Governo e Oposição.
Porque passam os seis meses de actuação do novo Governo, parece de bem tecer algumas considerações acerca do actual panorama político, marcado nacionalmente pelo Orçamento e pelos "casos" - que de resto sempre existiram, independentemente da cor do executivo - e internacionalmente pelo terrorismo e por todo o abrandamento económico nos EUA e na Europa.
PS - já dizia o outro, passaram anos a afirmar como o país estava maravilhoso, para agora afirmarem como o mesmo está sujo e decadente. Faz as vezes do principal partido da oposição, mas tornou-se enjoativo a maneira como procuram incessantemente minar a capacidade do PSD/PP única e exclusivamente com o caso Moderna - sinceramente, não tinham MAIS nada para dizer que não fosse:"Queremos a demissão do Portas!"? Que falta de imaginação...
PCP - quem são estes, mesmo? É certo que toda a imagem do Comunismo sofre um violentíssimo golpe com a queda da URSS - não vale a pena referirem que ainda têm Cuba e a China, porque simplesmente não é a mesma coisa. Mas mesmo sem a queda da União Soviética, o Partido Comunista continuaria nas ruas da amargura. O Carvalhas nunca possuiu qualquer carisma de líder, e o PCP torna-se agora mais conhecido pela juventude do Avante, do que pelos seus ideais políticos.
Bloco de Esquerda - hesitei em chamá-lo de BE, ou simplesmente Francisco Louçã. De facto, o partido acaba por viver à custa do seu líder, que de resto passa a ideia de estar muito bem instalado no papel da oposição, criticando e opinando invariavelmente contra o poder central. Parece bem um daqueles casos em que, encontrando-se no poder, iria imediatamente asfixiar.
PSD/PP - a coligação em poder é que se torna mais difícil de analisar. Fez bem em simplesmente ignorar os patéticos apelos da oposição durante o caso Moderna - como dizia Sampaio, o país precisa é de estabilidade, não de ministros demissionários - e acho que merece uma nota de aprezo pela coragem que demonstra em seguir os critérios da União Europeia, nomeadamente no controlo do défice. Não são certamente as medidas mais populares, e talvez não as melhores, mas ao menos empenham-se.