Arquivo Cafeína

O ingnorantismo

Eduardo Morais 'NiceGuyEddie' — 30.10.2002

Hoje fiquei bastante chocado com uma reportagem que passou o telejornal da SIC. Nela eram entrevistados uma série de alunos universitários a quem eram feitas perguntas simples de matemática, do género "8 vezes 7" (56) ou "raíz quadrada de 25" (5). A grande maioria, mesmo aqueles que frequentavam cursos de natureza matemática como as Engenharias, ou não sabia responder ou errava. Ora, até ver isto sempre vivi num estado de negação relativamente à burrice dos Portugueses, agora não posso de deixar de pensar que nesta terra saber a tabuada faz de mim um génio.

Supostamente, como tive Matemática até ao 12º ano, até deveria saber operações complicadas como as derivadas, e deveria ter fórmulas complicadas como a resolvente na minha cabeça. Acho normal que como frequento um curso de natureza artística já me tenha esquecido de algumas destas coisas, mas ainda sou perfeitamente capaz de fazer algumas contas de cabeça.

O que não compreendo é que como é que pode haver futuros Engenheiros incapazes de multiplicar dois algarismos (note-se, algarismos) de cabeça. E as operações básicas da matemática não são um conhecimento técnico, são da cultura geral mais elementar!

Não admira, portanto, que, paradoxalmente, a ignorância esteja em franco crescimento nesta que supostamente é a civilização da técnica e do conhecimento. Não é um problema exclusivo da matemática. As pessoas estão mesmo determinadas em ser ignorantes, e para isso veja-se só o modo pejorativo como as pessoas conhecedoras são encaradas pela nossa sociedade - afinal, muito pouco diferente do recreio da escola primária.

Cada vez mais, as pessoas cedem a crenças absurdas de carácter religioso como o Creacionismo (criminosamente ensinada nalgumas escolas) porque é mais fácil de compreender que a Teoria da Evolução. Acreditam nos OVNIs e nas bruxas e nos santos que choram, e recusam-se a acreditar que certos fenómenos são meras ilusões subjectivas, coincidências ou algo com uma explicação racional.

Como é podemos portanto querer que um país na cauda do conhecimento esteja no pelotão da frente da Europa?

(Altas Doses de) Cafeína   © E. Morais, M. J. Ruiz, R. Duque, P. Leitão, J. Morgado & autores dos demais contributos 2000-2012