<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>O Procrastinador Profissional &#187; ideias</title>
	<atom:link href="http://www.cafeina.org/ed/tags/ideias/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://www.cafeina.org/ed</link>
	<description>Observações e comentários preguiçosos, por Eduardo Morais.</description>
	<lastBuildDate>Tue, 03 Aug 2010 23:04:57 +0000</lastBuildDate>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=3.0.1</generator>
		<item>
		<title>Receios I</title>
		<link>http://www.cafeina.org/ed/2010/05/receios-i/</link>
		<comments>http://www.cafeina.org/ed/2010/05/receios-i/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 20 May 2010 02:10:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Morais</dc:creator>
				<category><![CDATA[Curtas]]></category>
		<category><![CDATA[estupidez]]></category>
		<category><![CDATA[ideias]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.cafeina.org/ed/?p=274</guid>
		<description><![CDATA[Tenho andado tão ocupado que passo por vezes dias seguidos sem ver o Telejornal ou olhar para uma banca de jornais. E apesar de passar toda esta ocupação em frente ao computador, de mail e Facebook abertos, dou de repente por mim a pensar: &#8220;Faz tempo que não vejo o Telejornal, e se houve um [...]<p><br />Ler <b><a href="http://www.cafeina.org/ed/2010/05/receios-i/">Receios I</a></b> n'<a href="http://www.cafeina.org/ed">O Procrastinador Profissional</a>...</p>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tenho andado <a class="vt-p" href="http://www.cenar.io/">tão</a> <a class="vt-p" href="http://www.sempalco.pt/">ocupado</a> que passo por vezes dias seguidos sem ver o Telejornal ou olhar para uma banca de jornais. E apesar de passar toda esta ocupação em frente ao computador, de mail e Facebook abertos, dou de repente por mim a pensar:</p>
<blockquote><p>&#8220;Faz tempo que não vejo o Telejornal, e se houve um Golpe de Estado ou coisa do género?&#8221;</p></blockquote>
<p>E com alarme abro o site do Público ou do i*. Terei um condicionamento pavloviano relativamente às fontes de informação? Dá que pensar&#8230;</p>
<p>* E quem se lembrou de chamar i ao raio do jornal? É horrível dizer <em>&#8220;queria o i, se faz favor&#8221;</em>. Parece que temos uma censura qualquer na ponta da língua, como se na verdade dissessemos <em>&#8220;queria o Co&lt;iiiiiiiii&gt;na, se faz favor&#8221;</em>. E o nome minúsculo não é só estúpido de dizer, é estúpido de escrever. Como <a class="vt-p" href="http://en.wikipedia.org/wiki/E._E._Cummings">ee cummings</a>.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.cafeina.org/ed/2010/05/receios-i/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Da fortuna</title>
		<link>http://www.cafeina.org/ed/2010/03/fortuna/</link>
		<comments>http://www.cafeina.org/ed/2010/03/fortuna/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 07 Mar 2010 04:41:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Morais</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[ideias]]></category>
		<category><![CDATA[pessoal]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.cafeina.org/ed/?p=261</guid>
		<description><![CDATA[Descobri a weltschmerz aos 8 anos quando li, num livro de Astronomia Juvenil do Círculo de Leitores indicado para dos 9 aos 12 anos, que daqui a vários milhares de milhões de anos o Sol tornar-se-à uma estrela gigante que devorará meio Sistema Solar, a nossa Terra incluída. Perdi o sono durante meses, pois tinha [...]<p><br />Ler <b><a href="http://www.cafeina.org/ed/2010/03/fortuna/">Da fortuna</a></b> n'<a href="http://www.cafeina.org/ed">O Procrastinador Profissional</a>...</p>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Descobri a <em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Weltschmerz">weltschmerz</a></em> aos 8 anos quando li, num livro de Astronomia Juvenil do Círculo de Leitores indicado para dos 9 aos 12 anos, que daqui a vários milhares de milhões de anos o Sol tornar-se-à uma estrela gigante que devorará meio Sistema Solar, a nossa Terra incluída. Perdi o sono durante meses, pois tinha descoberto a morte (até essa idade não tinha tido qualquer morte na família), e por sinal a inevitável morte última de toda a vida na Terra. Descobriria mais tarde mas sem trauma que me recorde que na realidade essa morte total está a alguns interruptores de distância. Que menino era eu!</p>
<p>Passaram entretanto mais de duas décadas que incluiram o divórcio dos meus pais, mortes na família, desistências de cursos, negócios falhados, traições, amizades desagregadas e rejeições com diferentes graus de cortesia; vinte e poucos anos de episódios que magoaram, dos banais e cinicamente previsíveis aos mais bizarros e absurdos,<em> e dos quais ninguém, nem sequer eu próprio, tem o direito de sentir qualquer pena</em>. É nisto mesmo que viver consiste: existem acontecimentos passados que magoaram profundamente e entretanto se tornaram meras anedotas, e existem coisas que continuam a magoar, ou pelo menos a condicionar quem somos. A tristeza significa insatisfação, porque queremos uma vida de alguma forma melhor.</p>
<div id="attachment_262" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><img class="size-medium wp-image-262" title="Barco afundado" src="http://www.cafeina.org/ed/wp-content/uploads/2010/03/106242160_53db4467c7_b-500x361.jpg" alt="" width="500" height="361" /><p class="wp-caption-text">O facto de metermos água não implica que nos tenhamos atirado propositadamente contra as rochas. Na maioria dos casos, é pura má sorte.</p></div>
<p>Não me considero um exemplo de estabilidade emocional. Acordo com um <em>&#8220;f*da-se!&#8221;</em>, saio de casa com um ardor lacrimejante nos olhos, estou eufórico a meio da tarde e regresso a casa prestes (mas nunca para lá disso) a esvair-me em lágrimas por causa de qualquer coisa como a previsão do tempo. O meu retorcido estado emocional não acompanha sequer aquilo que me vai acontecendo; acompanha apenas o retorcido que eu próprio sou.</p>
