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	<title>O Procrastinador Profissional &#187; Cafeína</title>
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	<description>Observações e comentários preguiçosos, por Eduardo Morais.</description>
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		<title>Porque sou esquisito em relação aos cafés</title>
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		<pubDate>Sun, 28 Feb 2010 03:46:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Morais</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Apesar de achar que o panorama melhorou bastante nos últimos anos, continuo a ser esquisito relativamente aos cafés que frequento. Não há muito para rever neste artigo de 2002: Decoração: Há cafés que são verdadeiros atentados. São daqueles com espelhos na parede, cortados na diagonal, ou com todo o reportório de espelhinhos da Tuborg e [...]<p><br />Ler <b><a href="http://www.cafeina.org/ed/2010/02/porque-sou-esquisito-em-relacao-aos-cafes/">Porque sou esquisito em relação aos cafés</a></b> n'<a href="http://www.cafeina.org/ed">O Procrastinador Profissional</a>...</p>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Apesar de achar que o panorama melhorou bastante nos últimos anos, continuo a ser esquisito relativamente aos cafés que frequento. Não há muito para rever </em><a href="http://www.cafeina.org/vol1/arquivo/446"><em>neste artigo de 2002</em></a><em>:</em></p>
<p><em><img class="alignnone size-medium wp-image-250" title="Café" src="http://www.cafeina.org/ed/wp-content/uploads/2010/02/503367859_e752e12a26_b-500x318.jpg" alt="" width="500" height="318" /></em></p>
<p><strong>Decoração</strong>: Há cafés que são verdadeiros atentados. São daqueles com espelhos na parede, cortados na diagonal, ou com todo o reportório de espelhinhos da Tuborg e da Carlsberg colocado ao acaso. Apresentam mesas e cadeiras com tampos de plástico cinzento, a imitar granito, cadeiras estas que se roçam metalicamente no chão de marmorite. Costumam ter umas plantas de plástico iluminadas por luzes fluorescentes verde ou roxo. Em suma: são locais onde <em>dói</em> estar.</p>
<p><strong>Putos</strong>: Até podemos estar num café agradável, construído com gosto, mas eis que aparecem dois putos a estragar o sistema: Depois de descobrirem o ruído satisfatório de pisar com força o chão de madeira, nada os parece impedir de correr para trás e para a frente, até um deles cair e desatar aos berros. Dizem que <em>o melhor contraceptivo são os filhos dos outros</em>. É pena que os pais destes miúdos nunca tivessem presenciado tão aberrante cena num café.</p>
<p><strong>Ruídos industriais</strong>: Quantas vezes uma agradável conversa é subitamente interrompida pelo silvo metálico e ensurdecedor do jacto de uma máquina de café? E o estardalhaço que é quando começam a arrumar as chávenas, não na cozinha mas perto dos clientes, com um zelo só comparável ao de um maníaco com uma picareta numa loja da Vista Alegre? E já nem falo nas situações absolutamente bizarras, como daquela vez em que estava eu num café requintado e subitamente alguém começou a aspirar o chão, transformando o ambiente no de um consultório de um dentista. É sabido que o típico patrão tuga não paga aos empregados para que a limpeza seja feita depois do fecho, logo a culpa é sua: perdeu um cliente.</p>
<p><strong>Namorados</strong>: Existem de facto alguns cafés que são cenários de um certo romantismo e acho perfeitamente natural que possam ser frequentados por casais apaixonados. Só peço que namorem em silêncio, em vez de se pôrem na <em>comidela </em>com linguados húmidos e sonoros estilo filme americano dos anos 90 na mesa atrás de mim, enquanto eu me tento concentrar e acabar a porcaria deste artigo!</p>
