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	<title>O Procrastinador Profissional</title>
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	<description>Observações e comentários preguiçosos, por Eduardo Morais.</description>
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		<title>Hamburgers gourmet</title>
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		<pubDate>Thu, 10 May 2012 13:15:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Morais</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Há uns tempos fui assistir a umas palestras sobre umas coisitas de informática e programação. Tinha chegado quase no final da segunda sessão da manhã, depois de ter ignorado o despertador que tocou a tempo de eu ir assistir à primeira. Andei pelos corredores vazios do local do evento até encontrar uma mesa com alguns [...]<p><br />Ler <b><a href="http://www.cafeina.org/ed/2012/05/hamburgers-gourmet/">Hamburgers gourmet</a></b> n'<a href="http://www.cafeina.org/ed">O Procrastinador Profissional</a>...</p>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Há uns tempos fui assistir a umas palestras sobre umas coisitas de informática e programação. Tinha chegado quase no final da segunda sessão da manhã, depois de ter ignorado o despertador que tocou a tempo de eu ir assistir à primeira. Andei pelos corredores vazios do local do evento até encontrar uma mesa com alguns crachás em branco e uma esferográfica. Preenchi o meu nome, o meu <em>handle</em> do Twitter, e coloquei o crachá ao peito. Entreabri a porta do auditório e reparei que para entrar teria que passar à frente do orador, o que estaria fora de questão. Decidi investigar umas escadas e encontrei um acesso às traseiras do auditório: perfeito. Caminhando ninja, sentei-me na última fila &#8211; num assento que rangia bastante. Senti-me como sempre neste tipo de eventos, como quem chega atrasado no 1º dia numa nova escola. Procurei ver conhecidos na assistência, sem sucesso. O auditório estava cheio. Entre os presentes, apenas meia dúzia eram do sexo feminino &#8211; uma proporção ainda pior que o esperado.</p>
<p><em>Coffeebreak</em>. Hora de andar por ali perdido, a beber do Nespresso, esperando encontrar alguém conhecido que não tenha visto na sala. Hora de deambular entre grupos, esperando ouvir algo que me permita entrar numa conversa. Verifiquei a legibilidade do meu crachá, não muito boa. Hora de esperar que alguém me reconhecesse pelo nome, pelo <em>handle</em> do Twitter, que tivesse algo a dizer-me.</p>
<p>Alguém conhecido! Salvo! Salvo! Afinal não morri, não era um fantasma deambulando imperceptível entre os vivos. Existia. Reconhecem-me, logo existo.</p>
<p>Seguiu-se conversa de baixa intensidade sobre o que é que andava a fazer, o que é que a outra pessoa andava a fazer. O que seria feito de alguém que essa pessoa não via há algum tempo e que eu, pura felicidade, teria encontrado no dia anterior. O tempo. Planos sem envolvimento necessário: &#8220;Tens de aparecer  um dia destes.&#8221; Etecetera.</p>
<p>Uma das poucas mulheres presentes aproximou-se. O alguém conhecido apresentou-me:</p>
<p>- &#8220;Vou-vos apresentar. Este é o Eduardo.&#8221;</p>
<p>E vice-versa. Duplamente obrigado! Terrível a apresentar-me, a dirigir-me a estranhos, preciso destas apresentações mediadas como de pão para a boca. Foi especialmente simpático da parte da pessoa conhecida o ter-me apresentado de uma forma minimalista &#8211; nada de &#8221;este é o Eduardo. Ele é consultor de procrastinação.&#8221; Triplamente agradecido! Pôde ocorrer assim um diálogo nestes moldes entre a mulher e eu, após o alguém conhecido se ter retirado, para praticar outras boas acções:</p>
<p>- &#8220;Então o que te traz aqui?&#8221;</p>
<p>- &#8220;Sou consultor de procrastinação.&#8221;</p>
<p>Falámos sobre o que eu andava a fazer, o que ela andava a fazer. Descobrimos alguns conhecimentos comuns. Perguntou-me o que seria feito de alguém que não via há algum tempo, e que eu, pura felicidade, até encontrara no dia anterior. O tempo. Etecetera. Às tantas senti-me carente, a colar-me: agora que conhecia alguém ali não queria voltar à deambulação invisível pelos corredores onde ainda se bebia café. Esperava que também esta pessoa me apresentasse a alguém, que se constituísse um ciclo, uma cadeia de conhecimentos. Conhecem-me, logo existo. Hora de uma nova palestra. Entrámos juntos na sala, sentámo-nos em lugares afastados. Não voltámos a falar.</p>
