Quem morre vira santo?
Morreu nesta noite (6 de agosto) na cidade do Rio de Janeiro o mega-empresário Roberto Marinho. Começou sua carreira como jornalista e com os lucros do jornal que herdou de seu pai, O GLOBO, fundou a atual maior emissora de TV do Brasil, a REDE GLOBO. Até agora inúmeras homenagens foram prestadas por governadores, artistas, colunáveis e até mesmo pelo presidente da república. Todos eles curiosamente referiram-se a ele como "um inovador, um homem de garra, uma pessoa que ajudou o país a funcionar", entre outros elogios rasgados. Curiosamente eu digo porquê este homem reuniu em vida uma incontável carga de corrupção e desumanidade. Vale listar algumas:
Roberto Marinho é até hoje o maior suspeito da morte de Chatobriand, um homem que comandava a mídia brasileira na década de 50. Marinho sabia que se Chatô (como é usualmente chamado) continuasse vivo, ele não poderia chegar aonde pretendia.
Curiosamente nesta mesma época a Rede Record, o maior canal de TV até então, sofreu um misterioso incêndio que destruiu seus arquivos e suas instalações. A emissora nunca mais conseguiu recuperar a infra-estrutura original e o prestígio que suas mega-produções colhiam. Vale destacar que tanto a morte de Chatô quanto o incêndio na Record ocorreram no ano de estréia da Rede Globo. Após estes dois eventos o canal teve uma rápida e duvidosa melhora no seu quadro de patrocinadores.
Um exemplo mais recente do charlatanismo deste homem foi o caso das eleições de 1990. O atual presidente da república Luis Inácio Lula da Silva concorria o cargo com Fernando Collor de Mello, um homem até então desconhecido. Temendo um política de esquerda no poder, o canal fez propagandas inexcrupulosas em favor de Collor. Chegou-se a editar o debate em detrimento do atual presidente. O povo caiu no truque e Collor assumiu o cargo. Foi o pior presidente de todos os tempos, chegando ao extremo de confiscar o dinheiro das contas de milhões de brasileiros. Um legítimo ladrão. Óbviamente a TV Globo conseguiu abafar o caso da edição do debate. Fico curioso em imaginar o que precisaram fazer para tanto. Estes são alguns pontos da séptica vida de Roberto Marinho. Eu poderia dissertar também sobre como ele, escritor mediocre, foi capaz de ingressar na Academia Brasileira de Letras. Mas vou parar por aqui fazendo um comentário: Parce incrível, mas o presidente, o mesmo prejudicado treze anos atrás, declarou luto oficial em todo país pela "lamentável morte de um brasileiro tão benéfico para seu povo". Eu queria entender: quem morre vira santo?