De Volta ao PUORTO
Esqueçam os empregados lisboetas arrogantes e as empregadas que fumam cigarros durante as horas de expediente. Estamos no Porto, e , por aqui esta gente não brinca , trabalha a sério; e mais ainda, regra geral estão sempre prontos a atenderem-nos com um sorriso.
São 21:30, vou ao supermercado da esquina e antes de estender o pimento para a rapariga pesar digo-lhe boa tarde. Lá em baixo já vais com muita sorte se ela murmurar qualquer coisa entre dentes, qualquer coisa que tanto pode ser boa tarde como Porco fascista. Mas, cá em cima não. Depois do meu boa tarde, a rapariga olha-me com um rasgado sorriso, para de seguida soltar uma gargalhada e dizer:
- Boa tarde?! Você deve estar um bocado trocado... já viu que horas são?
É impossível não ficar logo bem disposto com isto, sorrio de volta mas ela não dá muita importância e continua a falar alto e a bom som com a colega que está na outra ponta do supermercado (atenção: é um supermercado e não uma mercearia, portanto... grande). Riem-se muito para mim, e, apesar de não saber se estão a gozar com o lisboeta todo encasacado e com dois cachecóis (ou seja, eu) ou a serem simpáticas, eu gosto mesmo disto. Gosto mesmo desta cidade, e só vivi cá três anos. E assim é, cá estou de volta ao Porto. Porto em altura de Fantasporto.
Ora, no que toca ao campo da arte, a música já é outra, e devo confessar a música não me alegra assim tanto. Os bilhetes para o Fantas são caros. Os meus colegas cineastas que tem filmes no Fantas só recebem um mísero passe para poderem ver as sessões. Podem vocês dizer ah e tal, mas nos outros festivais também é assim mas o Fantas não é um festival qualquer. O Fantas é o único festival em Portugal que dá lucro, e acreditem, não é pouco. Cá esta o lado negro do Porto. Os gajos dos cargos de liderança: presidentes, organizadores, produtores, comissários e essa escória, (isto para não falar nos casos de corrupção dos professores da minha ex-escola) enchem-se de dinheiro, os artistas, jovens criadores e afins, esfolam-se a trabalhar e não vêem um tostão. Não há pior, ser artista no Porto é ser um cão vadio. Trabalhas que nem um cão e quando não aguentas mais vais ser vadio. Sais á noite, e acreditem esta cidade tem as melhores festas do país. As pessoas vestem-se melhor que em Lisboa, e mesmo que não se vistam como manda a lei da noite, ninguém olha de lado nem ficas à espera à porta de lugar nenhum. Mesmo nos melhores sítios quem chega primeiro entra primeiro, como deve de ser.
Para a cidade ser perfeita só falta mesmo dar um chuto no Cu do Pinto da Costa (que embora um grande Portista, é e sempre foi um péssimo Portuense) e no FDP do Rui Rio. Já agora Raptem o gordo do Mário e obriguem-no a baixar os preços do Fantasporto (ah e os estudantes de cinema não deviam pagar). É fazer o outro 25 de Abril aqui no Porto, ocupar a Casa da Música para fazer concertos à borla. Mandem os líderes para Lisboa que eu mudo-me para cá.
Sérgio Brás dAlmeida