Os Poucos, os Bons e os Vilões
Acordei com o terrível pressentimento de que estou em vias de extinção. Não que me sinta um dinossauro ou ave rara, mas confesso que, na balança, os pratos parecem balançar para o lado oposto.
Televisão, cinema, música, jornais, revistas e afiliadas, cafés e restantes pontos hoteleiros, praças de rua: ameaçadoramente, sinto quase tudo contaminado pela estupidificação.
E eis que (aleluia!) encontro um estimulante: a Cafeína, ponto orgue.
Quase uma boa notícia, serve de amparo mas prolonga a minha questão:
- Afinal, estou do lado de quem? Dos Poucos, dos Bons ou dos Vilões?
Vamos com calma e por degraus.
O facto de não me identificar com a maioria faz-me sentir bem comigo mesmo - Mark Twain dizia "No dia em que estiveres do lado da maioria, senta-te para reflectir".
No entanto, não deixo de me sentir preocupado... Anda aí um vírus de "massificação pela banalidade" ou é impressão minha?
MTV, Maria, 7 dias, novelas, Elo mais fraco, Toy em directo, Delfins, (...) - o que é feito do meu prime-time?
Eu sei que tudo isto é, supostamente, normal, mas sinto que estamos a andar para trás.
Estamos a deseducar, de destimular. A estupidificar ainda mais as massas.
Não era suposto termos vozes contrárias a crescer?
Não era suposto sentirmos a crescente corrente contrária?
O que aconteceu às promessas do início dos anos 90?
Estou em vias de extinção. Facto.
Estou a perder a batalha. Facto.
Perdi a réstea de identificação com o país em que vivo. Facto.
E, provavelmente, estou do lado dos vilões.
(quanto tempo até ao boom?)