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Desta vez vou à manifestação

Não sou muito dado a manifestações. Já o disse antes. Acredito que o poder é um reflexo das sociedades onde se manifesta, a um nível mais profundo que o voto e a democracia. De nada servirá que nesta Grândola o povo ordene, se esta não for uma terra de fraternidade. E que não somos.

Não quero que se lixe a Troika: esta existe vários graus de separação para lá dos meus conhecimentos e é uma coisa terrível odiar-se quem não se conhece. Eles podem pedir e até ordenar, mas a opressão que por vezes sinto não origina da Troika nem sequer do Governo ou de um qualquer Outro relativamente abstracto. A opressão da negligência e do descuido quotidianos, da desmesura e da ambição, talvez seja capitalista mas não é fruto do cumprimento de ordens. Quando acordámos hoje reconstruímos a nossa parte do mundo que cessou enquanto dormiamos. E este é precisamente o mundo o que escolhemos reconstruir – fruto de actos que são o critério da verdade dos nossos desejos.

Desta vez irei contudo à manifestação. Sei que de pouco adiantará enquanto as manifestações apenas servirem para mudar governos sem nos mudarem a nós, que segunda-feira reconstruiremos este Portugal mesquinho, serviçal e turístico: uma cultura que demorará gerações a mudar. No entanto, por mais insignificante que seja o passo, acredito que é chegada a hora em que a retirada de certos indivíduos de posições de poder é necessária, não pelo que fizeram à economia mas sobretudo pelo que fazem à nossa mentalidade. Irei por isso.

Sem participar em concursos de cartazes, sem beber cervejas nem tirar fotos para o Facebook. As manifestações não podem ser sábados bem passados; assim eu farei desta a minha.

Fica aqui uma sugestão musical alternativa à Grândola, Vila Morena, demasiado usada nas últimas semanas como canção contra. Cante-se por.

A Troika em nós

Costumo passar a maioria das tardes de Sábado aqui na Baixa do Porto, pelo que já consigo notar que hoje, 15 de Setembro de 2012, será um Sábado Especial: um dia quente com 27 ºC e em que o Sol brilha sobre as esplanadas mais cheias que o costume; em que mesmo o interior dos cafés está cheio de pessoas bem vestidas para um dia de passeio, comendo os seus almoços tardios, ponderando as questões logísticas da conjugação dos seus propósitos contestatários com a assistência de vários concertos da Optimus D’Bandada, cuja dispersão de eventos quase-simultâneos em locais algo exíguos numa zona alargada e de topografia acidentada requer pleneamento preciso.

Existem também os tais propósitos contestatários. Entre o tirar fotografias de cartazes engraçados para colocar no Facebook, as idas às barraquinhas da SuperBock (que ainda não vi mas não duvido que apareçam a tempo), e os concertos em barbearias e garagens, é suposto que se grite bem alto “Que se lixe a Troika!”, aceitando o convite Eu Vou À Manifestação, E Tu?, cujo proto-fascismo escapou (espero eu) a quem redigiu tal título. A unidade forçada de forma inconsciente é bem patente no meme do momento, em que o Robin leva um severo tabefe do Batman quando murmura dúvidas sobre a sua participação na manifestação.

Eu estou aqui ao lado e não irei à manifestação. (Abaixo-me para me esquivar do Batman.) Eu não quero que se lixe a Troika. Não conheço pessoalmente nenhuma pessoa no FMI, na Comissão Europeia ou no BCE, e não tenho por costume desejar mal a desconhecidos. Além disso, a logística da coisa parece-me deveras complicada: como é que é suposto a Troika ir-se lixar? Interessa-me mais a segunda parte das palavras de ordem: “Queremos as nossas vidas!” E, salvo a hipotética intervenção do Batman, tenho a minha vida: todos temos as nossas vidas. Julgo que existe aqui um apelo à acção individual que é admirável – e paradoxalmente o último sítio onde o vejo tal apelo a poder ser posto em prática é em manifestações do filo que se foda X.

