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A Segunda Irmandade

Eduardo Morais 'NiceGuyEddie' — 01.03.2003

Uma vez o ziggy escreveu sobre a Primeira Irmandade do Jogo, a Ordem do Treinador de Campeonato, a sociedade secreta dos fanáticos pelo Championship Manager. Existe no entanto uma Segunda Irmandade, igualmente poderosa: a Ordem das Superestrelas do Futebol, a Sociedade da Evolução Profissional. Refiro-me ao fanatismo pelo Pro Evolution Soccer, muitas vezes apelidado de 'ISS' (pois as versões anteriores chamavam-se International Superstar Soccer), o jogo que nos faz perder largas horas em frente às nossas Playstations ou dos nossos PCs com emulador.

Existem inúmeras versões sendo a mais recente o Pro Evolution Soccer 2 na Playstation2 (infelizmente em casa só tenho o PES1 para PSXOne que jogo no meu PC), e todas elas melhoram o que parece impossível de melhorar. É o único jogo que actualmente alcança aquilo que só o mítico Sensible World of Soccer alguma vez conseguiu: ser um jogo de computador que realmente 'sabe' a futebol.

Há defeitos: a forma como os jogadores parecem demorar a reagir quando desarmados. A forma como algumas faltas são marcadas estupidamente ou (uma coisa que parece pior na última versão) é incrivelmente difícil cabeçear uma bola para a baliza. E ainda - não julgues que me esqueço, ziggy - o modo como a França é exageradamente poderosa. E o maior defeito de todos: é que quando sete pessoas disputam um torneio, cinco delas têm que ficar a ver as outras duas a jogar.

É o jogo que desperta os piores instintos: Quando jogo com a Nigéria ou os Camarões (as minhas equipas-fetiche) ouvem-se gritos de "preto filho da puta" quando o meu Babangida passa a 100km/h pelo David Beckham. O Zidane é "o maior paneleiro do Universo" quando finta 9 jogadores e marca de fora da área. O Figo, o nosso Figo, é simplesmente um "cabrão filho da puta" quando faz slalom entre os meus Taribo West e Joseph Yobo. E o desconhecido Burton da Jamaica é o melhor jogador do mundo quando consigo empurrar para a baliza a bola que o grande David Seaman largou. É tal e qual como no estádio, e não vale a pena ser politicamente correcto. 'Controladores' de cor insultam os jogadores de cor do 'controlador' adversário. Somos todos nazis quando não resistimos a entrar a pés juntos sobre aquela besta do Del Piero. Incha, porco!

É assim o futebol.

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