<p>No entanto, nunca saberei se aquilo que eu penso acerca de mim próprio será uma boa imagem da minha estabilidade emocional. Uma amiga minha refere-se frequentemente à minha &#8216;carapaça&#8217;, &#8216;armadura&#8217;, &#8216;pele de rinoceronte&#8217;, como se de alguma forma os dramas do passado tivessem feito &#8216;calo&#8217; no meu coração e na minha mente. E surpreendo-me, de facto, pelas aparentes vulnerabilidades de pessoas próximas, pela forma como me rotulam de campeão do estoicismo. Eu conheço o meu <em>&#8220;f*da-se&#8221;</em> matinal, não existe ponta de estoicismo nele &#8211; pelo contrário, está cheio de autocomiseração (que só me começa a passar após o duche). O que prova que nestas coisas das emoções tudo é relativo, e é fácil vermos os outros como seres sem emoções pelo simples facto de que apenas sentimos as nossas. E admito que, independentemente do que sinto, não acredito no cortar de pulsos, real ou figurativo. O Menino da Lágrima é uma má pintura.</p>
<p>Não posso esquecer contudo a triste verdade: quase ninguém se interessará, independentemente da minha atitude. E falar das emoções, mesmo que positivas, raramente resultará em algo de bom.</p>
<p>Antes pelo contrário. Somos vistos como <em>falhados</em> se admitimos que por vezes falhamos. Fazemos parte de uma sociedade que adoptou os valores, a meu ver absolutamente detestáveis, de <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Ayn_Rand">Ayn Rand</a>: o valor de alguém é quantificável e mede-se pelo dinheiro que esse alguém ganhou; coisas subjectivas tais como &#8216;ser boa pessoa&#8217; de nada interessam. Perante isto, falar de sorte e azar será a desculpa dos <em>losers</em>.</p>
<p>Exceptuando tragédias que envolvam a morte ou doenças graves (e nem sempre serão motivo de excepção), na realidade somos culpabilizados pelos nossos infortúnios. Uma má colheita? Dizem-nos que foi uma má opção de investimento, <em>loser!</em> Rejeitados no amor? Dizem-nos que existe uma causa, invariavelmente nossa culpa &#8211; <em>losers</em> &#8211; seja porque não temos a cara do Brad Pitt, seja porque não temos dinheiro suficiente para cativar quem queríamos &#8211; por exemplo fazendo a plástica que nos põe a cara igual à do Brad Pitt, ou comprando uma droga que nos proporcione uma auto-estima injustificada. O que segundo a MTV é o que os <em>winners</em> fazem. E se não temos dinheiro, é nossa a culpa de não conseguir um bom emprego - <em>loser! Tu e os restantes 10% de desempregados, os estagiários e os precários! </em>Sendo evidente o facto de que é estatísticamente impossível todos sermos machos alfa, bonitos e ricos, somos não obstante culpados de não o sermos, e marginalizados se não o desejarmos.</p>
<p><em> </em>Aboliu-se a distinção vital entre os binómios sorte &#8211; azar e mérito &#8211; demérito; muitos livros de Gestão dizem-nos que somos nós que temos que estar preparados para ter sorte, responsabilizando-nos por ela. Esta ligação entre sorte e mérito cria personalidades monstruosas quando a humildade é posta de parte &#8211; pessoas hiperdefensivas com sorte e sem mérito, <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Solipsism">solipsistas</a> com sorte e com mérito. E a humildade é, dizem-nos, coisa de <em>losers</em>.</p>
<p><em> </em><a href="http://www.ted.com/talks/alain_de_botton_a_kinder_gentler_philosophy_of_success.html">Alain de Botton explica melhor</a>.</p>
<p>Restam os verdadeiros amigos. Os que nos ouvem e querem ouvir. E nos concedem que tivemos má sorte.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.cafeina.org/ed/2010/03/fortuna/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Porque sou esquisito em relação aos cafés</title>
		<link>http://www.cafeina.org/ed/2010/02/porque-sou-esquisito-em-relacao-aos-cafes/</link>
		<comments>http://www.cafeina.org/ed/2010/02/porque-sou-esquisito-em-relacao-aos-cafes/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 28 Feb 2010 03:46:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Morais</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cafeína]]></category>
		<category><![CDATA[ideias]]></category>
		<category><![CDATA[porto]]></category>
		<category><![CDATA[sítios]]></category>
		<category><![CDATA[vida real]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.cafeina.org/ed/?p=249</guid>
		<description><![CDATA[Apesar de achar que o panorama melhorou bastante nos últimos anos, continuo a ser esquisito relativamente aos cafés que frequento. Não há muito para rever neste artigo de 2002: Decoração: Há cafés que são verdadeiros atentados. São daqueles com espelhos na parede, cortados na diagonal, ou com todo o reportório de espelhinhos da Tuborg e [...]<p><br />Ler <b><a href="http://www.cafeina.org/ed/2010/02/porque-sou-esquisito-em-relacao-aos-cafes/">Porque sou esquisito em relação aos cafés</a></b> n'<a href="http://www.cafeina.org/ed">O Procrastinador Profissional</a>...</p>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Apesar de achar que o panorama melhorou bastante nos últimos anos, continuo a ser esquisito relativamente aos cafés que frequento. Não há muito para rever </em><a href="http://www.cafeina.org/vol1/arquivo/446"><em>neste artigo de 2002</em></a><em>:</em></p>
<p><em><img class="alignnone size-medium wp-image-250" title="Café" src="http://www.cafeina.org/ed/wp-content/uploads/2010/02/503367859_e752e12a26_b-500x318.jpg" alt="" width="500" height="318" /></em></p>
<p><strong>Decoração</strong>: Há cafés que são verdadeiros atentados. São daqueles com espelhos na parede, cortados na diagonal, ou com todo o reportório de espelhinhos da Tuborg e da Carlsberg colocado ao acaso. Apresentam mesas e cadeiras com tampos de plástico cinzento, a imitar granito, cadeiras estas que se roçam metalicamente no chão de marmorite. Costumam ter umas plantas de plástico iluminadas por luzes fluorescentes verde ou roxo. Em suma: são locais onde <em>dói</em> estar.</p>
<p><strong>Putos</strong>: Até podemos estar num café agradável, construído com gosto, mas eis que aparecem dois putos a estragar o sistema: Depois de descobrirem o ruído satisfatório de pisar com força o chão de madeira, nada os parece impedir de correr para trás e para a frente, até um deles cair e desatar aos berros. Dizem que <em>o melhor contraceptivo são os filhos dos outros</em>. É pena que os pais destes miúdos nunca tivessem presenciado tão aberrante cena num café.</p>