<p>Um apresentador entusiasta mostrou <em>slides</em> sobre empreendedorismo e iniciativa. Enumerou as Seis (ou seriam Oito, ou Quarenta e Duas?) Características do Bom Empreendedor. Eu fui colocando vistos mentais nos <em>bullet points</em> apresentados, com excepção das cruzes que coloquei em <em>&#8220;Hardworking&#8221;</em> e <em>&#8220;Networker&#8221;</em>  &#8211; eu prefiro trabalhar <em>soft</em> e não domino o <em>networking</em>.</p>
<p>Almoço. Fui até um <em>shopping</em> junto do local das palestras, subi ao piso da alimentação. Aqueles hamburgers ditos &#8216;gourmet&#8217; já foram melhores, mas todas as outras lojas tinham filas grandes. O Menu Benedict inclui um acompanhamento de espinafres, dispensando-me de pedir uma salada para me iludir quanto à saúde da refeição. Esperei um pouco na fila, até chegar ao momento de pegar no tabuleiro. Aí reparei que se aproximava um grupo, quatro tipos que também estavam nas palestras, todos aparentando mais ou menos a minha idade. Nenhum tinha o crachá, mas um deles até era o gajo que tinha começado a seguir-me no Twitter vinte minutos antes, reconheci-o pela foto de perfil da notificação que recebi no mail. Olhei para estas pessoas, tentei cruzar o olhar, mas estavam absortos em conversa entre si. Era como se não estivesse lá, não existisse. Pedi o meu Menu Benedict, Médio, um Pouco de Arroz e um Pouco de Batata Frita, Coca-Cola sem Gelo, Aceita Multibanco? Palavras vincadas, com Boa Dicção, esperançosas de atrair atenção, infrutíferas. Ao receber o talão, com o tabuleiro nas mãos, apercebi-me com uma pequena dose de horror que a única mesa disponível no meu campo de visão, e por sinal ali mesmo ao lado, estava ocupada com as mochilas do grupo. Teria que ser eu a efectuar a abordagem. Coragem! Frequentámos as mesmas palestras, iríamos ingerir almoços semelhantes. Tinha todo o direito de os interromper:</p>
<p>- &#8220;Desculpem, posso sentar-me junto de vocês?&#8221;</p>
<p>Ao que um deles respondeu com qualquer coisa afirmativa do género &#8220;Ya, força&#8221; mas com a sua própria linguagem (&#8220;Ya, força&#8221; é aquilo que eu diria).</p>
<p>Sentei-me. Dali a alguns segundos eu estaria acompanhado, e que faria então? Será que iriam falar comigo? Perguntar-me sobre um <em>tweet</em> qualquer que tinha escrito? Ou tomaria eu a iniciativa, estenderia a mão, perguntar-lhes-ia os nomes, o que fazem, quais as suas paixões? Ia comendo algumas batatas fritas enquanto ponderava isto. Quando os meus companheiros de refeição se sentassem, iria praticar a coisa de dominar o <em>Networking</em>: iria estender o braço, apertar firme a mão de cada um deles, dizer o meu nome e ouvir o deles, aliando as maneiras impecáveis do Bom Empreendedor ao tratamento por &#8216;tu&#8217;, transmitindo um puro espírito democrático e egualitário. Vieramos de uma sessão sobre empreendedorismo, eles compreenderiam. Talvez algum deles tomasse a iniciativa primeiro, e eu exporia os meus projectos, descreveria as minhas aspirações, as minhas paixões. Talvez eu fosse a peça que lhes faltava no <em>puzzle</em>, talvez o meu <em>know-how </em>lhes viesse a proporcionar o realizar das suas aspirações, e vice-versa.</p>
<p>Faríamos a coisa do cartão de visita e do LinkedIn. A coisa Profissional.</p>
<p>Pousaram os tabuleiros e sentaram-se a conversar animadamente, ignorando-me.</p>
<p>Entre garfadas e goles na Coca-cola, procuraria abertas para a minha apresentação. Procurei manter o nível de coragem para o fazer, não cedendo à timidez. Aquilo que tinha que fazer estava decidido: não me levantaria da mesa sem saber algumas coisas acerca destas pessoas. Escutaria a conversa, interessadamente. Tinha pedido para ali estar e autorizaram-me: não lhes reconheceria direito à privacidade durante o repasto.</p>
