A insustentável (in)evitabilidade da guerra
Saddam é um ditador megalomaníaco, paranóico, xenófobo, delicado mentiroso e hábil político - a constante supressão dos curdos no norte do Iraque, num genocídio à imagem de Hitler; a propaganda à sua imagem, com livros, imagens, fotografias, pinturas, a fazerem lembrar a política do "Grande Pai" de Estaline, de quem é, de resto, um confesso admirador. Um perigo para o Mundo? A própria História deve ensinar-nos que sim.
O anti-americanismo floresce por todo o Mundo, à medida que a guerra avança: os mais básicos refugiam-se na simples ideia de "eles só querem o petróleo!", os mais sofisticados recusam simplismos e conseguem encontrar até interessantes comparações entre o actual império americano e o ido apogeu romano. Já agora, para todos aqueles "básicos" que não metem um pé fora de casa sem ser de carro, e que se recusam a percorrer dois passos sem ser no automóvel: de onde julgam que vem toda essa gasolina que faz correr o(s) vosso(s) bólide(s)? E, já agora, porque é que a Administração Bush forneceu o subsídio de 1200 milhões de dólares para o desenvolvimento do carro a hidrogénio?
Não acho que esta guerra fosse de todo evitável. O próprio Saddam iria aproveitar qualquer oportunidade futura para iniciar um novo conflito do Iraque, e aí sim, a Onu, as Nações Unidas, os E.U.A., deveriam ter avançado. O Jorgito Bush poderia ter sido mais inteligente, e com uma cuidadosa diplomacia, ter convencido os restantes países do perigo iraquiano. Mas não assim, nunca assim, numa política de "ou estão connosco, ou estão contra nós". E o futuro irá mostrar-se amargo: com a guerra vencida e Saddam deposto, os fundamentalistas islâmicos deverão escalar ainda mais o poder no Médio Oriente, numa situação prevista por inúmeros analistas, e que se torna o pior pesadelo para Bush e amigos. E, já agora que o Iraque foi atacado pela inferior incapacidade militar - alguém se mete com as nucleares Coreia ou China? - o próximo passo de várias ditaduras será o de se reforçarem avidamente em armamento. Com algumas bombas nucleares no bolso, é garantida a não-interferência norte-americana. O futuro mapa geo-militar-estratégico (eu adoro estas palavras complicadas) deverá passar por um árabe caldeirão atómico, uma dividida união de países europeus, e um amedrontado continente norte-americano, perdido da sua superior capacidade militar. Será um cenário muito pessimista?