<p><strong>Ruídos industriais</strong>: Quantas vezes uma agradável conversa é subitamente interrompida pelo silvo metálico e ensurdecedor do jacto de uma máquina de café? E o estardalhaço que é quando começam a arrumar as chávenas, não na cozinha mas perto dos clientes, com um zelo só comparável ao de um maníaco com uma picareta numa loja da Vista Alegre? E já nem falo nas situações absolutamente bizarras, como daquela vez em que estava eu num café requintado e subitamente alguém começou a aspirar o chão, transformando o ambiente no de um consultório de um dentista. É sabido que o típico patrão tuga não paga aos empregados para que a limpeza seja feita depois do fecho, logo a culpa é sua: perdeu um cliente.</p>
<p><strong>Namorados</strong>: Existem de facto alguns cafés que são cenários de um certo romantismo e acho perfeitamente natural que possam ser frequentados por casais apaixonados. Só peço que namorem em silêncio, em vez de se pôrem na <em>comidela </em>com linguados húmidos e sonoros estilo filme americano dos anos 90 na mesa atrás de mim, enquanto eu me tento concentrar e acabar a porcaria deste artigo!</p>
<p><strong>Armantes e loucos</strong>: É verdadeiramente revoltante é o &#8216;falar alto selectivo&#8217; de gente que quer que todo o café ou bar fique a saber que conheceram pessoalmente um gajo dos Radiohead, que estiveram em Londres em 1972, ou que vão expor umas fotos sei-lá-onde. É para isso que existem os weblogs afinal. Mas piores mesmo são as &#8216;atracções turísticas&#8217; que subitamente começam a declamar poemas que não rimam aos berros ou que aproveitam a minha t-shirt para nos espetar com uma conversa indesejada, além do hálito a aguardente.</p>
<p><strong>Adultos com brinquedos</strong>: Embora eu ache útil e seja frequentemente utilizador das redes sem fios gratuitas de alguns cafés, irritam-me profundamente as pessoas que não tratam o portátil como um qualquer livro ou jornal que com elas tivessem, mas sim como um brinquedo. Chamando a antenção para a maçãzinha reluzente (ou pior, para a maçã autocolante na tampa do seu Acer), vêm filmes e metem música. Piores ainda são os grupos onde um iPhone salta de mão em mão, cada pessoa experimentando um pouquinho do milagre da tecnologia (como temo a primeira aparição pública dum iPad!). Ou aquelas pessoas que espalham os brinquedos todos (computadores, telefonee, máquinas fotográficas, leitores de MP3) sobre a mesa. Quando era miúdo os meus pais obrigavam-me a escolher um único brinquedo para levar quando saía de casa com eles. Acho que é um bom princípio.</p>
<p><strong>Horário:</strong> Sou um viciado em cafeína, e tenho a mania: não gosto de beber café feito na cafeteira, nem vou muito à bola com os Nespressos e afins. Quero o meu <em>espresso</em>,<em> </em>o meu <em>cimbalino</em>. Chateiam-me os cafés em que não existe a noção de dever cívico, de que são um serviço público essencial com a responsabilidade de administrar café a adictos como eu, faça chuva ou faça sol, seja Domingo ou Feriado, seja Natal ou Ano Novo.</p>
<p>É por isto que sou esquisito em relação aos cafés.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.cafeina.org/ed/2010/02/porque-sou-esquisito-em-relacao-aos-cafes/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Lâminas</title>
		<link>http://www.cafeina.org/ed/2010/02/laminas/</link>
		<comments>http://www.cafeina.org/ed/2010/02/laminas/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 07 Feb 2010 02:21:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Morais</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bater Maleiro]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[ideias]]></category>
		<category><![CDATA[pessoal]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.cafeina.org/ed/?p=244</guid>
		<description><![CDATA[Estou prestes a escrever acerca de um sonho. Um pesadelo que tive. Sei o quanto gosto que as outras pessoas me falem dos sonhos que tiveram na noite anterior, daí o aviso. Provavelmente aquilo que se seguirá é uma estupidez sem interesse. No entanto, estando eu habituado ao género vulgar de sonhos em que a [...]<p><br />Ler <b><a href="http://www.cafeina.org/ed/2010/02/laminas/">Lâminas</a></b> n'<a href="http://www.cafeina.org/ed">O Procrastinador Profissional</a>...</p>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Estou prestes a escrever acerca de um sonho. Um pesadelo que tive. Sei o quanto gosto que as outras pessoas me falem dos sonhos que tiveram na noite anterior, daí o aviso. Provavelmente aquilo que se seguirá é uma estupidez sem interesse. No entanto, estando eu habituado ao género vulgar de sonhos em que a mente faz um <em>mashup</em> de tudo aquilo que a ocupou antes de ir dormir (infelizmente com mais inclinação para tirar reportório ao Euronews do que às meninas dos concursos nocturnos), não consigo deixar de pensar na falta de subtileza deste sonho que tive há um par de noites atrás:</p>
<p>Estava naquele cinema que só conheço dos meus sonhos &#8211; aquele em que temos de subir meia dúzia de degraus para comprar as pipocas, debaixo dos néons púrpura, amarelo e azul. Julgo que é um multiplex localizado num shopping, mas na realidade não conheço nenhum cinema com tal arquitectura. É curioso como nos meus sonhos existem uma série de cenários que são reutilizados: Não é a primeira nem a segunda vez que me encontro naquele cinema. Sei que um dia ficarei assustado quando (e não <em>se</em>) o encontrar no mundo real.</p>
<p>Há detalhes que me escaparam, porque nunca tive o hábito de tirar notas quando acordo. Não sei se estava só ou acompanhado, não me rec0rdo do nome do filme &#8211; que sei que sabia. Mas recordo-me do terror. Entrei na sala, essa semelhante a várias salas Lusomundo que conheço, com secções de cadeiras separadas por corrimões azul-claro, quando o filme já tinha começado. Um <em>slasher-movie</em>, terror <em>gore</em> série B. No filme, toda a gente tinha tido os braços e as mãos substituídos por espadas, talvez por um deus sádico. Estas não eram bem espadas medievais, nem sabres, nem floretes, nem cimitarras. Eram mais uma espécie de lâmina extremamente afiada, em forma de cunha alongada, com o comprimento de um braço. Qualquer contacto físico entre pessoas resultava consequentemente em mortes horrendas: cabeças cortadas, membros decepados, troncos impecavelmente cortados ao meio com um simples abraço. Qualquer toque implicava um derramamento generoso de sangue, como naquele <em>sketch</em> em que <a href="http://www.youtube.com/watch?v=zmcrreUVBeo">os Monty Python gozam com os filmes de Sam Peckinpah</a>.</p>
