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Não deixem cair estes discos no esquecimento

Eduardo Morais 'NiceGuyEddie' — 27.02.2003

O outro dia, em resposta a um artigo no fórum daqui do Cafeína, escrevi sobre alguns excelentes discos que sairam em meados dos anos 90, com a participação de artistas que entretanto ou se tornaram medíocres ou desapareceram completamente. Quando discos como 'Debut' da Björk já têm 10 anos ou o 'Blue Lines' dos Massive Attack já saiu há 12, penso que se torna importante recuperar aquilo que se fez de melhor na década passada, visto que a actual não está a ser grande coisa... Continuem a ler para verem as minhas recomendações, sem nenhuma ordem em particular.

Spacer : Sensoryman - a Alison Goldfrapp não costumava ser uma cantora deprimente e politicamente correcta. Antes da sua terrível e aclamada aventura a solo, participou neste disco dos Spacer, projecto conjunto com Luke Gordon e Ian Simmons, que foi trip-hop do melhor.

808 State : Don Solaris - antes dos Lamb, Louise Rhodes emprestou a voz a uma música ('Azura') melhor que qualquer uma dos Lamb. O álbum tem ainda as participações de J.D. Bradfield (Manic Street Preachers) e de Ragga (a 'segunda cantora islandesa' que também apareceu em Maxinequaye do Tricky e depois desapareceu completamente).

Tricky : Maxinequaye - A obra-prima do trip-hop, com as lindíssimas vozes de Martina Topley-Bird e Ragga. A primeira sequela, 'Pre-Milennium Tension' também tem excelentes momentos. Os restantes discos do Tricky são, à falta de melhor expressão, uma bosta.

Björk : Debut e Post - O 'Debut' já tem 10 anos! São dois excelentíssimos discos de uma senhora que hoje em dia só faz música chata e algo deprimente.

Nearly God : Heaven - Tricky, Björk, Neneh Cherry, Terry Hall, Martina Topley-Bird: mas que 'dream team'!

Gus Gus : Polydistortion - Na altura ainda eram imensa gente, não eram azeiteiros e tinham uma excelente vocalista chamada Hafdis Huld.

Massive Attack : Protection - Sim, fala-se muito do último que até é bonzinho mas este é que é: recuperaram a Tracy Thorn dos EBTG, foram buscar novamente a Nicolette, e ainda têm uma colaboração com o Tricky (no tempo em que ele valia alguma coisa).

Nicolette : Let No One Live Rent Free In Your Head - É O disco dos anos 90. Produzido pelos Plaid e pelo Alec Empire (Atari Teenage Riot) é uma fabulosa obra feita por uma colaboradora dos primeiros dois discos dos Massive Attack. 'No Government' é um hino.

Plaid : Not for Threes - E já que falamos dos Plaid, Nicolette repõe a dívida ao emprestar a voz a este disco. 'Not for Threes' é talvez dos únicos discos de música electrónica que podem ser descritos como 'giros'.

Bomb the Bass : Clear - Já antes dos Massive Attack eles se tinham lembrado de ir buscar a Sinead O'Connor, mas a música que fica no ouvido é a potente 'Bug Powder Dust'. Também tem um curioso exercício de 'spoken word' com a participação de Will Self.

Goldie : Timeless - O drum'n'bass está tão fora de moda agora como a 'disco' em meados dos anos 80, mas a obra-prima da bateria e baixo nunca cansa - 'Inner City Life' é parte deste disco.

Scala : Compass Heart - Mais raro e para os mais flexíveis de ouvido é este disco da editora (que entretanto acabou) Touch. Pop electrónica em grande estilo.

Stereolab : Emperor Tomato Ketchup - É verdade que os discos anteriores têm todos fortes tendências electrónicas. Para quem quiser boa pop analógica, com guitarras, recomendo vivamente os Stereolab. E este é para mim o melhor disco deles.

E como diz alguém que conheço, "e é assim". Estejam numa loja ou na internet, não hesitem quando algum destes discos vos aparecer à frente.

(Altas Doses de) Cafeína   © E. Morais, M. J. Ruiz, R. Duque, P. Leitão, J. Morgado & autores dos demais contributos 2000-2012