'I, Robot', de Alex Proyas
Quando o filme acaba lê-se no ecrã: "Sugerido pela obra 'I, Robot', de Isaac Asimov". "Sugerido" é de facto um belo eufemismo para um filme baseado apenas na contracapa da colectânea de vários contos sobre robots. Isaac Asimov daria voltas no túmulo se soubesse que o nome do seu livro estava a ser associado a um filme que tem uma perspectiva quase oposta. 'Eu, Robot', o filme, é a típica historinha "ai que os robots tornaram-se maus e querem conquistar o mundo". Eis que aparece o Will Smith armado de piadas foleiras e as suas Converse All-Star 'Vintage 2004' para nos salvar, isto ao volante de um Audi TT sem rodas, ouvindo música na sua 'antiga mas resistente' aparelhagem JVC. E aparece a fazer o típico papel de polícia renegado que depois diz "I told you so!". E aparece (sim, está sempre a apaecer porque é difícil de matar, o homem!) noutro Audi TT sem rodas e a queixar-se de que sujou as suas Converse All-Star 'vintage 2004' - 'Eu, Robot', tem tanta publicidade à descarada que envergonharia o James Bond.
Fora isto, temos uma história com pouco sentido, com o típico final espetacular estilo Jogos Sem Fronterias - porque não basta explodir com aquilo, é preciso injectar os nanobots na esfera positrónica que, coincidência das coincidências, está no cimo de um poço gigantesco cheio de coisinhas que piscam. Temos uma direcção artística totalmente desinspirada (compare-se com o futuro em 'Minority Report' ou 'Blade Runner' - a mãe de todos os futuros). Ou seja, não temos nada. Que raio deu ao Alex Proyas (que realizou 'O Corvo' e 'Dark City')?
A TVI que fique com isto para as tardes de domingo. Só não leva uma só bolinha porque até me ri à conta do 'product placement'. Só podia ser uma piada brilhante. Nota: 1/5