<p><strong>Armantes e loucos</strong>: É verdadeiramente revoltante é o &#8216;falar alto selectivo&#8217; de gente que quer que todo o café ou bar fique a saber que conheceram pessoalmente um gajo dos Radiohead, que estiveram em Londres em 1972, ou que vão expor umas fotos sei-lá-onde. É para isso que existem os weblogs afinal. Mas piores mesmo são as &#8216;atracções turísticas&#8217; que subitamente começam a declamar poemas que não rimam aos berros ou que aproveitam a minha t-shirt para nos espetar com uma conversa indesejada, além do hálito a aguardente.</p>
<p><strong>Adultos com brinquedos</strong>: Embora eu ache útil e seja frequentemente utilizador das redes sem fios gratuitas de alguns cafés, irritam-me profundamente as pessoas que não tratam o portátil como um qualquer livro ou jornal que com elas tivessem, mas sim como um brinquedo. Chamando a antenção para a maçãzinha reluzente (ou pior, para a maçã autocolante na tampa do seu Acer), vêm filmes e metem música. Piores ainda são os grupos onde um iPhone salta de mão em mão, cada pessoa experimentando um pouquinho do milagre da tecnologia (como temo a primeira aparição pública dum iPad!). Ou aquelas pessoas que espalham os brinquedos todos (computadores, telefonee, máquinas fotográficas, leitores de MP3) sobre a mesa. Quando era miúdo os meus pais obrigavam-me a escolher um único brinquedo para levar quando saía de casa com eles. Acho que é um bom princípio.</p>
<p><strong>Horário:</strong> Sou um viciado em cafeína, e tenho a mania: não gosto de beber café feito na cafeteira, nem vou muito à bola com os Nespressos e afins. Quero o meu <em>espresso</em>,<em> </em>o meu <em>cimbalino</em>. Chateiam-me os cafés em que não existe a noção de dever cívico, de que são um serviço público essencial com a responsabilidade de administrar café a adictos como eu, faça chuva ou faça sol, seja Domingo ou Feriado, seja Natal ou Ano Novo.</p>
<p>É por isto que sou esquisito em relação aos cafés.</p>
<p><br />Ler <b><a href="http://www.cafeina.org/ed/2010/02/porque-sou-esquisito-em-relacao-aos-cafes/">Porque sou esquisito em relação aos cafés</a></b> n'<a href="http://www.cafeina.org/ed">O Procrastinador Profissional</a>...</p>
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		<title>Um estádio cheio de improbabilidades</title>
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		<pubDate>Sat, 23 Jan 2010 02:51:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Morais</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cafeína]]></category>
		<category><![CDATA[crenças]]></category>
		<category><![CDATA[mitos]]></category>

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		<description><![CDATA[Mais reciclagem, desta feita de um artigo que escrevi em Fevereiro de 2004 acerca do modo como as probabilidades nos confundem&#8230; Duvido que hoje, com a forte adopção das lâmpadas CFL, haja muitos &#8216;médiuns&#8217; a fazer previsões acerca de lâmpadas fundidas em directo na televisão: Pensem em coisas extremamente improváveis de acontecer. Digamos, algo com [...]<p><br />Ler <b><a href="http://www.cafeina.org/ed/2010/01/um-estadio-cheio-de-improbabilidades/">Um estádio cheio de improbabilidades</a></b> n'<a href="http://www.cafeina.org/ed">O Procrastinador Profissional</a>...</p>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Mais reciclagem, desta feita de um artigo <a href="http://www.cafeina.org/vol1/arquivo/634">que escrevi em Fevereiro de 2004</a> acerca do modo como as probabilidades nos confundem&#8230; Duvido que hoje, com a forte adopção das lâmpadas CFL, haja muitos &#8216;médiuns&#8217; a fazer previsões acerca de lâmpadas fundidas em directo na televisão:</em></p>
