O jogo do crime
Até a pacifista Mafalda aparece em imensos cartoons a brincar aos cowboys com os seus amigos. Ora eu, que também me considero um pacifista, passo horas a massacrar transeuntes inocentes, a assaltar bancos, a roubar automóveis depois de espancar os seus donos com um bastão de baseball, a travar sangrentas guerras entre gangs pela Máfia e pelos Yakuza. E divirto-me imenso. Refiro-me obviamente a um jogo de computador: o excelente Grand Theft Auto III, 'GTA3' para os amigos.
É o único jogo dos últimos tempos que me faz esquecer o bem mais pacífico ISS Pro (um bom jogo de futebol). O GTA3 é um jogo para homens crescidos e de barba rija (inclusivamente banidos em vários países cujos governos não sabem distinguir entre realidade e ficção) e está anos-luz à frente dos antigos GTA e GTA2, jogos giros e violentos mas algo vagos e com um ar demasiadamente 'arcade'. Agora é integralmente em 3D, a cidade parece mesmo real e fervilha com vida, e há milhentas missões e subjogos (taxista, 'vigilante', bombeiro, 'streetracer', massacrar 25 membros de um gang com lança chamas em menos de um minuto) que nos mantêm colados ao PC ou à Playstation2.
Portanto da próxima vez que forem no autocarro ou estiverem no café e ouvirem conversas do género "Já mataste o Salvatore?", "Já fizeste explodir o barco?", "Aquela da granada pela janela é que é complicada", "Aquela do morto na mala é bem lixada, não é?", não pensem que estão junto de grandes criminosos. A resposta é simples: Grand Theft Auto III.