<p>A crueza da metáfora aterrorizou-me. Aterrorizou-nos aos dois, o eu que dormia e o eu sonhado, que assitia, numa sala cheia por um público aparentemente indiferente, a aquele <em>gore</em> todo. Vi-me a fazer aquilo que, apesar dos péssimos filmes que já vi, nunca fiz na vida real &#8211; abandonar a sala. Acordei.</p>
<p>Sendo um idiota um pouco narcisista, senti-me talvez um pouco aliviado quando me apercebi que o meu <em>score</em> de aguentar filmes maus até ao fim continuava intacto. E interroguei-me se teria também lugar no filme dentro do sonho, e se tendo, se seria decepador ou decepado, ou ambos. Mas algo persistiu, o terror sentido perante metáforas tão cruas, óbvias e, pior que tudo, verdadeiras.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.cafeina.org/ed/2010/02/laminas/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Private jokes e discursos íntimos</title>
		<link>http://www.cafeina.org/ed/2010/01/private-jokes-e-discursos-intimos/</link>
		<comments>http://www.cafeina.org/ed/2010/01/private-jokes-e-discursos-intimos/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 29 Jan 2010 21:26:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Morais</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[ideias]]></category>
		<category><![CDATA[pessoal]]></category>
		<category><![CDATA[relações]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.cafeina.org/ed/?p=234</guid>
		<description><![CDATA[Existe um deus chamado Bruce. Não é um deus bondoso, nem maligno. É apenas Bruce, uma trindade: Nauman é a Luz (fluorescente). Mau é o design, o planeamento, e de certo modo a ACME das nossas vidas. E Lee, Bruce Lee, é a porrada que a vida nos dá. Existe ainda um semideus, Bud, o humor com que [...]<p><br />Ler <b><a href="http://www.cafeina.org/ed/2010/01/private-jokes-e-discursos-intimos/">Private jokes e discursos íntimos</a></b> n'<a href="http://www.cafeina.org/ed">O Procrastinador Profissional</a>...</p>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Existe um deus chamado Bruce. Não é um deus bondoso, nem maligno. É apenas Bruce, uma trindade: <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Bruce_Nauman">Nauman</a> é a Luz (fluorescente). <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Bruce_Mau">Mau</a> é o <em>design</em>, o planeamento, e de certo modo a <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Acme_Corporation">ACME</a> das nossas vidas. E Lee, <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Bruce_lee">Bruce Lee</a>, é a porrada que a vida nos dá. Existe ainda um semideus, <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Bud_Spencer">Bud</a>, o humor com que devemos encarar as coisas, sobretudo essa porrada que a vida nos dá.</p>
<p>Tal é a religião, estilo <em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Spaghetti_monster">Spaghetti Monster</a></em>, desenvolvida com uma amiga ao longo de muitas tardes de preguiça. Um de nós dirá <em>&#8220;hoje Lee presidiu&#8221;</em> e o outro dará o ombro, perguntará o que aconteceu. <em>Bruce</em> é um fragmento de uma linguagem íntima de que nós somos os únicos faladores. Surgiu espontaneamente, nunca nos sentámos e dissemos <em>&#8220;vamos inventar uma religião parva&#8221;.</em> São apenas metáforas que surgiram naturalmente no nosso discurso, evidências de entendimento e intimidade, tais como são as referências a <em>Seinfeld</em> ou a Smiths (<em>&#8220;foi um plano à George&#8221;</em>; <em>&#8220;ainda levo com o double-decker&#8221;</em>). Nunca teriam feito sentido se não conhecessemos e admirássemos Nauman e Mau; se não tivessemos crescido com os filmes de Lee, e com os de Bud e Terence Hill.</p>
<p>A linguagem da intimidade é construída. Pelas experiências e conversas comuns; e sobretudo pelos Momentos. Não é criada, não é partilhável, não é passível de ter qualquer significado quando citada. Com M. falo de Bruce Lee, com A. falo de pêras; referências diferentes para conversar sobre as mesmas coisas. Quer as <em>private jokes</em>, quer os discursos íntimos, são exactamente isso: privados e íntimos.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.cafeina.org/ed/2010/01/private-jokes-e-discursos-intimos/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Histórias</title>
		<link>http://www.cafeina.org/ed/2009/11/historias/</link>
		<comments>http://www.cafeina.org/ed/2009/11/historias/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 05 Nov 2009 02:34:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Morais</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[ideias]]></category>
		<category><![CDATA[relações]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade]]></category>
		<category><![CDATA[vida real]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.cafeina.org/ed/?p=180</guid>
		<description><![CDATA[Estou quase a acabar de ler Generation A do Douglas Coupland. O livro não é extraordinário, estando bastante longe de algo como o Jpod, mas fala bastante de algo que me tem ocupado os pensamentos nos últimos tempos: é que acredito que a vida é uma sucessão probabilística de acontecimentos e de momentos, e qualquer [...]<p><br />Ler <b><a href="http://www.cafeina.org/ed/2009/11/historias/">Histórias</a></b> n'<a href="http://www.cafeina.org/ed">O Procrastinador Profissional</a>...</p>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Estou quase a acabar de ler <em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Generation_A">Generation A</a></em> do <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Douglas_Coupland">Douglas Coupland</a>. O livro não é extraordinário, estando bastante longe de algo como o <em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/JPod">Jpod</a></em>, mas fala bastante de algo que me tem ocupado os pensamentos nos últimos tempos: é que acredito que a vida é uma sucessão probabilística de acontecimentos e de momentos, e qualquer coerência aparente apenas poderá ser</p>
<ol>
<li><span style="background-color: #ffffff;">fruto das probabilidades (escassas) / sorte;</span></li>
<li><span style="background-color: #ffffff;">resultado de um esforço muito deliberado (e muito pouco compensador).</span></li>
</ol>
<p>A vida não é, portanto, um filme. Ou qualquer outra forma narrativa. Uma verdadeira biografia será, na melhor das hipóteses, uma massa desinteressante pontuada por alguns momentos de interesse. As histórias da nossa vida que contamos (incluindo as que valem realmente a pena contar) são sempre relatos posteriores. Pequenas narrativas fruto de uma ordenação e reordenação do passado.</p>
