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	<title>O Procrastinador Profissional &#187; Escárnio e Maldizer</title>
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	<description>Observações e comentários preguiçosos, por Eduardo Morais.</description>
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		<title>Só para dizer uma coisa</title>
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		<pubDate>Sun, 30 Oct 2011 17:15:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Morais</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Estou indignado com muita coisa. Indignado com a nossa sociedade, a nossa cultura, a nossa política; com os media e a opinião pública, tanto a pop como a alternativa. Estou indignado com a minha inércia e os meus vícios. Estou indignado com os ricos, indignado com os pobres, indignado com os intelectuais e com as [...]<p><br />Ler <b><a href="http://www.cafeina.org/ed/2011/10/so-para-dizer-uma-coisa/">Só para dizer uma coisa</a></b> n'<a href="http://www.cafeina.org/ed">O Procrastinador Profissional</a>...</p>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Estou indignado com muita coisa. Indignado com a nossa sociedade, a nossa cultura, a nossa política; com os <em>media</em> e a opinião pública, tanto a <em>pop</em> como a alternativa. Estou indignado com a minha inércia e os meus vícios. Estou indignado com os ricos, indignado com os pobres, indignado com os intelectuais e com as pessoas que acham que os dinossauros eram mamíferos ou que África é o nome de um país na América austral.</p>
<p>Mas não admito que uns quaisquer aspirantes a publicitários, que ainda por cima não elegi, se julguem representantes da minha indignação. A minha indignação não requer relações públicas ou qualquer outro tipo de representação. E é orgulhosamente amadora.</p>
<p>Serei profissional noutras coisas &#8211; no ensino e nos biscates multimédia pelos quais sou pago habitualmente, na ajuda que ofereço a quem ma merece, ou na procrastinação que pratico com fervor e cuidado -, coisas com as quais espero contribuir de forma concreta para melhorar a minha vida e a das pessoas que se cruzem comigo. Mas jamais terei qualquer aspiração profissional baseada na minha indignação, e repudio quem a tenha.</p>
<p>Os 1% de indignados profissionais, que esperam salivando por tempos ainda mais difíceis que os vinguem, não me merecem mais simpatia que os 1% da elite económica que <em>crackaram</em> todo o sistema socio-económico e que ninguém parece entender que terá que ser reparado para nos pôr a salvo dessa predação. Compreende-se que os predadores e parasitas que exploram a nossa estrutura social não o queiram fazer, mas jamais estarei ao lado dos que querem resolver a questão dinamitando tudo conosco no interior (na versão <em>new-age</em> da crença de que iremos todos para o Céu); ou de umbiguistas a quem apenas interessa o engate retro-revolucionário via Facebook (que alguém por favor abra um <em>resort </em>Maio&#8217;68 ou PREC para esta gente!). Não admito que a minha indiganção seja explorada por quem revela, na sua arrogância <em>naif</em>, estar-se cagando para a complexidade do mundo e dos seus 7000 milhões de seres humanos &#8211; 7000 milhões de bocas e de sonhos, 7000 milhões de interesses e opiniões altamente contraditórios que é necessário respeitar e gerir sem que nos matemos a todos.</p>
<p>O apolítico é o melhor amigo das elites, o seu agente-duplo que nem necessita de remuneração. É de verdadeira agenda política (<em>Polis</em> &#8211; cidade &#8211; cidadania) que precisamos: no dia em que vir palavras de ordem de consequência construtiva para os 98% sairei à rua. Receio ter que esperar sentado.</p>
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		<title>Entre uma nova rocha e um novo sítio duro</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Mar 2011 23:41:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Morais</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Filosofia Barata]]></category>