<p>Pensem em coisas extremamente improváveis de acontecer. Digamos, algo com uma probabilidade de um em um milhão de acontecer na próxima hora. Como encontrar uma nota de duzentos euros na rua, ou de levar com um vaso na cabeça. Parecem hipóteses reduzidas, mas dizem-nos que na próxima hora haverão dez felizes contemplados em Portugal, e seis mil felizes contemplados com duzentos euros no mundo (e outros tantos infelizes, com uma rachadela na cabeça). Durante as próximas 24 horas, existirão 144 mil contemplados no mundo &#8211; isto é, os Estádios da Luz, Alvalade e Dragão cheios de gente a quem aconteceu a mesma coisinha específica cuja probabilidade era de um num milhão. Pensando melhor, a hipótese de encontrar duzentos euros na rua talvez seja de um em um bilião. Mas espero bem que a de levar com objectos em queda também ande por esses lados.</p>
<p>É um exercício interessante pensarmos um pouco nas probabilidades: tanto milagre desmistificado. Dá para ver que a esmagadora maioria das pessoas não pensa. Acreditam na Sorte, uma misteriosa aura verde presente em certos sítios em que terá sido usado o spray de Piço que me dizem estar à venda no Mundo Místico. Senão como podemos compreender os cafés e agências da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa que colocam cartazes fazendo alarido dos bilhetes da lotaria premiados que aí venderam? Alguém que pense que a probabilidade de algo acontecer duas vezes seguidas no mesmo sítio é menor apenas pode fazer um entendimento desta publicidade: ir meter o Totoloto longe.</p>
<p>No livro <em>Feiticeiros e Cientistas</em> o autor Henri Broch refere um exemplo curioso: num qualquer &#8216;talk-show&#8217; fatela em França, um homem apresentando-se como médium anunciou de forma solene, com uns &#8216;abracadabras&#8217; pelo meio, que iria estoirar com as lâmpadas da sala de toda uma série de teleespectadores. Dali a momentos, começaram a chover os telefonemas, espectadores emocionados que testemunhavam o milagre e os poderes do médium. Henri Brosch demontra então através de simples matemática que, tendo em conta o tempo de vida de uma lâmpada e a audiência média do programa (em França), várias centenas de pessoas terão sido contempladas com esse milagre. E entre centenas de espectadores de telelixo há sempre meia-dúzia disposta a telefonar (ou a enviar um SMS para o rodapé) e a dar o seu testemunho emocionado.</p>
<p>Vejam-se os milagres das aparições de Cristo em manchas de humidade na parede. Quantos milhões de manchas de humidade existem nessas paredes pelo mundo fora? Durante a última semana, vi em diversas manchas de humidade o gato Sylvester, a mama da Janet Jackson e o Liedson a representar <em>Hamlet</em> (com o Beto Acosta no papel do fantasma). Mas basta que alguém com a inclinação certa imagine a Virgem Maria e está o caldo entornado! Os crentes acorrem ao local, e esperando ver uma aparição, vêm-na realmente, quando a Gestalt suprime a impressão inicial dos poucos desconfiados, secretamente com a impressão de que a mancha tinha bigode.</p>
<p>Curiosamente existe um local onde o entendimento das probabilidades é lúcido: é senso comum nos casinos esperar pelas máquinas que não dão prémios há mais tempo. Mas é precisamente nos casinos que as regras das probabilidades não se aplicam, devido à acção de misteriosas forças. Andamos todos trocados.</p>
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		<title>Procrastinar</title>
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		<pubDate>Thu, 14 Jan 2010 01:59:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Morais</dc:creator>
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		<category><![CDATA[vida real]]></category>

