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Saudades de um mau veículo

Hoje vi o meu antigo carro. Estava eu parado no semáforo ao volante do mais recente, e lá estava ele – a ratazana inconfundível, com a mesma matrícula e as mesmas jantes sem tampões. Reparei que o novo dono, ou dona, lhe colocou barras de transporte de bicicletas no tejadilho. Folgo em saber que o carro que conduzi durante mais de dez anos continua a meter-se em aventuras.

É verdade que em tempos fantasiei carregá-lo de artigos pirotécnicos e empurrá-lo de uma falésia, mas a nostalgia é mesmo assim que funciona. Gostei de o ver.

A Cidade

Evidências conhecidas há muito, e às quais poucos ligaram…

Adolescente nos trintas

Perguntei à minha mãe se não teria “um prato ou coisa do género” que me pudesse ceder, de modo a eu ter um sítio fixo onde pousar a carteira e as chaves quando chego a casa. Deu-me um bonito cinzeiro em cobre, mas com uma advertência: ”Não é para começares a fumar”.

Uma verdade

Eu acrescentaria que a ‘normalidade’ não existe – é mais uma terrível fantasia. A manutenção de aparências origina os piores crimes.

Feliz Natal!


O Procrastinador deseja um Santo Natal a todos os seus leitores.


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