Quando for ditador I: O Calendário

Isto da Democracia é muito bonito. É o único sistema político que oferece uma relativa garantia de liberdade de expressão, de igualdade de oportunidades, e outras coisas relativamente importantes. Mas há algo que julgo bastante importante com que a Democracia não é capaz de lidar: a estupidez do Calendário Gregoriano. Acho simplesmente irritante a sequência de meses com 31, 28 ou 29, 31, 30, 31, 30, 31, 31, 30, 31, 30, 31 dias. É estúpido. E por causa dos resultantes 365 ou 366 dias, indivisíveis por 7, nunca o calendário de um ano é igual ao anterior. Estamos evidentemente perante uma conspiração da Indústria Gráfica e dos fotógrafos que receberam encomendas da Pirelli para aumentar a venda de calendários de parede, calendários de bolso, agendas e recargas para filofaxes.

Quando for ditador resolverei este importantíssimo problema, indiferente aos lobbies e à necessidade de consenso internacional no que diz respeito à medição do tempo. Implementarei ou o Calendário Fixo Internacional ou o Calendário Positivista (dependendo da proposta que me corromper mais). Treze meses de vinte e oito dias, todos certinhos com dia 1 ao Domingo, dia 2 à Segunda, etecetera. Sobram um ou, se o ano for bissexto, dois dias, mas não precisam de ocupar nem um dia de semana nem um dia do mês se ficarem para o Ano Novo. Ninguém trabalha e estamos todos de ressaca, portanto até serão benvindos um ou dois Dias Zero.

Sob o meu regime, aquela agenda de 2007 por usar não se transformaria automaticamente num bloco de notas com umas datas inconvenientes impressas em cada folha. Seria sempre uma agenda. Decretaria ainda que o 3º trimestre do ano passaria a ter 4 meses, para compensar a silly-season. E ainda conseguiria irritar certas e determinadas pessoas, pois todos os dias 13 seriam sextas-feiras. Seriam só vantagens.