Filtrar por categoria: Meta

Xau aí, pessoal

Decidi colocar um ponto final n’O Procrastinador Profissional, e com isto oficializar a minha reforma, perto dos quarenta, da actividade de blogueiro em português que iniciei com metade da idade e noutras paragens no longínquo ano 2000. É certo que os últimos anos foram pautados pelo sub-rendimento e por longos períodos de afastamento dos teclados, não por lesão mas por desilusão. Se na década anterior ainda conservava algum optimismo em relação à internet, hoje sinto-me quase um ludita, pois vim a convencer-me que isto da internet foi um erro. Temos acesso a uma cornucópia de conteúdo que pagámos, e bem, com vidas abaixo do nosso potencial e do nosso esforço, através da precariedade e restantes maleitas do capitalismo turbo 16 válvulas de grande eficiência, que desconfio tratarem-se de certa maneira de impostos impostos por este digital que mutou para o torto.

Deixou de me apetecer contribuir com a minha escrita. Deixou de me apetecer a produção de ‘conteúdos’. A meu ver, a internet tornou-se um local ingrato, milhões a falar para ninguém em justaposição com uma battle royale de bullying de toda a forma e feitio. Sinto que devíamos decidir, enquanto sociedade, fazer pouco, ou pelo menos fazer menos. Deixar de escrever é assim o meu contributo para o mundo que gostaria de ver.

Sei que teria coisas para dizer sobre temas sobre os quais raramente me pronunciei, como a gentrificação ou a especulação imobiliária, ou Rui Moreira e Donald Trump; assim como continuaria a ter coisas para dizer sobre temas velhos, como sobre a contínua falta de bons cafés para passar uma tarde na cidade do Porto (apesar da contínua abertura de maus cafés para passar uma tarde na cidade do Porto), ou as agruras do dating na era digital. E posso falar sobre isso com quem queira ter uma conversa comigo num desses cafés com problemas, tais como televisões, música alta, espaços com reverberação, mesas redondas, mau wifi, 1.90 euros por um abatanado, & etc., que têm aberto na cidade do Porto.

Na internet não. Xau aí, pessoal.

E assim se dá início a uma carreira a solo

Um destes dias irei fazer – e publicar – um top ten das ideias estúpidas que tive ao longo da vida. A tentativa de ressuscitar o Cafeína não irá figurar no topo – nem sequer no top five –, mas fará de qualquer forma parte dessa lista. Em 2005, aquando do primeiro final, foi mais que óbvia a razão: aquela coisa da Web 2.0, em que qualquer um tem o seu próprio weblog no Blogger, e o seu próprio fotologue no Flickr e a sua própria estupidez no YouTube. Portanto, em que é que eu estava a pensar em 2008 quando decidi tentar outra vez? Foi como se tivesse reaberto um bar da Ribeira perfeitamente consciente que a Rua Galeria de Paris é que está a dar, e ainda por cima o fizesse com cerveja cara, sem organizar festas nem concertos, oferecendo nada mais que gritaria entre os losers habituais e a possibilidade de um assalto violento no exterior.

Portanto, dou aqui início a uma carreira a solo. É verdade que tenho o If Then Else há um montão de anos, mas aquilo não conta. Este é que será o local para os meus artigos cafeinados.

Comentários fechados em E assim se dá início a uma carreira a solo in Meta Tags: ,