<p>A conversa era irremediavalmente <em>nerd</em>, <em>nerd</em> de baixa intensidade, fácil de acompanhar, banal e desinteressante.  Trocaram alguns comentários sobre as raparigas atraentes que estavam na assistência das palestras. <em>Nerds</em> da merda, não admira que estes eventos sejam sempre umas festas da salsicha. Os gajos não sabem nada sobre mim, não receavam que eu conhecesse alguma das pessoas a quem se referiam? Que alguma delas fosse minha namorada, apenas ausente agora por ter almoço marcado em casa dos pais? Minha irmã, minha prima, a colega da faculdade por quem eu tinha uma paixoneta? A minha própria mãe foi programadora em COBOL e SQL. Que raio de cultura machista é que se desenvolveu entretanto?</p>
<p>Pensei, provavelmente estes gajos até têm namoradas, esposas. Pensei em ver se algum deles teria aliança, perdi-me a reflectir qual das opções me faria sentir melhor com a minha condição de solteiro.</p>
<p>O almoço foi decorrendo. Um dos tipos gabava-se da resistência à queda em altura do seu telemóvel. Uma aberta! Pousei os talheres, virei-me para ele. Começaria com uma boa piada para quebrar o gelo, seguir-se-ia um impecável <em>Networking</em>:</p>
<p>- &#8220;Mas nos telemóveis o dano é inversamente proporcional à altura da queda.&#8221;</p>
<p>Ninguém se riu. Continuaram a conversar, como se houvesse um embaraço a poupar-me. O tema não mudava, pelo que voltei à carga pouco depois:</p>
<p>- &#8220;Pois, mas pela minha experiência quanto menor a altura de que cai mais provável é que não volte a trabalhar.&#8221;</p>
<p>Ha. Ha.</p>
<p>Idiota que gosta de contrariar: visto. Idiota sarcástico: visto. Idiota convencido que achou que não tinham percebido a piada à primeira: visto. <em>Networker</em>: cruz.</p>
<p>O tipo que estava a falar murmurou qualquer coisa do género &#8220;o meu telemóvel é resistente&#8221; e mudou o assunto. Fiquei calado a ouvir, algum tempo depois voltei a tentar entrar na conversa com outro tipo de abordagem, com perguntas simples e utilitárias. Não tinha percebido o nome da empresa de que estavam a falar, não tinha percebido qual era a loja, etc. E volta e meia interrogava-me: quem é que tece considerações sobre terceiros junto de desconhecidos? Decidi que não queria conhecer estas pessoas. Demonstraram não ter qualquer interesse.</p>
<p>Ocorreu uma pausa na conversa.</p>
<p>- &#8220;Então, como é que vocês se chamam?&#8221;</p>
<p>Gajo, Gajo, Gajo que me tinha seguido no Twitter, Gajo. Missão cumprida, ufa! Provavelmente nunca mais voltarei a falar com estas pessoas, nunca mais as voltarei a encontrar. Duvido sequer que as reconheça. Mas missão cumprida: passara o primeiro nível do jogo de <em>networking</em> que eu próprio concebera, mesmo tendo perdido a vontade de continuar. <em>Achievement unlocked. </em>Levantei-me, não ficaria para o café, que tomei a um balcão a poucos metros de distância. Chegaria cedo à palestra da tarde, à conquista de uma tomada onde ligar o portátil. Iria embora no final, evitando o <em>coffeebreak</em>. Que se lixe o <em>networking</em>.</p>
<p>Durante a palestra, dois amigos entraram na sala pela entrada inferior, atravessando à frente do orador. Acenei efusivamente, sentaram-se a meu lado. A minha existência durante o <em>coffebreak </em>ficava assim assegurada.</p>
<p>Decidi ficar mais um pouco.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>(Este é o segundo de três episódios sobre a timidez. No <a class="vt-p" href="http://www.cafeina.org/ed/2012/05/duas-mesas/">primeiro</a> conto a história de uma gaja que me tratou por &#8216;você&#8217;.)</em></p>
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		<title>Duas mesas ao lado</title>
