A Fotografia é para punheteiros
Sendo eu um trabalhador intermitente com mais intermitência que trabalho, decidi que está na altura de refazer o meu portfolio. Comecei pela parte mais rasca – a minha ‘obra’ fotográfica – e passei assim a tarde de ontem a tentar escolher, entre uns milhares de fotografias, uma meia dúzia que, fruto de pura sorte, transmitissem de qualquer forma um talento bem acima das minhas reais capacidades, como é normal em qualquer portfolio. Tive no entanto sempre presente um artigo que li recentemente – Photography is for Jerkoffs. E pensei – “Amen”:

Uma fotografia sem interesse nenhum. Mas como "if you can't make it good, make it bigger", aposto que conseguia bom dinheiro com uma impressão de dois metros.
Tal como o artigo menciona, uma fotografia é apenas tão boa como aquilo que é fotografado. Ir à guerra para tirar umas fotos realmente requer tomates. Desenhar a iluminação e encenar adolescentes extremamente mimadas com o intuito de fazer delas estrelas da passerelle requer anos de prática e experiência. Mas o acto de fotografar em si é desprezível e nada vale. Recorrendo mais uma vez ao artigo, é uma questão de encontrar uma boa fonte de luz (tipo, o Sol), certificarmo-nos que ela ilumina o que queremos fotografar, e disparar – várias vezes porque uma boa foto é uma probabilidade estatística. Ou seja, tirar uma foto interessante na rua e julgarmo-nos bons fotógrafos é o mesmo que ganharmos o Euromilhões e acharmos que somos génios do mundo financeiro, apenas muito mais provável.