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		<description><![CDATA[Num verdadeiro exercício de &#8216;metaprocrastinação&#8217;, aqui fica um artigo que escrevi há quase um ano, o penúltimo da história do Cafeína. Definitivamente, o novo ano é tal como o anterior e até as minhas desculpas de 2010 são idênticas às de 2009: Procrastinar: Deixar para depois o que podia fazer agora. Deixar para amanhã o que [...]<p><br />Ler <b><a href="http://www.cafeina.org/ed/2010/01/procrastinar/">Procrastinar</a></b> n'<a href="http://www.cafeina.org/ed">O Procrastinador Profissional</a>...</p>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Num verdadeiro exercício de &#8216;metaprocrastinação&#8217;, aqui fica um artigo que escrevi há quase um ano, o <a href="http://www.cafeina.org/vol2/post/49">penúltimo da história do Cafeína</a>. Definitivamente, <a href="http://www.cafeina.org/ed/2010/01/a-ressaca/">o novo ano é tal como o anterior</a> e até as minhas desculpas de 2010 são idênticas às de 2009:</em></p>
<p><a href="http://pt.wiktionary.org/wiki/procrastinar">Procrastinar</a>: Deixar para depois o que podia fazer agora. Deixar para amanhã o que podia fazer hoje. Ou já agora para a próxima semana. Ou <em>para quando for oportuno</em>. Ou seja, <em>protelar</em>, <em>coçar os tomates</em>, <em>coçar o escroto</em>, <em>coçar a micose</em>.</p>
<p>A Procrastinação é tramada, não admira que a <em>Preguiça</em> seja um pecado mortal. Arranja sempre uma desculpa:</p>
<p>Vou só acabar de ver isto que comecei ainda agora a ver na televisão. Vou buscar um iogurte ao frigorífico. Vou só espreitar o mail. E já que estou online, o meu blog. E os meus <em>feeds</em>. E se a mulher da minha vida não estará entre os <em>recommended friends</em> do Facebook.</p>
<p>Pronto. Vou trabalhar. É cuspir qualquer coisa para o Twitter e estarei pronto.</p>
<p><em>Trinta segundos depois:</em></p>
<p>Lá está a besta do vizinho a bater com a porta da rua e a falar alto nos corredores. A rua está pavimentada a ‘paralelo’, não tenho vidros duplos e ouvem-se muito os carros que passam. O computador também faz barulho. Vou pôr música.</p>
<p>Descubro que muitos dos álbuns da minha biblioteca não têm capa. Sinto uma necessidade imensa de corrigir este problema.</p>
<p><em>Duas horas depois:</em></p>
<p>Tenho que escrever isto no Twitter. Já agora deixa ir ao Facebook. E ao blog. Pois é, <a href="http://www.cafeina.org/post/47">falo muito</a> mas devia saber algo mais sobre o John Coltrane. <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/John_Coltrane">Wikipedia</a>.</p>
<p><em>Quatro horas depois:</em></p>
<p>Vou definitivamente trabalhar. Maldita procrastinação! Que, pensando bem, é a mãe de todas as invenções. O tipo que inventou a fotocopiadora perdeu várias décadas da sua vida a tentar <em>não</em> ter que copiar coisas à mão.</p>
<p>Boa frase: vou escrevê-la no meu blog. O trabalho pode ficar para depois.</p>
<p>&#8230; dos Simpsons, do jantar, e do Bruno Aleixo…</p>
<p><br />Ler <b><a href="http://www.cafeina.org/ed/2010/01/procrastinar/">Procrastinar</a></b> n'<a href="http://www.cafeina.org/ed">O Procrastinador Profissional</a>...</p>
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		<title>Teoria Unificada</title>
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		<pubDate>Sat, 02 May 2009 01:38:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Morais</dc:creator>
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		<category><![CDATA[estupidez]]></category>
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		<description><![CDATA[Se faltam novas ideias, recicle-se material antigo. Ao repor este artigo de há seis anos atrás, que inclui a famosa referência ao tal pinguim de bronze que se viria a tornar desde em então numa private joke, provo que a minha opinião acerca da vida não mudou &#8211; é uma sucessão trágica de acontecimentos aleatórios sobre [...]<p><br />Ler <b><a href="http://www.cafeina.org/ed/2009/05/teoria-unificada/">Teoria Unificada</a></b> n'<a href="http://www.cafeina.org/ed">O Procrastinador Profissional</a>...</p>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Se faltam novas ideias, recicle-se material antigo. Ao repor <a href="http://www.cafeina.org/vol1/arquivo/551">este artigo de há seis anos atrás</a>, que inclui a famosa referência ao tal pinguim de bronze que se viria a tornar desde em então numa private joke, provo que a minha opinião acerca da vida não mudou &#8211; é uma sucessão trágica de acontecimentos aleatórios sobre os quais a nossa capacidade de intervenção é mínima. Resta-nos o amor, e o humor:</em></p>