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		<pubDate>Mon, 07 May 2012 12:07:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Morais</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Há uns meses atrás fui ler um pouco para um café que costumo frequentar. Reparei na rapariga sentada duas mesas ao lado da minha. Ela sorriu, eu devolvi o sorriso com um ligeiro acenar. Não era a primeira vez que a encontrava nesse café, que trocávamos sorrisos e olá-tudo-bens. Como se nos conhecessemos de algum [...]<p><br />Ler <b><a href="http://www.cafeina.org/ed/2012/05/duas-mesas/">Duas mesas ao lado</a></b> n'<a href="http://www.cafeina.org/ed">O Procrastinador Profissional</a>...</p>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Há uns meses atrás fui ler um pouco para um café que costumo frequentar. Reparei na rapariga sentada duas mesas ao lado da minha. Ela sorriu, eu devolvi o sorriso com um ligeiro acenar. Não era a primeira vez que a encontrava nesse café, que trocávamos sorrisos e olá-tudo-bens. Como se nos conhecessemos de algum lado. Tinha aliás a certeza que a conhecia. Bonita, sozinha, lia e bebia chá. Eu comecei a pensar, enquanto virava inconscientemente as páginas do meu livro, criando uma ilusão de leitura concentrada:</p>
<p>Que estupidez, devia ter-lhe perguntado se me podia sentar junto dela. Afinal, conhecemo-nos.</p>
<p>Ou não?</p>
<p>Não, conheço-a, claro. Ela chama-se&#8230; esqueci-me. Mas conhecia-a daquela vez&#8230; em que&#8230;</p>
<p>Penso, penso: Quando?</p>
<p>Tenho uma memória muito fraca - enevoada, amarelada de alguma forma &#8211; de um jantar, malta a comer pratos vegetarianos, todos sentados em sofás ou em almofadas no chão de uma sala&#8230; em casa de uns amigos do Sérgio! De alguém que fazia <em>circuit-bending</em>, que tinha um Walkman transformado em gadget de fazer ruídos. Esta rapariga estava sentada em frente a mim durante o jantar! É isso, conheço-a através do Sérgio. Quando andávamos a trabalhar no <em>Peer-to-Peer.</em></p>
<p>Examinei a plausibilidade da minha memória. A favor: tal jantar terá ocorrido perto do café onde estou; o Sérgio, apesar de ser de fora, conhece toda a população da cidade do Porto &#8211; logo a rapariga duas mesas ao lado. Contra: a leve impressão que a rapariga do jantar era outra, estrangeira; a ocorrência, anos antes, de um outro jantar vegetariano na mesma zona, em casa de umas amigas da Sara; a possibilidade de ambas as memórias estarem misturadas. A rapariga que estava duas mesas ao meu lado nunca seria amiga da Sara: o seu ar era demasiado betinho. Seria amiga ou conhecida (em primeiro ou segundo grau) do Sérgio, portanto.</p>
<p>Eu queria conhecer a rapariga sentada duas mesas ao lado. Aliás, eu estava certo que já a conhecia. O que eu queria era conhecê-la <em>melhor</em>. Acabei o galão, coloquei o marcador na mesma página onde estava quando comecei a folhear o livro, levantei-me. Iria dirigir-me à rapariga, perguntar-lhe se já nos conhecíamos &#8211; aliás, não há nenhum &#8216;se&#8217; : iria perguntar-lhe <em>de onde</em> nos conhecíamos.</p>

<p>Coragem! Um café é um espaço seguro e de confraternização, a vida é curta e conhecer alguém é melhor que desconhecer! Sê adulto: vai e pergunta &#8211; quem tem boca vai a Roma! Respiração, pulsação, estável. Sorriso! Mete a língua no céu da boca, tem pensamentos agradáveis &#8211; pensa, pensa&#8230; memórias do chocolate quente da Gesto, o calor que estava no dia da final da UEFA de 2003 -, como se para a fotografia. Dois passos, falei:</p>
<p>- &#8220;Desculpa.&#8221; Desculpa de quê? &#8211; pensei. Mas a rapariga olhou para mim, pelo que continuei a falar:</p>
<p>- &#8220;Temo-nos cumprimentado e tenho quase a certeza que te conheço, mas não me consigo recordar de onde.&#8221; Quase a certeza? Quase? Grandessísimo idiota.</p>
<p>- &#8220;Er&#8230; não foste meu colega de turma em Farmácia?&#8221;</p>
<p>Não, não fui:</p>
<p>- &#8220;Não&#8230;&#8221;</p>
<p>- &#8220;Ah, desculpe!&#8221;</p>
<p>- &#8220;Mas tenho a certez&#8230;&#8221;</p>
<p>- &#8220;Desculpe!&#8221;</p>
<p>Desculpe? Virei costas e fui-me embora. Desculpe? Mas que raio de merda foi esta? Pensei na barba por fazer, como de costume aos Domingos. Estaria com mau aspecto? Desculpe? [Você] desculpe? Você?</p>
<p>Veio-me o <em>esprit d&#8217;escalier</em>. O que devia ter dito:</p>
<p>- &#8220;Não, tirei Mestrado na FEUP.&#8221; Fraco. Dar-lhe-ia o meu cartão, pedir-lhe-ia para me adicionar no LinkedIn?</p>
<p>- &#8220;Não, mas julgo que te conheço através de uns amigos. Conheces o Sérgio?&#8221; Errado. Claro que não conhece o Sérgio.</p>
