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Procrastinar

Eduardo Morais — 18.01.2009

Procrastinar: Deixar para depois o que podia fazer agora. Deixar para amanhã o que podia fazer hoje. Ou já agora para a próxima semana. Ou para quando for oportuno. Ou seja, protelar, coçar os tomates, coçar o escroto, coçar a micose.

A Procrastinação é tramada, não admira que a Preguiça seja um pecado mortal. Arranja sempre uma desculpa:

Vou só acabar de ver isto que comecei ainda agora a ver na televisão. Vou é buscar um iogurte ao frigorífico. Vou só espreitar o mail. E já que estou online, o Cafeína. E o outro lado do espelho. E os meus feeds. E ainda, se a mulher da minha vida não estará entre os ‘recommended friends’ do Facebook.

Pronto. Vou trabalhar. É cuspir qualquer coisa para o Twitter e estarei pronto.

Trinta segundos depois:

Lá está a besta do vizinho a bater com a porta da rua e a falar alto nos corredores. A rua está pavimentada a ‘paralelo’, ouvem-se muito os carros. O computador faz barulho. Vou é pôr música.

Descubro que muitos dos álbuns na minha biblioteca de música não têm capa. Sinto uma necessidade imensa de corrigir este problema.

Duas horas depois:

Tenho que escrever isto no Twitter. Bem já agora deixa ir ao Facebook. E ao Cafeína. Pois é, falo muito mas devia saber algo mais sobre o John Coltrane. Wikipedia.

Quatro horas depois:

Vou definitivamente trabalhar. Maldita procrastinação! Que, pensando bem, é a mãe de todas as invenções. O tipo que inventou a fotocopiadora perdeu várias décadas da sua vida a tentar não ter que copiar coisas à mão.

Olha, boa frase. Vou é escrever no Cafeína. O trabalho pode ficar para a seguir.

Depois dos Simpsons, do jantar, e do Bruno Aleixo…

(Altas Doses de) Cafeína   © E. Morais, M. J. Ruiz, R. Duque, P. Leitão, J. Morgado & autores dos demais contributos 2000-2012