<div id="attachment_181" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-181" title="'Generation A' de Douglas Coupland" src="http://www.cafeina.org/ed/wp-content/uploads/2009/11/Photo046.jpg" alt="in 'Generation A' de Douglas Coupland" width="500" height="216" /><p class="wp-caption-text">in &#39;Generation A&#39; de Douglas Coupland</p></div>
<p>Ninguém me irrita mais, portanto, que as pessoas que querem fazer o contrário, vivendo momentos escritos e planificados. Dois exemplos muito diferentes:</p>
<ol>
<li><span style="background-color: #ffffff;">A mulher que no meio de uma discussão não desfere um ataque verbal contra mim mas, pelo contrário, <em>diz uma deixa</em> (ex. <em>&#8220;Eu não estou à procura de uma relação&#8221;</em>) para ser apreciada por uma audiência invisível. Ouve: a nossa vida está aqui mesmo &#8211; não somos actores em nenhum filme francês.</span></li>
<li><span style="background-color: #ffffff;">O tipo que, enquanto eu esperava aflito no corredor do bar, snifava coca na casa de banho armado em Gordon Gekko, provavelmente usando um Andante (passe mensal dourado) para desenhar a linha na caixa do autoclismo. Enquanto me tentava abstrair das três SuperBocks na bexiga, reflecti em como ninguém estava a ver o gajo*  -  porque é que não se limita a enfiar aquela merda pelo nariz acima com o dedo?</span></li>
</ol>
<p><em>Cinematografizar</em> a vida, admito, é algo em que todos caímos. Se vou entrar num sítio, penso na forma como o George Clooney ou o Brad Pitt entram nos sítios nos <em>Ocean&#8217;s</em>. Mas parte de mim espera que no fundo ninguém repare &#8211; precisamente porque não sou nem o George Clooney nem o Brad Pitt nem, infelizmente, me pareço com algum deles. Mas existe algo de fundamentalmente nefasto neste comportamento: sinto que estou a lidar com pessoas que se referem a elas próprias na terceira pessoa, estilo <em>&#8220;o Jardel tem treinado bem e acha que o mister confia nele&#8221;.</em> Ou com alguém que, quando se lhe pede que desenhe <em>o que viu</em>, se inclui a ele próprio na desenho.</p>
<p>Os meus olhos estão aqui mesmo, na minha cabeça, e só vejo para fora.</p>
<p><span style="color: #666; font-size:0.9em; ">* Muito bem, nem eu. Mas o gajo saiu da casa de banho raiado e a fungar e juro que ouvi o que presumo ser um cartão plastificado a raspar qualquer coisa em cerâmica &#8211; mas ahah! aí o indivíduo até tinha uma audiência! Ora bolas&#8230;</span></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.cafeina.org/ed/2009/11/historias/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Sintomas de velhice I</title>
		<link>http://www.cafeina.org/ed/2009/10/sintomas-de-velhice-i/</link>
		<comments>http://www.cafeina.org/ed/2009/10/sintomas-de-velhice-i/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 19 Oct 2009 23:19:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Morais</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[ideias]]></category>
		<category><![CDATA[vida real]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.cafeina.org/ed/?p=157</guid>
		<description><![CDATA[Hoje dei por mim a segurar com um certo desprezo um daqueles Memory Sticks em versão mini que se usam nos telemóveis. Isto porque esse cartão apenas tinha 1GB de memória. Subitamente caiu a ficha: isso é nada mais, nada menos que o dobro que a capacidade do disco duro do meu primeiro PC, que [...]<p><br />Ler <b><a href="http://www.cafeina.org/ed/2009/10/sintomas-de-velhice-i/">Sintomas de velhice I</a></b> n'<a href="http://www.cafeina.org/ed">O Procrastinador Profissional</a>...</p>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_158" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><img class="size-medium wp-image-158" title="Scary" src="http://www.cafeina.org/ed/wp-content/uploads/2009/10/Scary-500x154.png" alt="Scary" width="500" height="154" /><p class="wp-caption-text">Dou aulas a gente que nasceu depois da Queda do Muro. No ensino superior.</p></div>
<p>Hoje dei por mim a segurar com um certo desprezo um daqueles Memory Sticks em versão mini que se usam nos telemóveis. Isto porque esse cartão <em>apenas</em> tinha 1GB de memória. Subitamente caiu a ficha: isso é nada mais, nada menos que o <em>dobro</em> que a capacidade do disco duro do meu primeiro PC, que terá custado aí para cima de uns trezentos <em>contos</em> em 1995. Ou cerca de 1100 <em>disquetes</em> do Commodore Amiga que tive anteriormente &#8211; umas três ou quatro vezes a totalidade da minha colecção, que se dividia entre disquetes com jogos pirateados em casa e disquetes com jogos <em>pirateados e vendidos completamente à luz do dia</em>, 500 escudos a disquete num centro comercial da Senhora da Hora. E nem vale a pena falar muito das <em>cassetes</em> do ZX Spectrum (tenho algumas com o mais belo <em>stationary</em> de sempre, de uma loja no C.C. Cedofeita &#8211; por baixo do nome do estabelecimento dizem muito simplesmente <em>&#8220;Cópias de Jogos&#8221;</em>).</p>
<p>Ou seja: será que o progresso tecnológico acelera o sentimento de velhice?</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.cafeina.org/ed/2009/10/sintomas-de-velhice-i/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>O Carro</title>
		<link>http://www.cafeina.org/ed/2009/08/o-carro/</link>
		<comments>http://www.cafeina.org/ed/2009/08/o-carro/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 28 Aug 2009 00:55:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Morais</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[ideias]]></category>
		<category><![CDATA[relações]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade]]></category>
		<category><![CDATA[vida real]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.cafeina.org/ed/?p=135</guid>
