Não comprem petróleo com sangue!
Um pouco por todo o mundo, as pessoas manifestam-se hoje contra uma guerra injustificada contra o Iraque. Apesar dos esforços de forças como o Partido Comunista Português para sabotar os protestos através do envio de autómatos com bandeiras vermelhas que tentam transformar um protesto pacifista e que se quer apolítico num evento político recheado de palavras de ordem básicas e pouco fundamentadas, a verdade é que falar contra a guerra é um acto de consciência justo.
Não confundir isto com o tal anti-americanismo básico. Como já disse, os Estados Unidos são um grande país que caiu nas garras de uma oligarquia poderosa e fascizante, e não podemos condenar um povo pelos seus líderes, do mesmo modo que sabemos distinguir entre Saddam e o resto do povo iraquiano.
As razões contra a guerra são então oito:
1. Apesar de Saddam ser um ditador com requintes de malvadez, na verdade não cometeu nenhuma séria violação da ordem internacional desde a guerra anterior, comparativamente com outros países com os quais os Estados Unidos lida de modo bem diferente, talvez por um verdadeiro medo - veja-se a Coreia do Norte.
2. Os principais objectivos da guerra são apenas dois: o acesso ao petróleo (as grandes empresas já discutem a sua divisão ainda antes do saque ser executado) e o manter a opinião pública Americana num clima orwelliano de guerra permanente, para que as reformas totalitárias possam avançar (como por exemplo o Patriot Act).
3. Os custos projectados sobre a enfraquecida economia Americana são de triliões de dólares, enquanto ao mesmo tempo há cortes sobre as medidas sociais, aumento de impostos, e aumento do desemprego e da probreza - e não nos esqueçamos que o que afecta os EUA afecta-nos a nós.
4. Já os custos humanos seriam de centenas de milhares de refugiados, e bastantes milhares de mortos entre Americanos e Ingleses.
5. A guerra iria de facto acabar de vez com as Nações Unidas, inaugurando uma era de instabilidade internacional.
6. Caso sejam usadas armas de destruição em massa, poderá ser apenas a primeira guerra em que o seu uso é banal.
7. A guerra irá desestabilizar o restante Médio Oriente ainda mais, apesar das animosidades de muitos países árabes em relação ao Iraque laico.
8. A guerra é sempre má, e nenhum dos fundamentalistas cristãos da actual administração Americana o pode desmentir.