Sou frontalmente contra manifestações de cariz negativo: quero que se lixe a preocupação com a Troika. Deixem-nos estar, só querem receber o dinheiro deles. Se for devido, pagá-lo-emos, se não for, não pagamos, pronto. E embora as suas aparições mediáticas me suscitem menos simpatia que as dos burocratas anónimos das insituições credoras ao Estado Português, mesmo assim, nem quero que se lixe o Passos Coelho, o Vitor Gaspar, o António Borges. Há no entanto algumas coisas que gostaria que acontecessem, com Troika ou sem Troika:

Que existisse um plano para aumentar o salário mínimo até à média europeia. Que os impostos e contribuições se tornassem verdadeiramente progressivos, com os rendimentos do Capital equiparados ao escalão mais alto do IRS e uma descida no geral do IVA compensada por um novo escalão para produtos de luxo. Que a falta de remuneração do trabalho fosse criminalizada. Que o valor do arrendamento de apartamentos pequenos fosse equivalente, no máximo, a um terço do salário mínimo. Que o imposto sucessório fosse reintroduzido. Que os transportes públicos expandissem os seus serviços e baixassem os preços, usando um imposto extra sobre os combustíveis para fins não-comerciais se necessário. Que as infraestruturas fossem renacionalizadas. Que os cargos judiciais fossem sujeitos a controlo democrático (isto é, eleições) de cariz individual e apartidário. Que a Alemanha saísse do Euro. Que os deputados, ministros, autarcas e restantes cargos políticos fossem bem remunerados e tivessem o direito de optar por um bom subsídio de desemprego proporcional aos anos de serviço – em troca de uma total e criminalizada inibição de ocupar cargos no sector privado nos cinco anos subsequentes. O reconhecimento que devido à evolução técnica o Futuro tende para o Pleno Desemprego e que apenas uma distribuição justa da riqueza – com base na criação de valor -, um investimento massivo na Cultura e Educação e uma progressiva redução do horário laboral podem garantir uma qualquer estabilidade.

Cada uma destas pretensões, variando entre o facilmente e o dificilmente exequível, justificará por si só uma manifestação maciça, com uma palavra de ordem bem concentrada e bem definida. É certo que ainda vou a tempo de imprimir uns cartazes e de juntar estas minhas opiniões a uma manifestação que apesar do “Que se lixe!” se pretende, segundo os organizadores, Do It Yourself. Mas de que serve a cocofonia, um “estamos contra!” sem uma lista de exigências clara e legível? Num diferendo entre uma população e um Governo que esta mesma ligitimou nas urnas e nas ruas (e muito à conta de uma manifestação semelhante da qual me arrependo de ter sido parte) a negociação apenas pode existir sobre reinvindicações concretas.

Mas sobretudo, temo que este tipo de manifestações vagas e ao calhas, em que todos têm a sua opinião mas o que sai da cocofonia é uma recusa sem alternativa, sejam uma mera catarse que transfere responsabilidades individuais para Os Outros: Nós queremos as nossas vidas mas Eles não deixam. E chegando a Segunda-feira o estado das coisas, embora mais debilitado, manter-se-à: muitas pessoas aceitarão a exploração a troco de um metafórico bilhete para a lotaria do Sucesso, sabendo-se substituíveis em caso de recusa. Mesmo que o evitem nas eleições mais imediatas, muitos voltarão a votar em partidos que jamais tiveram qualquer política de redução do fosso entre os mais ricos e os restantes, esperançosos de um benefício adicional caso a Fortuna chegue.