		<description><![CDATA[Tenho um carro. É um Fiat Punto de primeiríssima geração, fabricado pela marca de Turim em 1995. É um carro vulgar, motor de 1.1 litros e 55cv de potência, e uma pintura cor de ratazana metalizada. A única excepcionalidade reside na caixa de seis velocidades, algo que deve ter parecido boa ideia a algum engenheiro [...]<p><br />Ler <b><a href="http://www.cafeina.org/ed/2009/08/o-carro/">O Carro</a></b> n'<a href="http://www.cafeina.org/ed">O Procrastinador Profissional</a>...</p>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tenho um carro. É um Fiat Punto de primeiríssima geração, fabricado pela marca de Turim em 1995. É um carro vulgar, motor de 1.1 litros e 55cv de potência, e uma pintura cor de ratazana metalizada. A única excepcionalidade reside na caixa de seis velocidades, algo que deve ter parecido boa ideia a algum engenheiro transalpino com uma tendência excessiva para o consumo de vermute. Esta caixa armada em especial de corrida é a razão pela qual a minha condução requer que eu mexa na manete das mudanças mais que o normal, o que me dá a fama de nervosinho ao volante. O carro tem ainda um risco na mala, duas amolgadelas na porta, um auto-rádio que não funciona e um limpa pára-brisas disfuncional. Em compensação tem também encostos de cabeça, vidros eléctricos, e a patina resultante de dez anos a ser estacionado na rua.</p>
<p>O meu Punto já foi assaltado diversas vezes (embora os bens furtados se tenham resumido a um colete reflector, umas fotocópias de Teoria e Crítica da Arte, e uma cassette), pelo que entretanto comprei um daqueles apetrechos que bloqueiam o volante. Mas aparte a questão da mobilidade que tento limitar a terceiros porque a gasolina é cara, vejo o meu carro como um espaço público sobre rodas. Lavo-o porque me chateia conduzir com lama no pára-brisas, e devo tê-lo aspirado pela última vez há uns cinco anos. Há coisas mais importantes na vida do que aspirar o carro. Incluindo não fazer nada.</p>
<p>Tendo 14 anos e uma quilometragem que já passou a centena de milhar, há quem possa dizer que se trata de um carro &#8216;velho&#8217;. Eu discordo. É &#8216;antigo&#8217;. O Fiat anda de A para B com pouca manutenção. Tenho poupanças que me permitiriam comprar um carro recente, talvez mesmo novo, mas sinceramente preferia gastá-las em SuperBock ou coisas ainda mais úteis. Além disso ainda há uns meses fiz um <em>upgrade</em> que consistiu na compra de uns tampões para as jantes no Continente.</p>
<div id="attachment_141" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-141" title="Um BMW com ar de mau" src="http://www.cafeina.org/ed/wp-content/uploads/2009/08/154284634_500.jpg" alt="Também vai do ponto A ao ponto B. O problema é que uma vez no ponto B não teria dinheiro para uma cerveja." width="500" height="321" /><p class="wp-caption-text">Também vai do ponto A ao ponto B. O problema é que uma vez no ponto B não teria dinheiro para uma cerveja.</p></div>
<p>Nunca criei uma relação afectiva com o meu carro. Nunca lhe chamei Bolinhas ou Antunes. É somente O Meu Carro. Que, se um dia puder dispensar, gostaria de empurrar por uma ribanceira abaixo, ficando depois a vê-lo explodir com uma câmara na mão direita e um Martini (dos que são vodka, vermute do bom e uma azeitona, não dos que são aquela coisa engarrafada) na mão esquerda.</p>
<p>O único problema é que evidentemente este meu comportamento de desprezo para com a carruagem-sem-cavalo que conduzo vai contra as normas sociais vigentes. Possuir uma viatura com mais de uma década e que requeira pouca manutenção é visto como uma forma de quase-indigência (se requerer muita manutenção é sinal de riqueza). É notável como o meu estatuto social aumenta automaticamente quando estou fora da cidade (não tenho o hábito de levar o meu carro para fora). Mas quando estou no Porto, passo a ser um cidadão de segunda sempre que esteja dentro ou junto da minha viatura. Páro no semáforo e o condutor ao meu lado ou o peão na passadeira põe um ar de superioridade, queixo subido e sorriso contido, como se o carro fosse o reflexo do valor da pessoa que o conduz. Mas pior é tentar obter uma cedência de passagem. É o <em>apartheid</em> automobilístico.</p>
<p>Certas mulheres olham para o Punto com desconfiança, e depois olham para mim com desconfiança. Se vamos sair e por alguma razão ou lhes dou boleia ou vêm o que conduzo, passam a noite a tentar averiguar, de formas que variam entre as mais directas e as mais subtis, mas sempre bastante nítidas para mim, quais serão as minhas reais capacidades financeiras, se serei um bom <em>provider</em>. Ou se serei, pelo contrário, extremamente avarento (o lixo electrónico que tenho em casa discorda). Como não têm nada a ver com isso, é normalmente a partir desse ponto que surgem as mensagens que dizem <em>&#8220;estou muito ocupada&#8221; </em>e coisas do género (como se uma mulher interessada não arranjasse tempo para café), para minha total falta de surpresa.</p>
<p>Entrámos no território do <a href="http://www.cafeina.org/ed/2009/04/morte-ao-principe-encantado/">Boi do Príncipe</a>, do Ken à escala 1:1: tal como para muitos a progressão natural da vida é Curso, Trabalho, Casamento, Filhos, Crise dos 40, Divórcio, Casamento, Filhos e Morte, aparentemente há também uma Progressão Natural das Dívidas &#8211; o Carro, a Casa, seguida da Mobília e de uma série de electrodomésticos organizados por prioridades, da Televisão à Câmara de Vídeo. E o Príncipe Encantado já não é o <em>knight in a shining armor</em>, mas aquele quem tem o maior número de objectos prateados dentro desta ordem de prioridades.</p>
<p>Há uns tempos vi no outro lado da rua uma rapariga com quem saí há uns tempos e que me recordo ter sido extremamente frontal quando me perguntou quanto é que eu ganhava na nossa primeira e única saída. O seu actual namorado seguia dez passos agressivos à frente, numa cena que me trouxe memórias esquecidas dos meses que precederam o divórcio dos meus pais. Havia também uma promessa de violência no andar do senhor. Cobarde como sou, virei-me para uma montra, escondendo-me enquanto assistia ao desenrolar da cena através do reflexo. Ela entrou para um carro de grande cilindrada, de traseira gorda e pintura prateada teutónica. Pensei, sem por um momento duvidar que estava a sentir um misto de <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Schadenfreude"><em>Schadenfreude</em></a> e amargura: ela tem o que queria. Afinal está tudo bem.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.cafeina.org/ed/2009/08/o-carro/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Quando for ditador I: O Calendário</title>
		<link>http://www.cafeina.org/ed/2009/08/quando-for-ditador-i-o-calendario/</link>
		<comments>http://www.cafeina.org/ed/2009/08/quando-for-ditador-i-o-calendario/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 25 Aug 2009 01:33:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Morais</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[ideias]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.cafeina.org/ed/?p=130</guid>