<p>Imagina que estás a preparar-te para saires de casa rumo a mais um dia de trabalho. Estás a lavar os dentes e reparas no bocado de bacalhau que está entre dois molares desde o jantar de ontem. A escova é ineficiente e tens que usar fio dental. Como não há fio dental, tentas utilizar um bocado de fio que está pendurado da toalha. Com tudo isto perdeste um minuto a mais, e consequentemente vais perder o autocarro, esperar pelo seguinte que só chega passado meia hora, e assim acabas por ser despedido porque este mês ainda não chegaste a horas uma única vez. Assim, talvez fosse melhor não lavares os dentes de todo, mas assim irias ser atropelado ao atravessar a rua. Não, o melhor mesmo era ter comido só sopa no jantar de ontem &#8211; assim não és nem despedido nem atropelado. Mas tem o cuidado de sair mais cedo daqui a 15 dias, senão vai-te cair um <em>pinguim de bronze</em> em cima.</p>
<p>É um inegável que todos os pequenos pormenores das nossas vida podem ter uma influência directa no nosso futuro. Quando começamos a considerar todos os <em>&#8216;ses&#8217;</em>, começamos a ver como temos tido sorte. Como diz o meu amigo Alexander Russell, <em>&#8220;se a Terra fosse amarela era uma bugiganga gigante&#8221; </em>[ou, parafraseando Millôr Fernandes, se o Mohammed Ali não tivesse ganho os combates não teria sido campeão - Ed]. Tenho aliás que acrescentar que a Terra seria uma bugiganga gigante muito inferior a Titã, que sempre é um bonito cor de laranja. De qualquer modo, se a Terra fosse amarela, provavelmente não teria vida (excepto no Médio Oriente onde já estão habituados), pelo que não nos andaríamos aqui a preocupar. Assim, o melhor mesmo é não pensarmos nos <em>&#8216;ses&#8217;</em>. Olhar para trás não é uma boa ideia, especialmente quando podemos olhar pelo retrovisor.</p>
<p><span id="more-79"></span>Já pensaram como seria o Mundo hoje se há uns anos atrás [George W. Bush,] o filho mimado de um político americano tivesse num certo dia acordado uns 5 minutos mais tarde, perdendo a aparição de Jesus na sua mesinha de cabeceira, encontrando antes o Jack Daniels de sempre? E com isto tudo, ainda há quem acredite que todas as consequências desta rede de acasos são o fruto de um plano divino, seja ele concebido por um velho de barbas ou a consequência directa da telenovela Olimpo, que tem a particularidade de fazer com que aconteçam coisas horríveis aos fans dos personagens que caiem em desgraça. E ainda há os hindus, para quem todo este grandioso plano é pensado por uma assembleia de milhões de elefantes e pessoas com quatro braços, que vivem em cima de uma tartaruga ou coisa do género.</p>
<p>E que posso eu dizer da Astrologia quando leio horóscopos que dizem <em>&#8220;procure não apanhar frio para evitar constipações&#8221;</em> ou <em>&#8220;hoje não é uma boa ideia libertar os leões do zoo&#8221;</em>? Se partirmos do princípio que os nascimentos estão regularmente distribuídos &#8211; embora eu acredite que 90% da humanidade nasceu entre Março e Abril, o que com tanto aniversário é uma chatice financeiramente  - podemos ver que há 500 milhões de pessoas que hoje deverão evitar ir ao zoo ver os hipopótamos, enquanto outros 500 milhões de pessoas vão sentir fortes dores no peito depois de comerem marisco estragado.</p>