<p>- &#8220;Não, mas apesar do meu aspecto pálido serei incrível na cama.&#8221; Já que o &#8216;não&#8217; estava garantido.</p>
<p>Pensei melhor. A rapariga sentada duas mesas ao lado não me deu sequer hipótese de responder para além do &#8216;não&#8217;. Interrompeu-me. Raio de mania de começar as respostas por &#8216;não&#8217;. Embora aqui fosse, de facto, &#8216;não&#8217;. Teria que ter dito:</p>
<p>- &#8220;Sim. Como te chamas?&#8221;</p>
<p>Desculpe? Você? Com o timbre de voz de quem tem um pingo de suor na testa, como se tivesse que cortar o fio vermelho, evitar o cão no cimo do monte, prevenir o Grande Massacre da Confeitaria. Desculpe? Você?</p>
<p>Quem é que confunde um colega de turma com um estranho? Serão as turmas em Farmácia assim tão grandes? Terá passado assim tanto tempo? Dava cerca de 25 anos à rapariga, poderia ter já esquecido o aspecto dos colegas?</p>
<p>Eu não estava errado. Ela estava. Deveria aliás ter pedido desculpa, não a mim, mas ao colega de turma com quem me confundiu. Ela deveria ter-lhe ligado imediatamente:</p>
<p>- &#8220;Olá, sou eu. Lembras-te de quando liguei à tua ex-namorada a dizer-lhe que entrei num café e te tinha visto a dar um beijo a outra tipa? Sou capaz de te ter confundido com outra pessoa&#8230; (ruído imperceptível no auscultador) Eu também lamento que ela te tenha atirado ácido. Desculpa.&#8221;</p>
<p>Passados todos estes meses ainda acho que conhecia a rapariga sentada duas mesas ao lado. É possível que ela tenha a minha idade e que tenhamos estado juntos nas sessões de orientação vocacional e profissional que havia durante o 9º ano. Ou algo tão obscuro como isso. Também é possível que a minha convicção seja mesmo pura ilusão, como quando passei o dia a cismar sobre de onde conheceria a rapariga gordinha mas gira com que me cruzei na minha rua, até chegar à conclusão que não a conhecia de facto, que apenas a &#8216;conhecia&#8217; por aparecer num documentário no qual trabalhei na pós-produção, em que fui responsável por garantir que a sua face teria de facto um tom cor de pele e não o tom azulado gerado pela câmara de vídeo e pela luz fluorescente.</p>
<p>A minha memória para caras é uma desgraça. No entanto, se eu conhecia a rapariga sentada duas mesas ao lado era irrelevante, devia ser irrelevante para as hipóteses de conhecimento adicional. Uma pessoa humanista, dotada de educação e espírito democrático, ciente que um café é um espaço seguro e de confraternização, sabedora de que a vida é curta e conhecer alguém é melhor que desconhecer, diria:</p>
<p>- &#8220;Ah, desculpa, não vejo bem ao longe. Sou a Francisca/Leonor/Benedita. Como te chamas? Queres sentar-te comigo? Apetece-te fazer alguma coisa?&#8221;</p>
<p>Ao que se seguiriam actividades ao estilo da sequência de montagem de uma comédia romântica, momentos de diversão como os casais nos anúncios da Vodafone e da SuperBock. O sexo seria incrível, a aprendizagem entre nós seria uma constante para a vida. Teríamos um prazer indecente em cozinhar um para o outro, seríamos saudavelmente competitivos nas tarefas domésticas e de <em>bricolage</em>. Ela respeitaria as minhas sopas vigorosas, eu toleraria o seu gosto por marisco. Apresentar-me-ia os seus amigos, seriam as melhores pessoas que já conheci. Um homem gordinho e baixinho chamado Tobias seria a alma das festas. Cláudia, a sua esposa, uma empreendedora feroz, a sócia comercial perfeita para as nossas diversas actividades e iniciativas. Tobias seria o meu padrinho de casamento e Cláudia a dama-de-honor, a cerimónia seria rápida e discreta. Teríamos um cão, Herzog, e dois gatos, Jenny Holzer e Gaspar. Partilharíamos uma horta com o casal amigo, o trabalho e os frutos da terra seriam partilhados com justiça e equidade. Teríamos três filhos, primeiro um rapaz e depois duas raparigas. Os nossos filhos e os filhos dos nossos amigos colonizariam Marte. Seríamos Adão e Eva da grande expansão estrelar.</p>
<p>Seríamos geniais como não se via desde Pierre e Marie Curie. A Matilde/Maria do Céu/Agustina descobriria a cura para o cancro e ajudar-me-ia a delinear um sistema que garantiria a paz e a prosperidade mundiais. Felizes para sempre, nós e toda a humanidade.</p>