A guerrilha entre colegas, classes e gerações continuará, e o facto de todos virem a pagar mais para a Segurança Social não mudará o aspecto fundamental da sociedade portuguesa: um conjunto de pessoas que são em larga medida neoliberais até à medula independentemente da preferência política expressa, crentes na tese da “vida acima das possibilidades” e que esta apenas se aplica a todos os outros / Eles, dispostas a pagar mais por menos desde que os vizinhos sofram mais. Sintomática da inveja endémica veja-se a visão pop sobre os políticos: o Deputado é uma espécie de ogre comilão e bebedor do sangue dos seus eleitores, um ser que aparentemente se desenvolve a partir dos restos abandonados nos contentores atrás de restaurantes de má reputação. Embora haja casos em que isto possa ser verdade, ignora-se alegre e prepositadamente que os partidos políticos têm instalações físicas com portas abertas dentro de horários de expediente bem publicitados, e que é possível entrar para a Política mediante o pagamento de uma quota modesta (desconheço no entanto se requerem o pagamento de jóia). Em vez disto espera-se por uma Limpeza, a ser efectuada por Alguém que ainda desconhecemos – esperança esta que dados os exemplos históricos apenas nos devia trazer arrepios.

A Política dá trabalho e só a tradição nacional de monosprezar o trabalho dos outros impede que as pessoas entendam isso. Passei parte da minha infância acompanhado o meu pai nas suas incursões políticas e recordo-me das passagens obrigatórias aos sábados à tarde na sede do partido, nas suas saídas à noite durante a semana, da logística da ida a comícios onde agitava bandeiras sentado às suas cavalitas – tudo uma grandessísima seca. Não é Relvas quem quer, veja-se uma fracção do que é necessário:

Segunda – jantar da J. F. Póvoa de Stº Adrião;
Terça – encontro com o Rancho Folclórico de Alheira de Cima;
Quarta – jantar da Ass. Com. Torres Vedras (ou Torres Novas ou lá o que é);
Quinta – jantar-comício do Partido em Oliveira do Hospital;
Sexta – seminário da Ass. Empresarial do Baixo Guadiana.

Vida boa? Nem eu tenho paciência para inventar o Sábado de tão desgraçada personagem, quanto mais vivê-lo.

A nossa democracia é representativa: nós delegamos as coisas para as quais não temos paciência, e saímos de cena para voltar a aparecer no dia das eleições. Como noutras situações mais prosaicas, pagamos a outros para que as façam por nós, e cada um deverá reflectir o quanto está disposto a pagar pela dispensa da sua parte na condução da sociedade. Interagimos com os eleitos apenas em manifestações de massas, umas vezes para os apoiar, a esmagadora maioria das vezes para os insultar. Ninguém está para ter trabalho adicional. Os políticos com que ficamos são assim um reflexo da nossa ausência de interesse, fazendo-se pagar proporcionalmente à sua raridade numa população que está mais interessada:

  1. Na catarse e no sentir-se bem consigo próprio que advém das actividades de grupo – a documentar e publicitar nas redes sociais, evidentemente;
  2. Em conjugar tal catarse com o passeio (ex. a Optimus D’Bandada) e o consumo conspícuo, em vez do assumir de formas de luta mais extenuantes – seja o protesto contínuo à grega/espanhola, seja a participação política activa supracitada;
  3. Em encontrar bodes-expiatórios e em demonizar Outros / Eles do que em reinvindicar coisas concretas, pois tal requer esforço intelectual e reconhecimento da complexidade e uso de lógica e da negociação e etc., coisas que não interessam muito a quem procura o ponto nº 1.

Esta é a verdadeira Troika, a nossa Troika.

A manifestação já começou entretanto, oiço as buzinas, abafadas talvez por dois quarteirões. Ficarei por aqui, a beber um chá, a comer bolachas e a ouvir música. Já exprimi a minha opinião, ficará aqui para quem a quiser ler, assim como para eu próprio a poder revisitar mais tarde. Tenho a certeza que todos ganharíamos mais se as centenas de milhar que se manifestam dedicassem este seu tempo e esforço a pensar nas complexidades e a pôr por escrito o que realmente reinvindicam e como – e não só do Estado mas dos restantes portugueses e sobretudo de si próprios. Perder-se-iam umas recordações e a sensação de ter ajudado a dar um recado mediático (cujos destinatários irão esquecer numa questão de dias se é que chegaram a prestar atenção), ganhar-se-iam ideias bem necessárias.

Reinvindiquemos consequências.

Terra queimada

Tropas preparam a destruição de uma casa com dinamite, durante a Guerra dos Boers.