		<description><![CDATA[Isto da Democracia é muito bonito. É o único sistema político que oferece uma relativa garantia de liberdade de expressão, de igualdade de oportunidades, e outras coisas relativamente importantes. Mas há algo que julgo bastante importante com que a Democracia não é capaz de lidar: a estupidez do Calendário Gregoriano. Acho simplesmente irritante a sequência [...]<p><br />Ler <b><a href="http://www.cafeina.org/ed/2009/08/quando-for-ditador-i-o-calendario/">Quando for ditador I: O Calendário</a></b> n'<a href="http://www.cafeina.org/ed">O Procrastinador Profissional</a>...</p>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Isto da Democracia é muito bonito. É o único sistema político que oferece uma relativa garantia de liberdade de expressão, de igualdade de oportunidades, e outras coisas relativamente importantes. Mas há algo que julgo bastante importante com que a Democracia não é capaz de lidar: a estupidez do Calendário Gregoriano. Acho simplesmente irritante a sequência de meses com 31, 28 ou 29, 31, 30, 31, 30, 31, 31, 30, 31, 30, 31 dias. É estúpido. E por causa dos resultantes 365 ou 366 dias, indivisíveis por 7, nunca o calendário de um ano é igual ao anterior. Estamos evidentemente perante uma conspiração da Indústria Gráfica e dos fotógrafos que receberam encomendas da Pirelli para aumentar a venda de calendários de parede, calendários de bolso, agendas e recargas para <em>filofaxes</em>.</p>
<p>Quando for ditador resolverei este importantíssimo problema, indiferente aos <em>lobbies</em> e à necessidade de consenso internacional no que diz respeito à medição do tempo. Implementarei ou o <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/International_Fixed_Calendar">Calendário Fixo Internacional</a> ou o <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Positivist_calendar">Calendário Positivista</a> (dependendo da proposta que me corromper mais). Treze meses de vinte e oito dias, todos certinhos com dia 1 ao Domingo, dia 2 à Segunda, etecetera. Sobram um ou, se o ano for bissexto, dois dias, mas não precisam de ocupar nem um dia de semana nem um dia do mês se ficarem para o Ano Novo. Ninguém trabalha e estamos todos de ressaca, portanto até serão benvindos um ou dois Dias Zero.</p>
<p>Sob o meu regime, aquela agenda de 2007 por usar não se transformaria automaticamente num bloco de notas com umas datas inconvenientes impressas em cada folha. Seria sempre uma agenda. Decretaria ainda que o 3º trimestre do ano passaria a ter 4 meses, para compensar a <em>silly-season</em>. E ainda conseguiria irritar certas e determinadas pessoas, pois todos os dias 13 seriam sextas-feiras. Seriam só vantagens.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.cafeina.org/ed/2009/08/quando-for-ditador-i-o-calendario/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Homenzinhos e Mulherzinhas</title>
		<link>http://www.cafeina.org/ed/2009/08/homenzinhos-e-mulherzinhas/</link>
		<comments>http://www.cafeina.org/ed/2009/08/homenzinhos-e-mulherzinhas/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 03 Aug 2009 00:31:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Morais</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[ideias]]></category>
		<category><![CDATA[relações]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade]]></category>
		<category><![CDATA[vida real]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.cafeina.org/ed/?p=108</guid>
		<description><![CDATA[Sou bastante imaturo no que diz respeito a uma data de coisas. A minha família e os meus amigos são disso testemunha. No entanto, eis que o outro dia descobri, através do blog do sr. Kottke, um artigo acerca dos comportamentos idiotas que um Homem / uma Mulher deverá abandonar após os 25 anos. Tendo eu trinta, [...]<p><br />Ler <b><a href="http://www.cafeina.org/ed/2009/08/homenzinhos-e-mulherzinhas/">Homenzinhos e Mulherzinhas</a></b> n'<a href="http://www.cafeina.org/ed">O Procrastinador Profissional</a>...</p>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sou bastante imaturo no que diz respeito a uma data de coisas. A minha família e os meus amigos são disso testemunha. No entanto, eis que o outro dia descobri, através <a href="http://www.kottke.org/">do blog do sr. Kottke</a>, <a href="http://tomatonation.com/?p=838">um artigo acerca dos comportamentos idiotas que um Homem / uma Mulher deverá abandonar após os 25 anos</a>. Tendo eu trinta, e (julgava eu!) sendo eu um especialista em imaturidade, li com atenção o tal artigo, à espera de alíneas que condenassem veementemente os meus hábitos e o meu estilo de vida. Acabei por não me sentir tão julgado como julgava, e acabei por concordar com a maioria das alíneas, exceptuando aquelas que se referiam às obsessões americanas pelas gorgetas e pelas notas de agradecimento, e aquele ponto acerca das mulheres terem de aprender a andar de salto alto, o que achei foleiro (depois descobri que o autor afinal é uma autora, e continuei a achar foleiro).</p>
<p>Achei inclusivamente a lista algo incompleta. O Procrastinador Profissional afinal é uma autoridade em Maturidade! Eis portanto a minha lista de Comportamentos Que Definem Uma Pessoa Assim Para o Crescido:</p>
<p><strong>1. Não esperar favores dos amigos<br />
<span style="font-weight: normal;">A autora do artigo original refere expressamente duas coisas: esperar que os amigos nos ajudem com as mudanças, e esperar que os amigos de outra cidade nos dêem um sítio onde ficar. A verdade é, sendo amigos, podem dizer que sim, mas sendo pessoas com a sua própria vida também têm todo o direito de dizer que não sem que fiquemos chateados. Uma pessoa minimamente adulta cá se há-de desenrascar. E ninguém está a contar favores.</span></strong></p>
<p><strong>2. Não contar favores<br />
<span style="font-weight: normal;">Entre amigos, dar é mais importante que receber. Uma tabela de Excel com débitos e créditos é algo que serve muito bem para uma conta bancária, não para uma amizade. Isto porque:</span></strong></p>
<p><strong>3. Não usar os amigos<br />
<span style="font-weight: normal;">Dar-mo-nos com alguém porque essa pessoa até nos vai fazer um site todo catita ou porque tem carro é, nas palavras da autora, <em>soulless</em>. Nas minhas: putedo.</span></strong></p>
