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	<title>O Procrastinador Profissional &#187; Bater Maleiro</title>
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	<description>Observações e comentários preguiçosos, por Eduardo Morais.</description>
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		<title>Da Incompletude</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Nov 2010 01:14:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Morais</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Não sou uma pessoa completa. Ou sequer, um homem completo. Durante a maior parte da minha existência, desde que me lembro, sinto-me como se padecesse de uma estranha condição que faz de mim 90% opaco. Se do outro lado a luz for suficientemente forte, será possível ver através de mim. Se assim for desejado por [...]<p><br />Ler <b><a href="http://www.cafeina.org/ed/2010/11/da-incompletude/">Da Incompletude</a></b> n'<a href="http://www.cafeina.org/ed">O Procrastinador Profissional</a>...</p>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Não sou uma pessoa completa. Ou sequer, um homem completo. Durante a maior parte da minha existência, desde que me lembro, sinto-me como se padecesse de uma estranha condição que faz de mim 90% opaco. Se do outro lado a luz for suficientemente forte, será possível ver através de mim. Se assim for desejado por quem me vê, torno-me numa percepção fantasma &#8211; desapareço, vá.</p>
<p>Existem outras metáforas que poderia utilizar para descrever este sentimento, mas esta será a melhor. Para lá deste persistente estado de alma, os diversos indicadores indicam incompletude aos mais variados níveis: fraco capital económico, apesar de nada dever; fraco capital político; fraco capital erótico; talvez algum capital cultural, mas por esse ninguém se interessa realmente. Falta-me dinheiro, falta-me poder, falta-me companhia (de diversos géneros), e portanto tenho tempo de sobra para ler. Onde quero chegar é: incompletude. No que toca a ser um <em>self-made man</em>, ainda estou a desdobrar as instruções do <em>kit</em>.</p>
<p>Mas chega de auto-comiseração: não acredito que alguma vez algum ser humano tenha sido <em>completo</em> no sentido ocidental-comercial da palavra. Buda atingiu o Nirvana, mas arruinou as finanças familiares. Atingir a Fachada, no entanto, parece que será tudo o que basta hoje em dia.</p>
<p>Assumo portanto, que nada tenho mais para oferecer que um <em>Kit de pessoa </em>ou uma personalidade liofilizada (como o seu quê de produto ACME). Terei de ser levado ao alfaiate para ajustes. Se uma mulher me demonstra acreditar &#8211; esperar &#8211; um parceiro completo (ou talvez, uma <em>solução integrada</em>, um <em>pack</em>, um <em>pronto-a-vestir</em>), desilude-me. Deixar-me-à em breve, porque haverá sempre alguém a parecer mais completo do que eu, dependendo da luz: as fachadas, regra geral, parecem opacas.</p>
<p>Mais construtivismo, abaixo os capitalismos!</p>
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		<title>Do Optimismo</title>
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		<pubDate>Sun, 01 Aug 2010 22:29:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Morais</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bater Maleiro]]></category>
		<category><![CDATA[Curtas]]></category>
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		<description><![CDATA[Passei a última semana num ídilio académico, rodeado de pessoas inteligentes e apaixonadas pelo que fazem, a discutir como mudar o mundo em pequenos passos, sempre partindo daquilo que de bom há em cada um de nós. Terminado o congresso, de regresso à vida real, deparei-me com a necessidade de ir às compras &#8211; leite, [...]<p><br />Ler <b><a href="http://www.cafeina.org/ed/2010/08/do-optimismo/">Do Optimismo</a></b> n'<a href="http://www.cafeina.org/ed">O Procrastinador Profissional</a>...</p>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Passei a última semana num ídilio académico, rodeado de pessoas inteligentes e apaixonadas pelo que fazem, a discutir como mudar o mundo em pequenos passos, sempre partindo daquilo que de bom há em cada um de nós.</p>
<p>Terminado o congresso, de regresso à vida real, deparei-me com a necessidade de ir às compras &#8211; leite, atum e batatas, Sonasol e papel higiénico, um triãngulo de Brie como pequeno luxo, esse tipo de coisas. Fui pela fresca, Domingo à noite, a um supermercado de shopping. Voltei pela VCI.</p>
<p>Suspiro. Venha é daí <a class="vt-p" href="http://www.youtube.com/watch?v=hpAMbpQ8J7g">o suave apocalipse</a>.</p>
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		<title>Lâminas</title>
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		<pubDate>Sun, 07 Feb 2010 02:21:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Morais</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Estou prestes a escrever acerca de um sonho. Um pesadelo que tive. Sei o quanto gosto que as outras pessoas me falem dos sonhos que tiveram na noite anterior, daí o aviso. Provavelmente aquilo que se seguirá é uma estupidez sem interesse. No entanto, estando eu habituado ao género vulgar de sonhos em que a [...]<p><br />Ler <b><a href="http://www.cafeina.org/ed/2010/02/laminas/">Lâminas</a></b> n'<a href="http://www.cafeina.org/ed">O Procrastinador Profissional</a>...</p>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Estou prestes a escrever acerca de um sonho. Um pesadelo que tive. Sei o quanto gosto que as outras pessoas me falem dos sonhos que tiveram na noite anterior, daí o aviso. Provavelmente aquilo que se seguirá é uma estupidez sem interesse. No entanto, estando eu habituado ao género vulgar de sonhos em que a mente faz um <em>mashup</em> de tudo aquilo que a ocupou antes de ir dormir (infelizmente com mais inclinação para tirar reportório ao Euronews do que às meninas dos concursos nocturnos), não consigo deixar de pensar na falta de subtileza deste sonho que tive há um par de noites atrás:</p>