<p>Como podemos pensar que abrir e fechar a porta da sala três vezes antes de por o vídeo a gravar vai fazer a nossa equipa de futebol ganhar? Como podemos acreditar que se descermos as escadas de joelhos vamos ganhar alguma coisa? No entanto um ortopedista pode ganhar alguma coisa se outras pessoas descerem as escadas de joelhos, o que mostra como tudo isto está errado. Há que esquecer o misticismo. Os únicos truques de magia de eficácia comprovada ao longo da História são os de <em>&#8216;desligar e voltar a ligar&#8217;</em> quando está em causa um dispositivo electrónico e o de <em>&#8216;mandar uma bordoada&#8217;</em> quando estamos num jogo de bilhar. Tudo o resto é mito, pois o ser humano está preso numa gigantesca rede de sorte e azar, na qual os factores externos são muitas vezes mais fortes que as nossas decisões, e em que a única coisa certa é que as alergias são uma chatice.</p>
<p><br />Ler <b><a href="http://www.cafeina.org/ed/2009/05/teoria-unificada/">Teoria Unificada</a></b> n'<a href="http://www.cafeina.org/ed">O Procrastinador Profissional</a>...</p>
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		<title>Morte ao Príncipe Encantado</title>
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		<pubDate>Sat, 25 Apr 2009 19:34:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Morais</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cafeína]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[relações]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade]]></category>
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		<description><![CDATA[Fui hoje alertado para uma qualquer disfunção nos arquivos. Corrigi-a e espero que o site tenha voltado a funcionar como deve ser. Aproveitei para dar mais uma vista de olhos pelo meu antigo material e encontrei este belo artigo que escrevi em 2004. Admito que foi produto de uma crise de ressabiamento, mas continuo contudo [...]<p><br />Ler <b><a href="http://www.cafeina.org/ed/2009/04/morte-ao-principe-encantado/">Morte ao Príncipe Encantado</a></b> n'<a href="http://www.cafeina.org/ed">O Procrastinador Profissional</a>...</p>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Fui hoje alertado para uma qualquer disfunção nos <a href="http://www.cafeina.org/vol1">arquivos</a>. Corrigi-a e espero que o site tenha voltado a funcionar como deve ser. Aproveitei para dar mais uma vista de olhos pelo meu antigo material e encontrei <a href="http://www.cafeina.org/vol1/arquivo/668">este belo artigo que escrevi em 2004</a>. Admito que foi produto de uma crise de ressabiamento, mas continuo contudo a achá-lo cheio de verdades. Continuarei a escrever acerca deste tema mais tarde, alimentado pelos episódios que vivi nos últimos cinco anos. Não haja dúvida, cá continuo com o meu fervor revolucionário, o desejo do sangue de Príncipes, Duques, Condes, Viscondes, Marqueses, Barões, Baronetes e aristocratas diversos. Sem um real e indispensável 25 de Abril do Amor as revoluções políticas serão sempre passageiras:</em></p>
<p>Já é tarde. Três finos na mesa. Três gajos conversam descontraídamente. Subitamente, entra no bar uma mulher bonita que interrompe essa conversa, e talvez outras conversas noutras mesas. Logo atrás, estendido como se segurasse uma trela, o braço de um azeiteiro de t-shirt justa, fio de ouro, cabelo bem puxado com gel, e uma fronha que não engana ninguém &#8211; um violento com quem não nos queremos cruzar na rua. Fala-se então de outra coisa, já não do passaporte falso do Mantorras, mas sim da hipocrisia inata às mulheres, que falam de umas coisas bonitas - <em>sentimentos</em>, <em>homens sensíveis</em> &#8211; mas acabam invariavelmente por se comprometer com broncos da pior espécie. Eu descobri o culpado deste fenómeno: o cabrão do Príncipe Encantado.</p>