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		<description><![CDATA[O meu entusiasmo pela demissão do Governo e pelas eleições que aí vêm é tão grande como o meu entusiasmo em torcer pela selecção do Canadá em curling. Tivemos e continuaremos a ter os governos que merecemos, que de qualquer modo se limitarão a administrar as prescrições de gente que não elegemos. A situação de Portugal [...]<p><br />Ler <b><a href="http://www.cafeina.org/ed/2011/03/entre-uma-nova-rocha-e-um-novo-sitio-duro/">Entre uma nova rocha e um novo sítio duro</a></b> n'<a href="http://www.cafeina.org/ed">O Procrastinador Profissional</a>...</p>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>O meu entusiasmo pela demissão do Governo e pelas eleições que aí vêm é tão grande como o meu entusiasmo em torcer pela selecção do Canadá em <em>curling</em>. Tivemos e continuaremos a ter os governos que merecemos, que de qualquer modo se limitarão a administrar as prescrições de gente que não elegemos.</p>
<p>A situação de Portugal lembra a seguinte parábola budista:</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>A man traveling across a field encountered a tiger. He fled, the tiger after him. Coming to a precipice, he caught hold of the root of a wild vine and swung himself down over the edge. The tiger sniffed at him from above. Trembling, the man looked down to where, far below, another tiger was waiting to eat him. Only the vine sustained him.</em></p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Two mice, one white and one black, little by little started to gnaw away the vine. The man saw a luscious strawberry near him. Grasping the vine with one hand, he plucked the strawberry with the other. How sweet it tasted!</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>- <a class="vt-p" href="http://www.101zenstories.com">101 Zen Stories</a>, #18</em></p>
<p>Entre uma rocha predominantemente constituída por Sílica (S) e um Sítio Duro (SD), talvez o melhor a fazer seja comer os morangos.</p>
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		<title>Passar a mão pelo pêlo</title>
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		<pubDate>Sun, 23 Jan 2011 00:18:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Morais</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Escrevo este artigo um sábado à noite. Devia ter saído e estar neste momento a beber uns copos na fria e agorafóbica noite do Porto, mas decidi-me ficar em casa devido a um certo sentido de dever; nomeadamente, a execução de um certo trabalho de cariz informático para o qual existe uma certa urgência. No [...]<p><br />Ler <b><a href="http://www.cafeina.org/ed/2011/01/passar-a-mao-pelo-pelo/">Passar a mão pelo pêlo</a></b> n'<a href="http://www.cafeina.org/ed">O Procrastinador Profissional</a>...</p>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Escrevo este artigo um sábado à noite. Devia ter saído e estar neste momento a beber uns copos na fria e agorafóbica noite do Porto, mas decidi-me ficar em casa devido a um certo sentido de dever; nomeadamente, a execução de um certo trabalho de cariz informático para o qual existe uma certa urgência. No entanto dou por mim a escrever este artigo, e a decidir-me a deixar para amanhã, e se nada melhor houver para fazer, aquilo que teria que ter feito hoje. Isto porque não gosto<em> que me passem a mão pelo pêlo</em>.</p>
<p>Abomino, aliás. Se não quero saber o quão bom é o meu trabalho antes de estar concluído, como encaixar os elogios que precedem os primeiros <em>bits</em>? <em>Ninguém dá nada a ninguém</em>, e mesmo que as palavras sejam gratuitas não deixo de associar uma mão no pêlo a <em>água no bico</em>.</p>
