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'Agente Triplo', de Eric Rohmer

Eduardo Morais 'NiceGuyEddie' — 01.09.2004

Sem conhecer outros trabalhos de Eric Rohmer, fiquei muito mal impressionado quando vi 'A Inglesa e o Duque', o anterior filme deste realizador supostamente muito importante na cinematografia europeia, pelo uso medíocre de técnicas digitais que só tornavam o filme incoerente e por uma narrativa que andava aos tombos. Daí, ter ido ver 'Agente Triplo' com as minhas reservas, procurando reforçar ou desmentir uma opinião que, disseram-me, não ficaria bem a um estudante de cinema com o meu estatuto.

Ora bem: confirmou-se. Embora não possa classificar 'Agente Triplo' como mau, não se trata de um bom filme que eu recomende. Mais uma vez temos uma perspectiva potencialmente interessante sobre um período histórico, a de um russo czarista exilado em Paris antes da Segunda Guerra Mundial, e que podia ser ou não ser espião para qualquer um dos lados que viria a estar em conflito. Embora desta vez tenhamos sido poupados à estética do CD-ROM multimédia com 10 anos - houve orçamento para uma reconstrução histórica mais séria -, temos novamente uma narrativa aos tombos e por vezes incompreensível (sintoma disto é o facto de o realizador ter incluído um epílogo em que explica algumas coisas e que sabe a 'deus ex machina'), e diálogos incrivelmente chatos - que não são diálogos de todo, mas sim longos discursos. E mais uma vez são os actores que tornam tudo um pouco mais suportável, graças aos seus bons desempenhos.

(Altas Doses de) Cafeína   © E. Morais, M. J. Ruiz, R. Duque, P. Leitão, J. Morgado & autores dos demais contributos 2000-2012