Sintomas de velhice I

Dou aulas a gente que nasceu depois da Queda do Muro. No ensino superior.
Hoje dei por mim a segurar com um certo desprezo um daqueles Memory Sticks em versão mini que se usam nos telemóveis. Isto porque esse cartão apenas tinha 1GB de memória. Subitamente caiu a ficha: isso é nada mais, nada menos que o dobro que a capacidade do disco duro do meu primeiro PC, que terá custado aí para cima de uns trezentos contos em 1995. Ou cerca de 1100 disquetes do Commodore Amiga que tive anteriormente – umas três ou quatro vezes a totalidade da minha colecção, que se dividia entre disquetes com jogos pirateados em casa e disquetes com jogos pirateados e vendidos completamente à luz do dia, 500 escudos a disquete num centro comercial da Senhora da Hora. E nem vale a pena falar muito das cassetes do ZX Spectrum (tenho algumas com o mais belo stationary de sempre, de uma loja no C.C. Cedofeita – por baixo do nome do estabelecimento dizem muito simplesmente “Cópias de Jogos”).
Ou seja: será que o progresso tecnológico acelera o sentimento de velhice?