<p>Entendo que muitos se deixam levar por uma figurativa<em> festa no couro cabeludo</em>. A lisonja é um bom lubrificante social, o Redex Bala da micro e pequena política. Queremos ouvir palavras simpáticas acerca de nós; em troca de uma pequena massagem na auto-estima fazemos favores, confiamos. No entanto, alguns de nós têm a pele calejada &#8211; ou um cabelo estilo palha-de-aço, que dói quando lhe fazem festas com pouco jeito. A minha auto-estima depende de mim, como indica o prefixo <em>auto-</em>. Depende da minha <em>auto-</em>crítica relativamente às <em>minhas</em> acções; se falamos de trabalho, relativamente à obra feita. Uma <em>mão pelo pêlo</em> retira-me qualquer autonomia.</p>
<p>Uma vez dei por mim <em>a passar a mão pelo pêlo</em> a uma colega que achava atraente, cheio de <em>água no bico</em>. Respondeu-me que eu era livre de elogiar obras concretas, mas não me permitia que generalizasse tais elogios à pessoa. Em retrospectiva, fui foleiro e tive a resposta merecida.</p>
<p>Quando gostamos do que fazemos, não precisamos de ouvir certas merdas.</p>
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		<title>Histórias</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Nov 2009 03:34:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Morais</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Estou quase a acabar de ler Generation A do Douglas Coupland. O livro não é extraordinário, estando bastante longe de algo como o Jpod, mas fala bastante de algo que me tem ocupado os pensamentos nos últimos tempos: é que acredito que a vida é uma sucessão probabilística de acontecimentos e de momentos, e qualquer [...]<p><br />Ler <b><a href="http://www.cafeina.org/ed/2009/11/historias/">Histórias</a></b> n'<a href="http://www.cafeina.org/ed">O Procrastinador Profissional</a>...</p>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Estou quase a acabar de ler <em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Generation_A">Generation A</a></em> do <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Douglas_Coupland">Douglas Coupland</a>. O livro não é extraordinário, estando bastante longe de algo como o <em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/JPod">Jpod</a></em>, mas fala bastante de algo que me tem ocupado os pensamentos nos últimos tempos: é que acredito que a vida é uma sucessão probabilística de acontecimentos e de momentos, e qualquer coerência aparente apenas poderá ser</p>
<ol>
<li><span style="background-color: #ffffff;">fruto das probabilidades (escassas) / sorte;</span></li>
<li><span style="background-color: #ffffff;">resultado de um esforço muito deliberado (e muito pouco compensador).</span></li>
</ol>
<p>A vida não é, portanto, um filme. Ou qualquer outra forma narrativa. Uma verdadeira biografia será, na melhor das hipóteses, uma massa desinteressante pontuada por alguns momentos de interesse. As histórias da nossa vida que contamos (incluindo as que valem realmente a pena contar) são sempre relatos posteriores. Pequenas narrativas fruto de uma ordenação e reordenação do passado.</p>
<div id="attachment_181" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-181" title="'Generation A' de Douglas Coupland" src="http://www.cafeina.org/ed/wp-content/uploads/2009/11/Photo046.jpg" alt="in 'Generation A' de Douglas Coupland" width="500" height="216" /><p class="wp-caption-text">in &#39;Generation A&#39; de Douglas Coupland</p></div>
<p>Ninguém me irrita mais, portanto, que as pessoas que querem fazer o contrário, vivendo momentos escritos e planificados. Dois exemplos muito diferentes:</p>
<ol>
<li><span style="background-color: #ffffff;">A mulher que no meio de uma discussão não desfere um ataque verbal contra mim mas, pelo contrário, <em>diz uma deixa</em> (ex. <em>&#8220;Eu não estou à procura de uma relação&#8221;</em>) para ser apreciada por uma audiência invisível. Ouve: a nossa vida está aqui mesmo &#8211; não somos actores em nenhum filme francês.</span></li>
