Boquinhas e dores de coto
Não são estranhas para os visitantes assíduos do Cafeína os momentos desagradáveis que por vezes ocorrem nestes site. Se por um lado este site talvez seja exemplar pela unidade do 'staff' (cujo único problema é a fraca participação - justificada - de alguns membros), fico por vezes amargurado com as boquinhas terroristas que aqui surgem, seja no fórum, seja nos comentários dos artigos, seja nos 'pregões' (cuja mera existência demonstra que somos civilizados e esperamos que os outros o sejam).
Se por vezes se torna muito difícil evitar as 'flames' em discussões mais acesas (o que me levou, inclusivamente, a ter bloqueados os comentários a anónimos durante algum tempo após uma grande guerra de insultos que se seguiu a artigos sobre as eleições de Março), os comentários mais enervados ainda vão sendo relativamente tolerados desde que relacionados de algum modo com o tópico em discussão e desde que sejam de algum modo construtivos ou em defesa de uma posição.
Mas a boca cobarde, o recado, o insulto, são intoleráveis. Haja um limite para a tolerância, e este deverá ser a intolerância dos outros.
O problema é que neste país é impossível alguém levar a sua vidinha em paz. Do mesmo modo que quando andamos na rua há sempre alguém que olha para nós como quem quer alguma coisa, é também difícil manter uma actividade pela qual sejamos elogiados sem que surjam as tais boquinhas fatelas, cobardes e irritantes em igual proporção. Há sempre alguém pronto a implicar com qualquer coisa, seja uma frase com um erro ortográfico - errar é humano e admito com orgulho que o Cafeína está cheio de erros e impercisões (sic) - seja o facto de não usarmos uma porra qualquer de XHTML, seja um comentário sobre como os telemóveis são chatos, ou seja o facto de usarmos formas rectangulares no site. Há sempre alguém pronto com um 'bitaite', mas raramente alguém se prontifica com uma sugestão.
O céu sobre o Cafeína está nublado. Recentemente, enviei ao JUP (Jornal Universitário do Porto) um pequeno artigo sobre os weblogs, com a boa intenção de divulgar este meio de comunicação, segundo o qual já elaborei um trabalho teórico no meu curso, junto do restante público universitário. Junto com o artigo enviei algumas moradas, algumas delas minhas (não ando aqui para ser falsamente modesto), outras que julguei importantes e boas introduções. E eis que, quando encontro o meu artigo impresso, vejo junto dele um screenshot de um outro weblog, não um weblog qualquer, mas o weblog de uma associação com a qual me incompatibilizei há algum tempo, fruto de um sério desentendimento com outro membro e de um uso desastroso dos filtros de e-mail. Mas o que passou, passou, esquece e anda para a frente. Ou deveria ser assim. O tal screenshot (ainda por mais com ênfase na morada do dito site) junto do meu artigo foi uma coincidência demasiado estranha, e como me recuso a acreditar em bruxas, acredito em causas bem humanas, neste caso na habilidade bem portuguesa para o 'recado subtil'.
Seja através de cobardes bocas ou subtis recados, não há pachorra. Há dois tipos de pessoas: as que procuram correr mais e as que dão cotoveladas. Às que procuram correr mais deixo aqui as saudações amigáveis do pessoal do Cafeína, por estarem a contribuir de forma activa para a revolução, ainda por alcançar, da Internet. Aos artistas da cotovelada, que continuam a pairar sobre o Cafeína e outros projectos como abutres, quero deixar aqui o velho ditado: "quem está mal, muda-se".