<p><span style="font-weight: normal;"><strong>4. Saber ocupar o espaço físico<br />
<span style="font-weight: normal;">Admito que por vezes não sou muito hábil neste ponto. Sempre fui um pouco descoordenado e distraído, e peço desculpa pelas vezes em que não dei conta que a fila da bilheteira avançou. Posto isto, irritam-me imenso as pessoas que são capazes de estar minutos a fio de pé a falar com um grupo de pessoas sentadas num café, especialmente quando quem está de pé está encostado à minha cadeira. É do género: <em>&#8220;Senta-te duma vez ou baza!&#8221;</em> Ou os casais que entram num bar e em vez de se encostarem à parede, ficam ali especados no meio das mesas, com aquela expressão semi-triste de quem acaba de descobrir que a marisqueira está cheia. Ou ainda quem procura a máxima densidade humana em sítios como a Galeria de Paris, tentando maximizar as probabilidades de ver e ser visto: qual é o problema de nos afastarmos uns 20 metros de modo a termos meio metro quadrado só para nós?</span></strong></span></p>
<p><span style="font-weight: normal;"><strong>5. Cortesia<br />
<span style="font-weight: normal;">A falta desta é o pecado capital dos Portugueses. Se há <em>campanha de sensibilização</em> de que me recordo, é de uma do início dos anos 90, com um jingle meio xungoso, chamada <em>Portugal Não É Só Teu</em>. Evidentemente não resultou. É ver as ruas cheias de cagalhões de cão, e de carros a estorvar como se cagados pelos respectivos donos. Ou ainda a <em>malta </em>de zonas residenciais que fala alto e tem o <em>unx unx unx</em> aos berros às quatro da manhã. A liberdade de cada um acaba onde começa a liberdade dos outros. Só assim nos entenderemos.</span></strong></span></p>
<p><strong>6. Ter vários temas de conversa<br />
<span style="font-weight: normal; ">Aquelas histórias que se passaram no Secundário ou na Faculdade já não têm piada: por alguma razão nos deixámos de dar com a maioria dos nossos colegas. O nosso trabalho talvez não seja assim tão interessante para quem está fora. E ninguém nos atura se só falamos de uma coisa, seja de computadores, seja de motas. Como a autora refere, só somos interessantes se formos interessados no mundo que nos rodeia, o que não se reduz a um assunto. </span></strong></p>
<p><span style="font-weight: normal;"><span style="font-weight: normal;"><strong>7. Aceitar os outros<br />
<span style="font-weight: normal;">Por outro lado, se alguém é nosso amigo só temos que aceitar as suas paixões, hobbies e desvarios. <em>Take me as I am</em>, afinal! Uma relação (amizade <em>or otherwise</em>) sem isto é exactamente o quê?</span></strong></span></span></p>
<p><span style="font-weight: normal;"><strong>8. Ter dinheiro<br />
<span style="font-weight: normal;">Não falamos de ter muito dinheiro, nem sequer de ter uma conta bancária. Falamos de ter sempre <em>o dinheiro suficiente </em>para pagar o café ou o tabaco, de ter dinheiro conosco para pagar o jantar sem ter que deixar o parceiro à seca enquanto vamos ao Multibanco. É evidente que entre amigos são possíveis pequenos empréstimos para facilitar os trocos, ou um regime de rodadas, ora pagas tu ora pago eu. Afinal ninguém conta estes pequenos favores! Mas a <em>mitrice</em> é muito, muito irritante.</span></strong></span></p>
<p><span style="font-weight: normal;"><strong>9. Chegar a horas<br />
<span style="font-weight: normal;">Outro pecado mortal português é o chegar atrasado. Todos temos direito a chegar atrasados aos nossos compromissos uma ou outra vez, desde que tudo tivessemos feito para chegar a horas. O problema é que o Atrasado Típico Lusitano é um quase sociopata, um <em>ladrão de tempo</em>. E convenhamos, chegar atrasado não tem uma causa genética, ou coisa do género: qualquer um consegue chegar a horas aos seus compromissos. Se não o &#8216;consegue&#8217;, é porque não quer, e isto é do mais puro egoísmo: ninguém tem o direito de assumir que o meu tempo é menos importante que o seu.</span></strong></span></p>
<p><span style="font-weight: normal;"><strong>10. Cumprir com os telefonemas<br />
<span style="font-weight: normal;">Estamos em 2009. As chamada de telemóvel são baratas quando não são gratuitas, os SMS ainda mais, e, embora já não existam tantos como antes, as cidades ainda estão cheias de telefones públicos. E se temos mais que 25 anos, é muito provável que existam muitas boas e fortes razões para que tenhamos sempre saldo e carga no telemóvel. Ou seja, as desculpas do <em>&#8220;sem saldo&#8221;</em>, <em>&#8220;sem bateria&#8221;</em> raramente serão admissíveis. Portanto, se eu digo que mando mensagem quando chegar: mando mensagem quando chegar. Se digo que amanhã à tarde ligo: amanhã à tarde ligo, pois senão mais valia ter ficado calado. Se vejo que um amigo ligou enquanto estava a preparar o jantar: devolvo-lhe a chamada. Se me enviou um SMS a perguntar algo: respondo. É assim que todos nos entendemos.</span></strong></span></p>
<p><span><span><strong>11. Fazer as coisas<br />
<span style="font-weight: normal;">Antes de chatear um amigo para mudar um pneu &#8211; ou instalar uma impressora: <em>Google it!</em></span></strong></span></span></p>
<p><span style="font-weight: normal;"><strong>12. Aguentar-se à bronca<br />
<span style="font-weight: normal;">A vida é uma merda. Amores não correspondidos, amizades que se cortam ou <em>fazem fade</em>, trabalhos que não satisfazem <a href="http://www.cafeina.org/ed/2009/06/entre-uma-rocha-e-um-sitio-duro/">ou não pagam</a>, desastres, violência, doenças, e depois a morte. Perante certas coisas a tristeza e a dor são reacções naturais e humanas, não obstante as máfias psico-farmacêuticas nos tentarem convencer de que são doenças a tratar. É fácil sentirmos pena de nós próprios. O problema é quando começamos a achar que esta dor deve ser partilhada pelos nossos amigos, esquecendo-nos que os nossos amigos já têm as dores deles. É bom ter alguém com que desabafar e ter quem confie de forma recíproca em nós, mas daí à constante necessidade de atenção e <em>babysitting</em> vai um grande passo. Ninguém pode afinal resolver os nossos próprios problemas. Queres pena? Chama o Bono.</span></strong></span></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.cafeina.org/ed/2009/08/homenzinhos-e-mulherzinhas/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>
