São coisas que acontecem

O outro dia fiz trinta e três anos. Chegou-se a isto. Os trinta e três, tal como os vinte e sete, é uma daquelas idades com carga simbólica, e sendo infeliz portador de uma destas idades em 2012 terei que ser bastante cuidadoso, verificando os piscas do carro, evitando descer escadas de mãos nos bolsos, adiando para 2013 o curso de desactivação de minas anti-tanque. Isto porque seria aborrecido magoar-me gravemente e morrer, mas ser-me-ia sobretudo motivo de vergonha intolerável ter dado qualquer satisfação a pessoas supersticiosas.

Fazer trinta e três anos significa também que faz dez anos que fiz vinte e três anos. Por há muitos anos escrever este tipo de futilidades consigo agora recuperar a vaga memória de uma noite de aniversário a ver sozinho o Amores Perros em DVD, uma tecnologia então novidade para mim. Verifico que tal data foi um sábado, e interrogo-me porque é que não comemorei esse aniversário com ninguém. Ou será que saí com amigos e, não tendo registado esse facto nem em papel nem em weblog, não me recordo? De qualquer forma, persiste a sensação de que, apesar de não me lembrar do que fiz em 2002, tal dia foi ontem: uma falta de progresso.

Forço-me assim a quantificar aquilo que fiz nos últimos dez anos, aquilo que consegui, aquilo que aprendi e que experimentei, as histórias que vivi. A lista é longa e talvez seja, com excepção de algumas histórias, maçadora para qualquer outra pessoa. E ainda bem. Há progresso afinal.

Os comentários estão encerrados.