Numa demonstração sucinta que o 25 de Abril é um work in progress, a Câmara Municipal do Porto voltou a despejar a Escola da Fontinha ao amanhecer do dia 26, depois da entusiástica reocupação levada a cabo no dia anterior. Desta vez tentam garantir que a Escola ficará imprópria para reocupação, destruindo a canalização, as casas de banho, e a instalaçao eléctrica. Isto só demonstra que o executivo de Rui Rio é como aqueles miúdos que preferem atirar com os seus carrinhos (de WTCC?) para o esgoto a deixar que mais alguém brinque com eles.

Mas brincadeiras àparte, aquilo a que se assiste é à destruição de um espaço público às mãos dos eleitos para defender o interesse público. Pode-se argumentar a suposta ilegalidade da ocupação por parte de ‘activistas’ e moradores da zona, mas não estava de todo em causa a ocupação de uma propriedade privada. O que estava sim em causa era a dinamização de um espaço público devoluto. A ‘Es.col.a’ (não sou grande fã dos pontinhos no nome) era uma verdadeira Escola. Vejam-se as actividades que estariam previstas para hoje, de acordo com o seu site:

– 14:00 – Laboratório de Fotografia;
– 17:00 – Apoio Educativo Geral (explicações);
– 18:30 – Aulas de Capoeira;
– 18:30 – Hacklaviva (clube de Informática);
– 18:30 – Oficina de música.

Além disto a Escola tinha uma cantina e várias instalações (ex. sala de computadores) para uso geral da comunidade. Como é que a Câmara pode argumentar (e terá que o fazer forçosamente, sob pena de a destruição de hoje configurar uma actividade criminal) que ao emparedar e destruir uma verdadeira Escola e Centro de Comunidade está a defender o interesse público? Na Escola da Fontinha morreram uma série de chavões do discurso oficial – o empreendedorismo social, o dar à comunidade, a iniciativa, o dinamismo, e a generalização venenosa em que os mais jovens e os mais pobres são uns parasitas que vivem de subsídios e nada fazem. Percebe-se que empreendedorismo e iniciativa são exclusivos de um certo tipo de gente, que não partilha.

Penso que existirão algumas culpas no lado de cá da barricada, na forma como o discurso sobre a Escola da Fontinha foi politizado (não venham dizer que a ocupação era ‘apolítica’, que isso mesmo é política), na forma como se construiu toda uma publicidade em torno de uma ocupação ‘especial’, quando porventura dever-se-ia ter realçado a decência elementar de um projecto como a Escola (que tal cartazes com calendários em vez de slogans?) uma vez que, mais que demonstrar uma qualquer ‘diferença’, um projecto destes deveria ambicionar ser a normalidade das comunidades locais.

Todavia, por mais importante que seja ter em atenção as percepções das pessoas não familiarizadas com o projecto de ocupação da Escola da Fontinha e desmontar a forma redutora como alguma comunicação social o apresenta (‘okupas’, com aquele K nojentinho), o essencial hoje é o erro e a indecência básica do executivo de Rui Rio: no Porto, as comunidades não têm o direito de se organizar e de construir algo, o público não tem direito a utilizar positivamente o espaço público. Reenvindicando para si e para as Caridades escolhidas a dedo o exclusivo da ‘intervenção social’, a Câmara Municipal do Porto faz terra queimada daquilo que possa pôr em causa o dogma liberal. Faria um Rui Rio primeiro-ministro como Bashar Al-Assad e Muammar Khadafi, bombardeando as ‘suas’ cidades quando estas não fossem do seu agrado? Que a carreira política deste senhor acabe depressa.

Só para dizer uma coisa

Estou indignado com muita coisa. Indignado com a nossa sociedade, a nossa cultura, a nossa política; com os media e a opinião pública, tanto a pop como a alternativa. Estou indignado com a minha inércia e os meus vícios. Estou indignado com os ricos, indignado com os pobres, indignado com os intelectuais e com as pessoas que acham que os dinossauros eram mamíferos ou que África é o nome de um país na América austral.