<p>Em vez disso tratou-me por você.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>(Este é o primeiro de três episódios sobre a timidez. Nota-se que tenho andado a ler <a class="vt-p" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Dave_Eggers">Dave Eggers</a>, pelo que peço desculpa. A vocês.)</em></p>
<p><br />Ler <b><a href="http://www.cafeina.org/ed/2012/05/duas-mesas/">Duas mesas ao lado</a></b> n'<a href="http://www.cafeina.org/ed">O Procrastinador Profissional</a>...</p>
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		<title>Terra queimada</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Apr 2012 15:08:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Morais</dc:creator>
				<category><![CDATA[II Grande Depressão]]></category>
		<category><![CDATA[estupidez]]></category>
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			<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_545" class="wp-caption alignnone" style="width: 500px"><img class="size-medium wp-image-545" title="(Wikipedia)" src="http://www.cafeina.org/ed/wp-content/uploads/2012/04/VerskroeideAarde1_crop-500x287.jpg" alt="" width="500" height="287" /><figcaption class="wp-caption-text">Tropas preparam a destruição de uma casa com dinamite, durante a Guerra dos Boers.</figcaption></figure>
<p>Numa demonstração sucinta que o 25 de Abril é um <em>work in progress</em>, a Câmara Municipal do Porto voltou a despejar a Escola da Fontinha ao amanhecer do dia 26, depois da entusiástica reocupação levada a cabo no dia anterior. Desta vez tentam garantir que a Escola ficará imprópria para reocupação, destruindo a canalização, as casas de banho, e a instalaçao eléctrica. Isto só demonstra que o executivo de Rui Rio é como aqueles miúdos que preferem atirar com os seus carrinhos (de WTCC?) para o esgoto a deixar que mais alguém brinque com eles.</p>
<p>Mas brincadeiras àparte, aquilo a que se assiste é à destruição de um espaço <em>público</em> às mãos dos eleitos para defender o interesse <em>público.</em> Pode-se argumentar a suposta ilegalidade da ocupação por parte de &#8216;activistas&#8217; e moradores da zona, mas não estava de todo em causa a ocupação de uma propriedade privada. O que estava sim em causa era a dinamização de um espaço <em>público</em> devoluto. A &#8216;Es.col.a&#8217; (não sou grande fã dos pontinhos no nome) era uma verdadeira Escola. Vejam-se as actividades que estariam previstas para hoje, de acordo com o seu site:</p>
<p>- 14:00 &#8211; Laboratório de Fotografia;<br />
- 17:00 &#8211; Apoio Educativo Geral (explicações);<br />
- 18:30 &#8211; Aulas de Capoeira;<br />
- 18:30 &#8211; Hacklaviva (clube de Informática);<br />
- 18:30 &#8211; Oficina de música.</p>
<p>Além disto a Escola tinha uma cantina e várias instalações (ex. sala de computadores) para uso geral da comunidade. Como é que a Câmara pode argumentar (e terá que o fazer forçosamente, sob pena de a destruição de hoje configurar uma actividade criminal) que ao emparedar e destruir uma verdadeira Escola e Centro de Comunidade está a defender o <em>interesse público</em>? Na Escola da Fontinha morreram uma série de chavões do discurso oficial &#8211; o <em>empreendedorismo social</em>, o <em>dar à comunidade</em>, a <em>iniciativa</em>, o<em> dinamismo</em>, e a generalização venenosa em que os mais jovens e os mais pobres são uns parasitas que vivem de subsídios e nada fazem. Percebe-se que <em>empreendedorismo</em> e <em>iniciativa</em> são exclusivos de um certo tipo de gente, que não partilha.</p>
<p>Penso que existirão algumas culpas no lado de cá da barricada, na forma como o discurso sobre a Escola da Fontinha foi politizado (não venham dizer que a ocupação era &#8216;apolítica&#8217;, que isso mesmo é política), na forma como se construiu toda uma publicidade em torno de uma ocupação &#8216;especial&#8217;, quando porventura dever-se-ia ter realçado a decência elementar de um projecto como a Escola (que tal cartazes com calendários em vez de slogans?) uma vez que, mais que demonstrar uma qualquer &#8216;diferença&#8217;, um projecto destes deveria ambicionar ser a normalidade das comunidades locais.</p>