<p><span id="more-73"></span>Infelizmente já ouvi a história do <em>&#8220;Não é engraçado? Eu e o Fulano não temos mesmo nada a ver&#8230;&#8221;</em> demasiadas vezes na vida. A traição que as mulheres fazem aos seus <em>supostos</em> ideais de masculinidade é certamente uma regra e não uma excepção. É tiro e queda: podem ser as mulheres mais cultas e mais selectivas, mas mal apareça um bronco qualquer armado em Cavaleiro de Armadura Prateada (Mercedes, BMW, etc) com umas ténues promessas de uma vida de lazer (aquela parte dos felizes para sempre logo se vê), mesmo que o gajo tenha as palavras <em>&#8216;violência doméstica&#8217;</em> tatuadas na testa elas ficam possuídas pela programação a que foram sujeitas, vendo no putativo Azeiteiro os símbolos de um Homem Bom que trazem da infância &#8211; seja o boi do Príncipe, o cabrão do Cavaleiro ou o filho da puta do Ken que, pensam, lhes vai trazer todos os brinquedos da Barbie à escala 1:1.</p>
<p>É óbvio que isto não funciona. Anos mais tarde este Ken é daqueles que espanca a esposa com toalhas húmidas para não deixar marca, para que não pareça tão mal naquela marisqueira onde costumam ir todos os Sábados, reconhecidos pelos três gajos que mais tarde foram ao bar como <em>&#8220;aquele casal de zombies&#8221;</em>. E por mais trágicos que sejam estes fenómenos, por maior sofrimento que isto cause às mulheres, existe sempre da parte dos espectadores uma sensação de alguma justiça, a pena a ser cumprida por essa traição dos princípios professados, essa submissão fútil a mitos infantis.</p>
<p>O amor é, nas palavras de Miguel Esteves Cardoso, fodido. Também o é o poder. Logo, amor e poder não são uma boa combinação. Numa relação assimétrica (por exemplo, entre uma filósofa e um picheleiro) o poder é exercido pela pessoa que se sente inferior, com efeitos desastrosos. Quantas grandes mentes não se terão perdido em relações medíocres, incapazes de recuperar depois da inevitável ruptura? E é tão simples de entender isto &#8211; o picheleiro irá sempre ter inveja e ciúme dos amigos da filósofa, com os quais ela fala uma linguagem que ele não entende, levando-o a impedi-la de estar com esses amigos, exercendo assim poder. A filósofa pode sonhar em fazer o picheleiro tornar-se filósofo, mas isso não acontece &#8211; o complexo de inferioridade do picheleiro funciona sempre de forma destrutiva. Ou seja, no final é a filósofa que sai prejudicada, objecto constante de poder, de posse, simbolizado muito bem pelo braço que a segura na presença dos amigos filósofos, não vá ela fugir para junto dos seus.</p>
<p>Não há poder entre iguais. Não há um elemento mais fraco a tentar dominar o mais forte. Não é de admirar que as relações mais estáveis sejam entre pessoas que <em>podem</em> cooperar. Casais de advogados, de médicos, de professores, artistas, ou artistas e cientistas com interesses recíprocos. A burocrata e o arquitecto &#8211; não. O fiscal e a pintora &#8211; não. É óbvio que há lugar para excepções &#8211; pessoas com capacidade de se interessarem pelos gostos da parceira ou de a apoiar nas suas actividades &#8211; mas regra geral as assimetrias, quando visíveis aos olhos exteriores, são o ponto de partida para o veneno dos jogos de dominância.</p>
<p>Portanto abaixo a Barbie! Urge decapitar o Ken! Em suma, é preciso parar a lavagem cerebral, essa programação do subconsciente, feita para colocar a aristocracia em vantagem! Sim, Príncipes Encantados, Cavaleiros de Armadura, o Ken! Os <em>betos</em>, <em>aristocratas</em>! Os que tentam matar dois coelhos de uma só vez: ficar com as mulheres mais belas no seu mapa genético enquanto destroem grandes mentes que poderiam ameaçar a ordem patriarcal. Adicione-se uma dose de engenharia genética, e concretizar-se-à o grande sonho de muito fascista: a separação efectiva de duas raças humanas, o <em>homo sapiens rex</em>, rico, poderoso e belo (graças ao material genético adquirido); e o <em>homo sapiens servilis</em>, pobre e Neanderthal.</p>
<p>E tudo culpa do cabrão do Príncipe Encantado.</p>
<p><br />Ler <b><a href="http://www.cafeina.org/ed/2009/04/morte-ao-principe-encantado/">Morte ao Príncipe Encantado</a></b> n'<a href="http://www.cafeina.org/ed">O Procrastinador Profissional</a>...</p>
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