Mas não admito que uns quaisquer aspirantes a publicitários, que ainda por cima não elegi, se julguem representantes da minha indignação. A minha indignação não requer relações públicas ou qualquer outro tipo de representação. E é orgulhosamente amadora.

Serei profissional noutras coisas – no ensino e nos biscates multimédia pelos quais sou pago habitualmente, na ajuda que ofereço a quem ma merece, ou na procrastinação que pratico com fervor e cuidado -, coisas com as quais espero contribuir de forma concreta para melhorar a minha vida e a das pessoas que se cruzem comigo. Mas jamais terei qualquer aspiração profissional baseada na minha indignação, e repudio quem a tenha.

Os 1% de indignados profissionais, que esperam salivando por tempos ainda mais difíceis que os vinguem, não me merecem mais simpatia que os 1% da elite económica que crackaram todo o sistema socio-económico e que ninguém parece entender que terá que ser reparado para nos pôr a salvo dessa predação. Compreende-se que os predadores e parasitas que exploram a nossa estrutura social não o queiram fazer, mas jamais estarei ao lado dos que querem resolver a questão dinamitando tudo conosco no interior (na versão new-age da crença de que iremos todos para o Céu); ou de umbiguistas a quem apenas interessa o engate retro-revolucionário via Facebook (que alguém por favor abra um resort Maio’68 ou PREC para esta gente!). Não admito que a minha indiganção seja explorada por quem revela, na sua arrogância naif, estar-se cagando para a complexidade do mundo e dos seus 7000 milhões de seres humanos – 7000 milhões de bocas e de sonhos, 7000 milhões de interesses e opiniões altamente contraditórios que é necessário respeitar e gerir sem que nos matemos a todos.

O apolítico é o melhor amigo das elites, o seu agente-duplo que nem necessita de remuneração. É de verdadeira agenda política (Polis – cidade – cidadania) que precisamos: no dia em que vir palavras de ordem de consequência construtiva para os 98% sairei à rua. Receio ter que esperar sentado.

Uma humilde proposta

Já expressei por diversas vezes a minha opinião de que as eleições que se aproximam são essencialmente uma escolha entre uma parede e uma espada. Temos, no lado do ‘sistema’, um partido desgastado e situacionista e que a crer nos media é liderado por Satanás em pessoa; e dois partidos que crêem entusiasmada e verdadeiramente neste capitalismo-turbo, tal o brilho pleno de fé nos olhos dos respectivos líderes. Do outro lado, dois partidos pelo Não a uma boa parte das injustiças vigentes, votos úteis para marcar uma posição, mas que infelizmente se esquecem que o Mundo é muito grande e complexo; algumas das suas propostas bem-intencionadas seriam um pouco como acabar com as energias nuclear e fóssil de um dia para o outro – tanta fogueira acesa e tanto alimento estragado não faria nem bem ao ambiente nem à saúde.

De qualquer modo, espero que o futuro governo – qualquer que seja – siga a minha humilde proposta para o sector dos media, que é para mim o principal factor de irritação e crispação na actualidade: Todos os meios de comunicação social deveriam ser legalmente obrigados a adoptar o nome do seu presidente, director ou principal accionista.

Ou seja: quando SIC Notícias coloca, debaixo de uma intervenção em que Jerónimo de Sousa diz que PS, PSD e CDS são gatunos, a legenda tecnicamente verdadeira “Jerónimo de Sousa diz que PS são gatunos”, temos uma leitura – especialmente se não prestarmos muita atenção ou se virmos isto no café, onde a TV está sem som. Seria no entanto totalmente diferente ver isto na Pinto Balsemão Notícias. Da mesma forma, uma sondagem do jornal Belmiro não será bem o mesmo que uma sondagem do jornal Público; uma entrevista na RTP não é bem o mesmo que uma entrevista na Televisão com Funcionários Públicos; um furo da Rádio Renascença não será o mesmo que um furo da Igreja Católica.

Fico a aguardar uma resposta do futuro governo a esta reivindicação, que não acarreta qualquer custo adicional para o Estado nestes tempos austeros que vivemos.