A minha Teoria Unificada
Imagina que estás a preparar-te para saires de casa rumo a mais um dia de trabalho. Estás a lavar os dentes e reparas no bocado de bacalhau que está entre dois molares desde o jantar de ontem. A escova é ineficiente e tens que usar fio dental. Como não há fio dental, tentas utilizar um bocado de fio que está pendurado da toalha. Com tudo isto perdeste um minuto a mais, e consequentemente vais perder o autocarro, esperar pelo seguinte que só chega passado meia hora, e assim acabas por ser despedido porque este mês ainda não chegaste a horas uma única vez. Assim, talvez fosse melhor não lavares os dentes de todo, mas assim irias ser atropelado ao atravessar a rua. Não, o melhor mesmo era ter comido só sopa no jantar de ontem - assim não és nem despedido nem atropelado. Mas tem o cuidado de sair mais cedo daqui a 15 dias, senão vai-te cair um pinguim de bronze em cima.
É um facto inegável que todos os pequenos pormenores das nossas vida podem ter uma influência directa no nosso futuro. Quando começamos a considerar todos os 'ses', começamos a ver como temos tido sorte. Como diz o meu amigo Alexander Russel, "se a Terra fosse amarela era uma bugiganga gigante". E tenho que acrescentar que seria uma bugiganga muito inferior a Titã, que sempre é cor de laranja. Mas de qualquer modo, se a Terra fosse amarela, provavelmente não haveria vida (excepto no Médio Oriente onde já estão habituados), pelo que não nos andávamos aqui a preocupar. Assim, o melhor mesmo é não pensarmos nos 'ses'. Olhar para trás não é uma boa ideia, especialmente quando podemos olhar pelo retrovisor.
Já pensaram como seria o Mundo hoje se há uns anos atrás o filho mimado de um político americano tivesse acordado uns 5 minutos mais tarde, um atraso suficiente para em vez de Deus encontrar Jack Daniels na mesinha de cabeceira? E com isto tudo, ainda há quem acredite que todas as consequências desta rede de acasos são o fruto de um plano divino, seja ele concebido por um velho de barbas ou a consequência directa da telenovela Olimpo, que tem a particularidade de fazer com que aconteçam coisas horríveis aos fãns dos personagens que caiem em desgraça. E ainda há os hindus, para quem todo este grandioso plano é pensado por uma assembleia de milhões de elefantes e pessoas com quatro braços, que vivem num palácio que se diz ser maior que o Norteshopping.
E que posso eu dizer da astrologia quando leio horóscopos que dizem "procure não apanhar frio para evitar constipações" ou "hoje não é uma boa ideia jogar ao sério com leões"? Se considerarmos que os nascimentos estão regularmente distribuídos - embora acredite que 90% da humanidade nasceu entre Março e Abril o que é uma chatice financeiramente - podemos ver que há 500 milhões de pessoas que hoje deverão evitar ir ao zoo ver os hipopótamos, enquanto outros 500 milhões de pessoas vão sentir fortes dores no peito depois de comerem marisco estragado.
Como podemos pensar que abrir e fechar a porta da sala três vezes antes de por o vídeo a gravar vai fazer a nossa equipa de futebol ganhar? Como podemos acreditar que se descermos as escadas de joelhos vamos ganhar alguma coisa? No entanto um ortopedista pode ganhar alguma coisa se outras pessoas descerem as escadas de joelhos, o que mostra como tudo isto está errado. Há que esquecer o misticismo. Os únicos truques de magia de eficácia comprovada ao longo da História são os de 'desligar e voltar a ligar' e o de 'mandar uma bordoada' quando se joga bilhar. Tudo o resto é mito, pois o ser humano está preso numa gigantesca rede de sorte e azar, na qual os factores externos são muitas vezes mais fortes que as nossas decisões, e em que a única coisa certa é que as alergias são uma chatice.