<li><span style="background-color: #ffffff;">O tipo que, enquanto eu esperava aflito no corredor do bar, snifava coca na casa de banho armado em Gordon Gekko, provavelmente usando um Andante (passe mensal dourado) para desenhar a linha na caixa do autoclismo. Enquanto me tentava abstrair das três SuperBocks na bexiga, reflecti em como ninguém estava a ver o gajo*  -  porque é que não se limita a enfiar aquela merda pelo nariz acima com o dedo?</span></li>
</ol>
<p><em>Cinematografizar</em> a vida, admito, é algo em que todos caímos. Se vou entrar num sítio, penso na forma como o George Clooney ou o Brad Pitt entram nos sítios nos <em>Ocean&#8217;s</em>. Mas parte de mim espera que no fundo ninguém repare &#8211; precisamente porque não sou nem o George Clooney nem o Brad Pitt nem, infelizmente, me pareço com algum deles. Mas existe algo de fundamentalmente nefasto neste comportamento: sinto que estou a lidar com pessoas que se referem a elas próprias na terceira pessoa, estilo <em>&#8220;o Jardel tem treinado bem e acha que o mister confia nele&#8221;.</em> Ou com alguém que, quando se lhe pede que desenhe <em>o que viu</em>, se inclui a ele próprio na desenho.</p>
<p>Os meus olhos estão aqui mesmo, na minha cabeça, e só vejo para fora.</p>
<p><span style="color: #666; font-size:0.9em; ">* Muito bem, nem eu. Mas o gajo saiu da casa de banho raiado e a fungar e juro que ouvi o que presumo ser um cartão plastificado a raspar qualquer coisa em cerâmica &#8211; mas ahah! aí o indivíduo até tinha uma audiência! Ora bolas&#8230;</span></p>
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		<title>Mais que Isto</title>
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		<pubDate>Sat, 24 Oct 2009 01:56:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Morais</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Não sou um membro da Aristocracia. Não tenho nenhum familiar que seja membro da Aristocracia. Nem Condes, nem Viscondes, nem Marqueses. Apenas uma marquise de que me envergonho. Tive, é verdade, um avô que era Maior da Aldeia, mas acontece que a aldeia em questão é realmente uma aldeia, daquelas onde o barbeiro é também [...]<p><br />Ler <b><a href="http://www.cafeina.org/ed/2009/10/mais-que-isto/">Mais que Isto</a></b> n'<a href="http://www.cafeina.org/ed">O Procrastinador Profissional</a>...</p>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Não sou um membro da Aristocracia. Não tenho nenhum familiar que seja membro da Aristocracia. Nem Condes, nem Viscondes, nem Marqueses. Apenas uma <em>marquise</em> de que me envergonho. Tive, é verdade, um avô que era Maior da Aldeia, mas acontece que a aldeia em questão é realmente uma aldeia, daquelas onde o barbeiro é também o taxista e onde não existe nem um café nem uma mercearia mas apenas somente O Comércio. O máximo de contacto que tive de facto com qualquer espécie de Aristocracia foi quando em criança fui com os meus pais visitar uns primos que eram caseiros de um Visconde que tinha uma pequena plantação de toranjas no seu palacete. Sabiam mal, as toranjas.</p>
<p>Concorri recentemente a um concurso de atribuição de subsídios do Instituto do Cinema e Audiovisual. Estando eu, pensava, em início de carreira, fui comedido na ambição. Enviei, através de uma produtora, um projecto de curta-metragem. &#8220;<em>É por aí que se começa&#8221;</em>, pensei. A resposta foi célere: Fiquei em 14º lugar a contar do fim, e levei aquilo que o produtor (aliás magnífico, e a quem agradeço ter acreditado no projecto) classificou como uma <em>injusta chapada na cara</em>:</p>
