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Paradoxos I

Vénus é um brilhante ponto branco que, por estar mais próximo do Sol do que a Terra, apenas é visível ao anoitecer e, segundo ouvi dizer, ao amanhecer. É de facto um planeta bonito, e talvez por isso baptizado com o nome da deusa romana do Amor, e apelidado de Estrela da Manhã. Já Marte é na melhor das hipóteses uma tristonha pinta cor de ferrugem no céu estrelado, e por isso baptizado com o nome do deus da Guerra. E a partir daí, e ao longo da História, toda uma mitologia se desenvolveu. As mulheres são de Venus e os homens de Marte, Vénus é um paraíso tropical povoado por amazonas, enquanto Marte é uma wasteland de canais fétidos habitada por criaturas verdes e cuja parte superior do crânio é de vidro e que nos querem matar a todos.

Transmissão de fotograma, Venera 9 (20 de Outubro de 1975)
A sonda Venera-9 ainda se aguentou mais de 50 minutos. Num sítio onde o vidro e o alumínio derretem. E onde o titânio começa a arder. Porra!

Só há um problema nisto tudo. Com a exploração espacial descobrimos que Marte é um deserto frio e inerte, talvez o sítio mais aborrecido do sistema solar. Vénus, por sua vez, é o Inferno, onde a sobrevivência da maquinaria pesada soviética se mediu em minutos. Deveriam trocar de nome? Ou não…