<p>Todavia, por mais importante que seja ter em atenção as percepções das pessoas não familiarizadas com o projecto de ocupação da Escola da Fontinha e desmontar a forma redutora como alguma comunicação social o apresenta (&#8216;okupas&#8217;, com aquele K nojentinho), o essencial hoje é o erro e a indecência básica do executivo de Rui Rio: no Porto, as comunidades não têm o direito de se organizar e de construir algo, o público não tem direito a utilizar positivamente o espaço público. Reenvindicando para si e para as Caridades escolhidas a dedo o exclusivo da &#8216;intervenção social&#8217;, a Câmara Municipal do Porto faz terra queimada daquilo que possa pôr em causa o dogma liberal. Faria um Rui Rio primeiro-ministro como Bashar Al-Assad e Muammar Khadafi, bombardeando as &#8216;suas&#8217; cidades quando estas não fossem do seu agrado? Que a carreira política deste senhor acabe depressa.</p>
<p><br />Ler <b><a href="http://www.cafeina.org/ed/2012/04/terra-queimada/">Terra queimada</a></b> n'<a href="http://www.cafeina.org/ed">O Procrastinador Profissional</a>...</p>
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		<title>São coisas que acontecem</title>
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		<pubDate>Sun, 08 Apr 2012 18:46:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Morais</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ed]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia Barata]]></category>
		<category><![CDATA[ideias]]></category>
		<category><![CDATA[pessoal]]></category>

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		<description><![CDATA[O outro dia fiz trinta e três anos. Chegou-se a isto. Os trinta e três, tal como os vinte e sete, é uma daquelas idades com carga simbólica, e sendo infeliz portador de uma destas idades em 2012 terei que ser bastante cuidadoso, verificando os piscas do carro, evitando descer escadas de mãos nos bolsos, [...]<p><br />Ler <b><a href="http://www.cafeina.org/ed/2012/04/coisas-que-acontecem/">São coisas que acontecem</a></b> n'<a href="http://www.cafeina.org/ed">O Procrastinador Profissional</a>...</p>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>O outro dia fiz trinta e três anos. Chegou-se a isto. Os trinta e três, tal como os vinte e sete, é uma daquelas idades com carga simbólica, e sendo infeliz portador de uma destas idades em 2012 terei que ser bastante cuidadoso, verificando os piscas do carro, evitando descer escadas de mãos nos bolsos, adiando para 2013 o curso de desactivação de minas anti-tanque. Isto porque seria aborrecido magoar-me gravemente e morrer, mas ser-me-ia sobretudo motivo de vergonha intolerável ter dado qualquer satisfação a pessoas supersticiosas.</p>
<p>Fazer trinta e três anos significa também que faz dez anos que fiz vinte e três anos. Por há muitos anos escrever este tipo de futilidades consigo agora recuperar a vaga memória de uma noite de aniversário a ver sozinho o <em>Amores Perros</em> em DVD, uma tecnologia então novidade para mim. Verifico que tal data foi um sábado, e interrogo-me porque é que não comemorei esse aniversário com ninguém. Ou será que saí com amigos e, não tendo registado esse facto nem em papel nem em weblog, não me recordo? De qualquer forma, persiste a sensação de que, apesar de não me lembrar do que fiz em 2002, tal dia foi ontem: uma falta de progresso.</p>
<p>Forço-me assim a quantificar aquilo que fiz nos últimos dez anos, aquilo que consegui, aquilo que aprendi e que experimentei, as histórias que vivi. A lista é longa e talvez seja, com excepção de algumas histórias, maçadora para qualquer outra pessoa. E ainda bem. Há progresso afinal.</p>
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		<title>Dia dos Namorados</title>
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		<pubDate>Tue, 14 Feb 2012 19:42:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Morais</dc:creator>
				<category><![CDATA[Relacionamentos]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[ideias]]></category>
