Arquivo Cafeína

Queens of the Stone Age - Songs for the Deaf

'BelhoSam' — 14.09.2002

Fazia já algum tempo que não havia um disco que me despertasse um prazer extremo, uma paixão violenta e me fizesse sentir arrasado quando este acabasse e com vontade de recomeçar tudo de novo. Apresento-vos a minha nova paixão: "Songs for the deaf". Para ouvir alto. Muito alto.

Há já muito esperado e sucessivamente adiado, este terceiro album dos Queens of the Stone Age não podia ter tido um melhor timing. Depois de um "Rated R" que já chamou muito à atenção e de uma longa digressão (que passou por Paredes de Coura), seguiu-se um periodo de fermentação em que se apuraram sabores. Sim, porque a (boa) música acaba por ser como um bom vinho tinto: primeiro é preciso deixar abrir e ganhar corpo, só depois deve ser bebido e apreciado lentamente para nos apercebermos das verdadeiras tonalidades do seu sabor. Foi isso que aconteceu com "Rated R". Resultado? Fasquia alta, e uma clara confiança que os Queens of the Stone Age seriam capazes de a ultrapassar (bem, eu cá falo por mim). E conseguiram.

"Songs for the Deaf" é um disco infernalmente harmonioso, que começa por ser inquietante, com uma aparente desordem maníaca que lentamente se torna melodiosa. A conjugação entre a bateria maquinal de David Grohl, os riffs robóticos e desconcertantes de Josh Homme e as vozes peculiares dos 3 vocalistas fazem deste album um desfilar de grandes músicas: são canções pujantes, cheias de groove, irrequietas e energéticas que põem qualquer um a bater o pézinho e a fazer de conta que tocam bateria.

O disco começa logo a rasgar, com o berreiro alucinado de Nick Oliveri em "Millionaire" e logo a seguir passa para o primeiro single "No One Knows", uma canção fabulosa em que a voz de Homme contrasta logo com a Oliveri. Aliás uma das coisas que torna este disco ainda mais interessante é a presença de três vocalistas, cada com um estilo peculiar de voz: Oliveri contribui com os seus berros demoniacos que contrastam tanto com a voz soft e sexy de Homme, como com a voz quente e rouca de Lanegan. Tudo isto numa preciosa harmonia que permite aos Queens of the Stone Age enveredar pelos mais variados caminhos ao longo do disco. Mas não me vou perder a descrever cada música (embora me apetecesse), vou apenas destacar os temas "Hanging Tree", "Sky is Falling", "First It Giveth Number One", "Song for the Deaf" e claro "No One Knows".

Quando o album termina com "Mosquito Song" (é uma das melhores músicas que já ouvi para terminar um disco), o desejo é não nos termos esquecido de carregar na tecla de repeat. "Songs for the Deaf" é assim uma verdadeira viagem infernal da qual apetece não voltar. Para já um dos discos do ano. 4.5/5

(Altas Doses de) Cafeína   © E. Morais, M. J. Ruiz, R. Duque, P. Leitão, J. Morgado & autores dos demais contributos 2000-2012