Abaixo o franchising!
Darei aqui início a uma reedição periódica de alguns dos artigos que escrevi para o Cafeína. Podem consultar os arquivos para comparar com os textos originais.
Este artigo foi inicialmente publicado a 2 de Novembro de 2000. Embora exista um certo revivalismo pasteleiro nos últimos anos – apesar da ASAE -, este continua a ser pertinente aos Domingos:
Não, não me confundam. Não estou a apelar ao holiganismo anti-globalização, a convidar a manifestações à porta de um McDonald’s. Falo de uma questão muito superior à economia mundial: a escassez de bolas de Berlim, bolos de arroz, panikes e afins.
Ora ontem andava eu pela zona da Boavista e tive dum desejo de algo… hm, misto, com massa folhada, o queijo quente quase liquefeito… um panike. Entrei num centro comercial e dirigi-me à zona da ‘alimentação’ à espera de encontrar algo tão simples. Havia McDonald’s, a Pizza Hut e até a Casa ou Companhia ou Siderugia das Sandes ou lá como se chama. Mas nada de panikes, nada que custasse menos que o triplo do referido panike misto. Não quero sandes de atum Bom Petisco com maionese Hellmans – disso tenho em casa. Não quero o BigMac. Quero um panike misto quente, daqueles que deixam queimaduras nos lábios e na língua.
Saí e passei por mais dois centros comerciais antes de conseguir o que queria num café antigo, sem clientes à excepção de um velhote e a sua aguarrás. Quando já me preparava para dar uma dentada, a dona disse que não era panike, era de fabrico caseiro. Estava frio, o queijo rijo e a massa dura esfarelava-se e deixou-me a camisola cheia daquelas migalhas irritantes que colam. Depois do que passei, soube-me pela vida. Abaixo o franchising! Morra! Pum!
