos de peregrinação pelo país.
Que aí se desse algum (e agora sim) incentivo, aplaudiria. Tinhamos médicos em todo o país e poupava-se muito dinheiro. Agora engordar mais os que já sofrem de bulimia e não ajudam nas despesas da casa? Não obrigado...