Mandar, com tomates: autoridade
Em Portugal, não deve existir palavra que faça maior confusão na cabeça das pessoas. Para muitos é o oposto de 'liberdade', a autoridade salazarista, ou em alternativa é a autoridade estalinista para os restantes. Mas não há autoridade em democracia e num ambiente de liberdade? Quem é que nos multa quando estacionamos em cima do passeio (desde que não incomodemos), então?
Há quem explore a palavra 'autoridade' para sacar votos a velhos ignorantes, como o senhor que quer criminalizar os graffiti (tornando a simples demagogia em mentira descarada) para ter mais uns votos daqueles que atribuem aos africanos e à cultura negra todos os males da sociedade (o graffiti até é um hobby caro, bem longe de ser desempenhado por criminosos de caçadeira). A autoridade não é proibir, proibir, proibir. A autoridade é legalizar as drogas e obrigar os vendedores (ex-traficantes) a desmascararem-se e a pagar impostos. A autoridade é questionar e levar até ao fim a questão do financiamento dos partidos. A autoridade é estabelecer 'zonas vermelhas' e ter uma atitude de já que é impossível acabar com isto, põe-se ali e obriga-se a pagar os impostos como todos os outros. A autoridade é por 'bunkers' de 2 em 2km nas estradas onde pode estar um carro da polícia a filmar e à espera de perseguir alguém. Pode também não estar, mas quem sabe?
No espaço urbano, a autoridade é ter tomates e impedir que qualquer construção, lá por ser antiga (nota: 'antiga' é diferente de 'monumento') esteja a manietar o desenvolvimento da cidade. Autoridade é seguir o exemplo do barão Hossman em Paris, prolongar a Avenida da Boavista até à Baixa, rasgar outra grande avenida Norte-Sul, e obrigar a iniciativa privada (que paga as obras), nomeadamento os contrutores civis, a portarem-se bem e a fazerem uma coisa decente. No espaço rural, a autoridade é não deixar que as populações joguem ao velho desporto nacional do por o lixo no tapete do vizinho e de uma vez por todas por o lixo e tratá-lo nalgum lado (que nenhum demagogo negue a existência do lixo). A autoridade também tem uma componente internacional. A autoridade é, em vez de dar palavras de ordem a putos estúpidos e freaks de livre pensamento, dizer que se Portugal saísse dos Balcãs e da NATO estavamos bem lixados, num dia a CNN fazia de nós uns Sérvios, no dia a seguir eramos bombardeados pelos Americanos e teríamos tropas terrestres Espanholas à porta, todos a usarem urânio empobrecido. E claro, a autoridade também consiste em ter cojones para dizer aos outros que comprem os submarinos de que vão usufruir.
Em suma, a autoridade é sinónimo de governar a sério, sem tentar encantar velhos ou freaks com publicidade que parece tão rídicula como a daquele banco. Em democracia há sempre eleições onde podemos por aqueles que não gostamos no olho da rua.