O caso Jay Jay Johanson
Quem não ficou chocado ao reparar no novo 'look' de Jay Jay Johanson nos jornais? Mais que simples mau-gosto na moda, penso que o caso Jay Jay Johanson é sintomático das tendências e futilidades da cultura actual. Senão, vejamos: Johanson é um cantor sueco que ganhou reputação com canções à Marco Paulo recauchutadas electronicamente (vejamos letras como a Dino Meira-iana "Digam às raparigas que voltei à cidade" ou "Estou mais velho agora, mais velho do que quando era mais novo"), que se pautava por aparecer com um aspecto frágil e depressivo. E agora, de repente, Johanson reinventa-se como uma electro-Siouxie flamejante. E chamam a David Bowie de 'camaleão'?
Revistas como a espanhola Neo2 (ou até a portuguesinha Número) devem estar - porque não gosto lá muito delas, apenas as folheio ocasionalmente - cheias destas coloridas electro-Siouxies, a par com variações sobre o moicano à la Beckham. Santificada seja a falta de conteúdos, tanto na Terra como no Céu, as vendas de cada dia nos dai hoje, perdoai-nos o nosso sarcasmo, Amen.
Ora, tudo isto leva ao aparecimento de uma geração (ou pelo menos parte dela), na qual eu me incluo, extremamente aborrecida e entediada. Já não há pachorra prá moda! Pu** que pariu a Voxx! Pró cara**o mais a música house que dá nas lojas de discos! Berda**rda mais os panões que aparecem em tudo quanto é flyer!
As condições a nível económico, social, geoestratégico, etc, estão formadas para o aparecimento de uma nova cultura que negue toda a futilidade actual. Isto é, um 'punk' para os anos 2000 e picos. O problema é que as vagas já estão cheias. Desde meados dos anos 90 que assistimos a revivalismo após revivalismo, e tudo o que surge de remotamente novo demora dois dias até ser assimilado pela cultura 'mainstream'. A vaga não pára. O que é que vai acontecer quando a actual vaga de revivalismos passar do actual electro e começar a reviver o grunge ou drum'n'bass? Rapidamente a vaga vai colidir consigo própria, e ou estaremos num caos completo onde as revistas fecham e as galerias de arte e discotecas vêm abaixo, ou estaremos outra vez a reviver os anos 60, e assim ficará para sempre a humanidade, presa a reciclar, recauchutar e reconsiderar 40 anos do século XX.
Que o caso Jay Jay Johanson nos sirva de aviso: O sarcasmo e a recusa são o único garante de sanidade cultural.