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Domínio Público, toma!

Não é comum eu colocar aqui no Procrastinador artigos acompanhados de imagens ou vídeos a cores. Digamos que na minha opinião o preto e branco compõe o design da coisa. Mas acho que hoje o motivo não é para menos: decidi colocar dois dos meus trabalhos no Domínio Público. Não me refiro a aquela coisa meia estranha do Creative Commons ‘normal’, que é como quem diz “usa à vontade mas como eu te mando”, mantendo-se o meu copyright sobre as obras até 70 anos depois da minha morte – ou seja, o copyright manter-se ia até uma data hipotética que a título pessoal espero bem dentro do século XXII.

Questionando a Inspecção Geral das Actividades Culturais sobre como poderia colocar estes meus trabalhos no Domínio Público, propuseram-me uma doação à Secretaria de Estado da Cultura.

Pois, não, obrigado.

Felizmente consegui livrar-me do copyright através da Dedicação Universal da pouco publicitada versão zero da Creative Commons. Antes havia feito alterações nos vídeos, corrigindo erros e retirando todo o material que não tinha licença por escrito para utilizar – até tive o cuidado de usar tipos de letra com licenças livres. Pedi à Joana, responsável pela locução e todo o tipo de ajudas diversas (obrigado Joana!), uma declaração cedendo-me todos os direitos, de modo a poder atirar com os trabalhos: agora o Words and Thoughts in RGB e o Life is Change são vossos, são de todos. Os downloads estão aqui e aqui, respectivamente.

Usem-nos como entenderem. Cobrem bilhetes, remisturem, editem-nos em DVD e Blu-Ray, metam-lhe o logotipo do Continente ou da Galp no final. Não tenho nada a ver com isso. Apenas não lhes mudem os créditos – não o fariam com Os Lusíadas, pois não?

Uma humilde proposta

Já expressei por diversas vezes a minha opinião de que as eleições que se aproximam são essencialmente uma escolha entre uma parede e uma espada. Temos, no lado do ‘sistema’, um partido desgastado e situacionista e que a crer nos media é liderado por Satanás em pessoa; e dois partidos que crêem entusiasmada e verdadeiramente neste capitalismo-turbo, tal o brilho pleno de fé nos olhos dos respectivos líderes. Do outro lado, dois partidos pelo Não a uma boa parte das injustiças vigentes, votos úteis para marcar uma posição, mas que infelizmente se esquecem que o Mundo é muito grande e complexo; algumas das suas propostas bem-intencionadas seriam um pouco como acabar com as energias nuclear e fóssil de um dia para o outro – tanta fogueira acesa e tanto alimento estragado não faria nem bem ao ambiente nem à saúde.

De qualquer modo, espero que o futuro governo – qualquer que seja – siga a minha humilde proposta para o sector dos media, que é para mim o principal factor de irritação e crispação na actualidade: Todos os meios de comunicação social deveriam ser legalmente obrigados a adoptar o nome do seu presidente, director ou principal accionista.

Ou seja: quando SIC Notícias coloca, debaixo de uma intervenção em que Jerónimo de Sousa diz que PS, PSD e CDS são gatunos, a legenda tecnicamente verdadeira “Jerónimo de Sousa diz que PS são gatunos”, temos uma leitura – especialmente se não prestarmos muita atenção ou se virmos isto no café, onde a TV está sem som. Seria no entanto totalmente diferente ver isto na Pinto Balsemão Notícias. Da mesma forma, uma sondagem do jornal Belmiro não será bem o mesmo que uma sondagem do jornal Público; uma entrevista na RTP não é bem o mesmo que uma entrevista na Televisão com Funcionários Públicos; um furo da Rádio Renascença não será o mesmo que um furo da Igreja Católica.

Fico a aguardar uma resposta do futuro governo a esta reivindicação, que não acarreta qualquer custo adicional para o Estado nestes tempos austeros que vivemos.