<p><em>&#8220;Parece no entanto que o argumento carece de alguma solidez, merecendo um tratamento mais cuidado, que torne mais perceptíveis algumas das motivações que conduzem e condicionam os personagens e os seus conflitos, que podiam ser melhor caracterizados, melhorando a sua consistência narrativa.&#8221;</em>, disseram. Muito bem, é uma avaliação indiscutível porque é vaga. Tão vaga de facto, que pode ser dita acerca de qualquer outro argumento. Chamemos-lhe portanto Desculpa para Indeferimento nº 27. Bem sei que o meu argumento não é perfeito. Uma vez que não será filmado, <a href="http://eduardomorais.com/downloads/ReinoCeleste-20090818.pdf">disponibilizei-o online para que qualquer um o critique</a> (PDF). N0 entanto sei o seguinte: <em>o meu projecto é melhor do que alguns aos quais serão atribuídos subsídios</em>. Como provavelmente serão também melhores muitos dos outros projectos chumbados. Basta ir a festivais e ver algumas das coisas que têm sido financiados pelo I.C.A. nos últimos anos. Mas foi contudo aquilo que se seguiu que me inflamou a razão:</p>
<p><em>&#8220;O candidato tem sobretudo curriculum académico, com alguns (poucos) trabalhos realizados, com pouca expressão em festivais nacionais e sem referências internacionais.&#8221; </em></p>
<p><em><span style="font-style: normal;">Não sendo aristocrata não sou, pelos vistos, um Cidadão. Não sou, pelo menos, cidadão de primeira categoria. Tenho o direito de voto, que utilizo desde os 18 anos. Mas àparte isso é notório que sou um Zé Ninguém. Porque não tenho o direito de tentar iniciar uma carreira. Se peço um subsídio é porque não tenho dinheiro nem recursos para fazer os tais trabalhos que possam ter expressão nos festivais nacionais e internacionais. É verdade que hoje em dia a tecnologia permite, felizmente, que vá fazendo <a href="http://www.eduardomorais.com">umas coisitas</a> nos limites das disponibilidades de amigos e dos recursos que consigo juntar. Mas há limites para o que pode ser feito quando tudo é racionado, quando a ideia depende dos meios e não o contrário. <em><span style="font-style: normal;">O comentário acima proferido pelo júri, que não acredito que seja ingénuo a ponto de ser alheio à realidade, não passará de um simples &#8220;</span>vai-te foder &#8211; f</em><em>ico aí, <a href="http://www.cafeina.org/ed/2009/06/entre-uma-rocha-e-um-sitio-duro/">entre uma rocha e um sitio duro</a>.&#8221;</em> A impossibilidade de iniciar uma carreira sem ter nome, exigindo-se que se tenha nome sem carreira é o </span><span style="font-style: normal;">&#8216;preso por ter cão&#8217; <span style="font-style: normal;">que diferencia as </span>castas<span style="font-style: normal;">.</span></span></em></p>
<p>É evidente que não tenciono desistir. Este não é o primeiro Fuck You que recebo de um júri, nem será certamente o último - há dois anos, por exemplo, escreveram que <a href="http://www.eduardomorais.com/downloads/RecibosVerdes-20070910.pdf">o meu argumento</a> (PDF) tinha<em> &#8220;um final </em><em>pouco conclusivo&#8221; </em>(em nenhuma página do regulamento existia uma referência à obrigatoriedade de ter narrativas fechadas). Todavia, chegado aos trinta anos e com cada vez mais dificuldades em mobilizar pessoas e recursos para projectos &#8216;<em>no budget&#8217;</em>, começo a temer que a minha <em>finest hour</em> já esteja para trás, despercebida, em algum (dos poucos) trabalhos realizados. Desde a adolescência que me apoiei na felicidade que conseguia extraír da criatividade como forma de compensar a infelicidade noutras áreas, mas hoje tal como para Celeste o futuro próximo é um nevoeiro cerrado. Apenas sei que a Igualdade de Oportunidades é uma mentira.</p>
<p>Quero de qualquer forma terminar por aqui a autocomiseração e o ressabiamento. <em>&#8220;Fuck Them&#8221;</em>, como diz o outro que é mais burgesso que aristocrata. Digo sempre <em>&#8220;quem quer pena que chame o Bono&#8221;</em>, e eu não gosto dos U2. Resistirei, nem que para estar entre uma rocha e um sítio duro me torne rocha eu mesmo. Sei que no final as coisas correram bem a Celeste.</p>
<p>Contudo, Celeste é uma aristocrata&#8230;</p>
<p><br />Ler <b><a href="http://www.cafeina.org/ed/2009/10/mais-que-isto/">Mais que Isto</a></b> n'<a href="http://www.cafeina.org/ed">O Procrastinador Profissional</a>...</p>
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