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		<category><![CDATA[sociedade]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_520" class="wp-caption alignnone" style="width: 394px"><img class="size-medium wp-image-520" title="S. Valentim" src="http://www.cafeina.org/ed/wp-content/uploads/2012/02/P-11-e1329248792228-392x400.jpg" alt="" width="392" height="400" /><figcaption class="wp-caption-text">Imagem retirada <a href='http://mitchoconnell.blogspot.com/2012/02/top-100-most-strange-odd-perplexing-and.html'>daqui</a>.</figcaption></figure>
<p>Há muita gente que hoje vem dizer que o Dia de S. Valentim não existe. Afirmam que é um dia como outro qualquer, uma mera Terça-feira. Reclamam que este &#8216;dia dos namorados&#8217; é apenas uma mera invenção dos mercados capitalistas com a finalidade de aumentar as vendas de cartões, flores, chocolates, pacotes de compotas e outra doçaria, relógios, <em>gadgets</em> em cinza, vermelho ou rosa; perfumes, boxers, cuecas e <em>soutiens</em>, pacotes de &#8216;experiências&#8217; como massagens, fins de semana no Bussaco ou saltos de ravinas; dizem que é uma conspiração que visa beneficiar a hotelaria e a restauração, assim como as agências de publicidade e todos os que trabalham nas suas campanhas &#8211; equipas de produção vídeo, designers, ilustradores &amp; etc.</p>
<p>Mesmo que neguemos a realidade tangível das coisas que enumerei continua a ser difícil ignorar a efeméride. Há uma série de actividades que estão simplesmente vedadas a quem tenta passar a data de forma indiferente. Terça-feira, 14 de Fevereiro de 2012 seria um bom dia para ir com uma amiga (e a data obriga-me a frisar isso &#8211; que é apenas uma amiga) experimentar o <em>sushi</em> de um novo restaurante na Boavista, mas o Dia de S. Valentim é um péssimo dia: já não são aceites reservas, mas mesmo que fosse possível arranjar uma mesa o ambiente seria o de um romantismo imposto &#8211; e no nosso caso indesejado &#8211; pela luz de vela e por coraçõzinhos vermelhos na decoração, e a sonoridade opressora dos cochichos cautelosos das outras mesas embargaria a nossa animação e uma ou outra gargalhada mais sonora. O S. Valentim é tão real como um Sábado, um Carnaval ou um dia de ponte em Junho. Obriga-nos a fazer planos, sejam concordantes com a tradição, sejam para fugir das festividades associadas.</p>
<p>Se para um solteiro o Dia de S. Valentim é um dia opressor onde nos sentimos cidadãos de segunda nas nossas interacções com os negócios dos sectores da hotelaria, da restauração e do entretenimento, é necessário reconhecer que o dia é democrático nas ansiedades que provoca. Para quem está numa relação afectiva, o dia pode obrigar a cuidados especiais relativamente às questões das prendas, refeições, e outras actividades. É paradoxal e inoportuno que o calendário dite a obrigação de ter um dia especial, e mesmo para quem está quase certo de estar numa relação pautada pelo pragmatismo (e/ou pela negação da lógica capitalista liberal) a data não deixa de nos fazer explorar essa réstia de incerteza relativamente aos verdadeiros desejos da parceira. Este <a class="vt-p" href="http://www.xkcd.com/1016/">pânico</a> apenas poupa o Casalinho &#8211; essa criatura mítica resultante da união de dois corpos e da intersecção de duas cabeças, e que nem os outros casalinhos estimam.</p>
<p>Quanto a nós, os solteiros, àparte as já referidas dificuldades em encontrar uma atmosfera acolhedora nos restaurantes, a tradição traz-nos também um agudizar das ansiedades relativas aos afectos emergentes que possamos sentir. Basta vermos um postal de S. Valentim bem foleiro, para nos interrogarmos se não o poderíamos enviar à pessoa querida, como gesto de uma ironia confortável. Mas o considerar dessa ideia revela-nos que esse seria na realidade um gesto honesto mas desconfortável (e o postal continuaria foleiro). O Dia de S. Valentim também é um dia passado na galeria de espelhos do dilema.</p>
<p><br />Ler <b><a href="http://www.cafeina.org/ed/2012/02/dia-dos-namorados/">Dia dos Namorados</a></b> n'<a href="http://www.cafeina.org/ed">O Procrastinador Profissional</a>...</p>
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