Filtrar por categoria: Escárnio e Maldizer

Caros senhores da CDU de Olhão

Eu não sou natural de Olhão, nem vivo em Olhão. Não sou algarvio, nem vivo no Algarve sequer. E em boa verdade, nem visito o Algarve. Passei umas férias com os meus pais ali para os lados de Lagos em 1997, e há coisa de três anos passei uma má noite de campismo selvagem entre Sagres e Portimão, antes de rumar para outra região do país. Julgo aliás que se contam pelos dedos de uma mão as vezes que atravessei o Tejo, e incluo nestas contas – não devia – uma estadia no Montijo, num dia em que houve uma chuvada tão forte que o Tejo estava literalmente à porta do hotel. É que nasci no Porto, vivo no Porto, e não viajo por aí além.

Portanto, é evidente que por mais que possa até simpatizar com a cor política (na verdade não posso dizer que simpatize muito com a cor, embora ache simpático o matiz) não tenho qualquer interesse nas propostas da coligação entre o PCP e outros gajos para a autarquia de Olhão, que é das poucas que não sei precisar lá muito no mapa (nem sei se é a barlavento ou a sotavento, e como nunca me interessei muito por sinónimos dos pontos cardeais não sei sequer o que barlavento quer dizer). Portanto:

Parem de me entupir o mail com essa merda.

Também não estou interessado nas actividades culturais do concelho, embora até ache curioso o facto da cultura de Olhão produzir e-mails à razão de dois ou três por semana enquanto a Área Metropolitana do Porto produz uma mini-revistinha trimestral. Mas de qualquer forma dispenso os e-mails, que estranhamente resistem à marcação como spam. E falam os outros de asfixia democrática…

A Fotografia é para punheteiros

Sendo eu um trabalhador intermitente com mais intermitência que trabalho, decidi que está na altura de refazer o meu portfolio. Comecei pela parte mais rasca – a minha ‘obra’ fotográfica – e passei assim a tarde de ontem a tentar escolher, entre uns milhares de fotografias, uma meia dúzia que, fruto de pura sorte, transmitissem de qualquer forma um talento bem acima das minhas reais capacidades, como é normal em qualquer portfolio. Tive no entanto sempre presente um artigo que li recentemente – Photography is for Jerkoffs. E pensei – “Amen”:

Uma fotografia sem interesse nenhum. Mas como "if you can't make it good, make it bigger", aposto que conseguia bom dinheiro com uma impressão de dois metros.
Uma fotografia sem interesse nenhum. Mas como "if you can't make it good, make it bigger", aposto que conseguia bom dinheiro com uma impressão de dois metros.

Tal como o artigo menciona, uma fotografia é apenas tão boa como aquilo que é fotografado. Ir à guerra para tirar umas fotos realmente requer tomates. Desenhar a iluminação e encenar adolescentes extremamente mimadas com o intuito de fazer delas estrelas da passerelle requer anos de prática e experiência. Mas o acto de fotografar em si é desprezível e nada vale. Recorrendo mais uma vez ao artigo, é uma questão de encontrar uma boa fonte de luz (tipo, o Sol), certificarmo-nos que ela ilumina o que queremos fotografar, e disparar – várias vezes porque uma boa foto é uma probabilidade estatística. Ou seja, tirar uma foto interessante na rua e julgarmo-nos bons fotógrafos é o mesmo que ganharmos o Euromilhões e acharmos que somos génios do mundo financeiro, apenas muito mais provável.

Continuar a ler

Aliens

A crença em aliens é provavelmente a a prova final de que a Humanidade está entregue irremediavelmente à estupidez. Não estou com isto a negar a probabilidade de existência de vida extra-terrestre, que julgo elevadíssima. Quando falo da crença em aliens falo da crença no homem verde, no E.T., no Chewbacca, na crença de que de facto andou uma betoneira gigante a abduzir pessoas em Alfena, enquanto na estrada entre Alcochete e o Montijo apareceram umas luzes fortes que vieram de Andrómeda com o único propósito de efectuar uma colonoscopia a um especialista em caixilharias.

São mais idiotas que adolescentes que ainda acreditam no Pai Natal, ou que universitários que ainda acham que os livros só dizem a verdade, aqueles que acreditam em selenitas e marcianos. O Universo é tão vasto que, embora o julgue difícil de conceber sem vida inteligente fora da Terra, estamos para todos os efeitos sozinhos no espaço. As outras civilizações, estão muito, muito longe ( o que equivale a dizer: há muito, muito tempo). Mesmo a viajar quase à velocidade da luz, um alien demoraria imenso tempo – e gastaria imensa gota – a chegar ao Burger King da A28.

É preciso p0rtanto pensar um pouco nas motivações: Podemos acreditar que os habitantes do Planeta Zyx reuniram uma boa parte do combustível nuclear do respectivo sistema solar dentro de um grande disco voador habitado por 10 mil Zyxianos, que durante 400 gerações vividas a bordo da grande nave atravessaram os 400 anos-luz de espaço interestrelar que separam Zyx da Terra, com o objectivo de retirar a unha do dedo mindilho do pé esquerdo a uma cabeleireira que seguia cerca das 21:30 ao volante do seu Opel Corsa na estrada Arouca – Vale de Cambra? E falamos nós em obras faraónicas!

A exploração espacial é muito, muito difícil. Capazes da estupidez que implicitamente os relatos de OVNIs associam aos extra-terrestres, só mesmo nós, os terráqueos.