<p>Estava naquele cinema que só conheço dos meus sonhos &#8211; aquele em que temos de subir meia dúzia de degraus para comprar as pipocas, debaixo dos néons púrpura, amarelo e azul. Julgo que é um multiplex localizado num shopping, mas na realidade não conheço nenhum cinema com tal arquitectura. É curioso como nos meus sonhos existem uma série de cenários que são reutilizados: Não é a primeira nem a segunda vez que me encontro naquele cinema. Sei que um dia ficarei assustado quando (e não <em>se</em>) o encontrar no mundo real.</p>
<p>Há detalhes que me escaparam, porque nunca tive o hábito de tirar notas quando acordo. Não sei se estava só ou acompanhado, não me rec0rdo do nome do filme &#8211; que sei que sabia. Mas recordo-me do terror. Entrei na sala, essa semelhante a várias salas Lusomundo que conheço, com secções de cadeiras separadas por corrimões azul-claro, quando o filme já tinha começado. Um <em>slasher-movie</em>, terror <em>gore</em> série B. No filme, toda a gente tinha tido os braços e as mãos substituídos por espadas, talvez por um deus sádico. Estas não eram bem espadas medievais, nem sabres, nem floretes, nem cimitarras. Eram mais uma espécie de lâmina extremamente afiada, em forma de cunha alongada, com o comprimento de um braço. Qualquer contacto físico entre pessoas resultava consequentemente em mortes horrendas: cabeças cortadas, membros decepados, troncos impecavelmente cortados ao meio com um simples abraço. Qualquer toque implicava um derramamento generoso de sangue, como naquele <em>sketch</em> em que <a href="http://www.youtube.com/watch?v=zmcrreUVBeo">os Monty Python gozam com os filmes de Sam Peckinpah</a>.</p>
<p>A crueza da metáfora aterrorizou-me. Aterrorizou-nos aos dois, o eu que dormia e o eu sonhado, que assitia, numa sala cheia por um público aparentemente indiferente, a aquele <em>gore</em> todo. Vi-me a fazer aquilo que, apesar dos péssimos filmes que já vi, nunca fiz na vida real &#8211; abandonar a sala. Acordei.</p>
<p>Sendo um idiota um pouco narcisista, senti-me talvez um pouco aliviado quando me apercebi que o meu <em>score</em> de aguentar filmes maus até ao fim continuava intacto. E interroguei-me se teria também lugar no filme dentro do sonho, e se tendo, se seria decepador ou decepado, ou ambos. Mas algo persistiu, o terror sentido perante metáforas tão cruas, óbvias e, pior que tudo, verdadeiras.</p>
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		<title>A ressaca</title>
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		<pubDate>Fri, 01 Jan 2010 20:41:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Morais</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Saí da festa de passagem de ano, eram cerca de seis e meia da manhã. Foi uma festa divertida, que infelizmente não me senti incapaz de apreciar na totalidade, traído pelo excesso de consumo de álcool, que levou a uma enorme dor de barriga (talvez pela enorme quantidade de fruta que ingeri, esquecendo-me que o [...]<p><br />Ler <b><a href="http://www.cafeina.org/ed/2010/01/a-ressaca/">A ressaca</a></b> n'<a href="http://www.cafeina.org/ed">O Procrastinador Profissional</a>...</p>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Saí da festa de passagem de ano, eram cerca de seis e meia da manhã. Foi uma festa divertida, que infelizmente não me senti incapaz de apreciar na totalidade, traído pelo excesso de consumo de álcool, que levou a uma enorme dor de barriga (talvez pela enorme quantidade de fruta que ingeri, esquecendo-me que o meu estômago não é um recipiente adequado para fazer sangria) e ao revelar da minha tendência para estados de embriaguez depressivos. O que leva a que este artigo seja patrocinado pela Coca-Cola (ainda não conheço melhor alívio para a ressaca).</p>
<p>Desci os três (ou seriam quatro?) andares de elevador, mentalizando-me para o confronto com o frio e a chuva que iria encontrar no caminho para a estação de metro. Desci depois a rua, tentando concentrar o máximo de sobriedade nos pés de forma a não escorregar na calçada &#8211; o porquê do uso do calcário em ruas íngremes da cidade do Porto sempre me ultrapassou. Passei junto do <em>stand</em> de motorizadas de onde, segundo um amigo me contou, alguém uma vez saiu sentado numa coisa de 1000cc para embater com violência num muro mesmo em frente, do outro lado da rua.</p>
<p>Não havia ninguém no caminho. Virei uma esquina, e logo a seguir outra. Vi a entrada da estação de metro, uma reconfortante luz fluorescente que sinalizava o momento em que finalmente poderia fechar o guarda-chuva. Ouvi um carro que se aproximava, conduzido pelo primeiro ser humano que encontraria em 2010 fora da festa em que estive. O primeiro Anónimo do ano. O carro buzinou e pareceu-me abrandar. Seria afinal conduzido por alguém que conheço?</p>
<p>Olhei e vi um indivíduo a fazer-me piças. Uma fracção de segundo antes de o Golf prateado acelerar para fora do meu campo de visão. Entrei na estação de metro e fechei o guarda-chuva, pensando:</p>
<p>2010 &#8211; a mesma merda.</p>
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